Baracoa, “verde contangiante” sobre uma baía chamada Porto Santo

06-09-2019 (08h57)

"Em Baracoa, o verde é contagiante", disse-nos o guia antes de sairmos de Guantanamo, uma descrição que se torna evidente quando subimos em curva e contra-curva uma cordilheira repleta de vegetação. Um cenário que nos acompanhará até chegarmos ao mar, a uma baía chamada Porto Santo.

São quase três horas de caminho, de Guantanamo a Baracoa. Começamos paralelamente ao mar, na costa Sudeste da ilha, onde a paisagem é mais árida. Temos o mar do lado direito e vemos lá ao fundo, mais para a esquerda, uma montanha verdejante que teremos de atravessar para chegar a Baracoa, na costa Nordeste de Cuba.

Passamos pelo acesso que nos levaria para a base naval de Guantanamo, olhamos curiosos, mas o campo de detenção norte-americano fica longe daquela entrada e nada é visível dali.

Mais à frente vemos a baía de Baitiquiri, onde em tempos houve salinas, passamos pelo município de San Antonio del Sur, onde passam mais carroças do que carros na estrada, e depois a emblemática Playa de Cajobabo, onde José Martí desembarcou para se juntar à guerra pela independência de Cuba.

Apontamos para Norte e começamos a subir a montanha que separa a costa Sul da costa Norte. Subimos em curva e contra-curva, por entre a vegetação densa, e fazemos uma pausa no miradouro de La Farola.

Assim que saímos do autocarro somos rodeados por vendedores. E porque a vegetação não é só paisagem, também é agricultura, estes cubanos vendem-nos uma das maiores preciosidades da produção local. O melhor cacau de Cuba, produzido em Baracoa, dizem-nos.

A paisagem vista do miradouro comprova as palavras do nosso guia, Jesus Grajales, "verde contagiante" a perder de vista, vegetação a cobrir montanhas e montanhas até ao mar.

Seguimos viagem montanha abaixo para ainda ver o fim do dia em Baracoa, percorrer muito brevemente a sua avenida à beira-mar, que, tal como em Havana, se chama Malecón, e vislumbrar El Yunque, uma montanha que se destaca no horizonte pelo seu topo plano.

Chegamos com pouco tempo para conhecer, mas à hora certa para ver o pôr-do-sol na Baía de Porto Santo, assim baptizada por Cristóvão Colombo em homenagem à ilha portuguesa de Porto Santo, no arquipélago da Madeira, onde se acredita que viveu.

É mesmo sobre essa baía que ficamos hospedados, num hotel que não podia ter outro nome senão Hotel Porto Santo. Ao descer os degraus para junto do mar, encontra-se o local onde se conta que Colombo colocou a primeira cruz de madeira na ilha, em 1 de Dezembro de 1492.

Nesse local está uma réplica da cruz, mas a original, a Cruz de La Parra, está exposta na Catedral de Nuestra Señora de la Asunción, em Baracoa, e é a única sobrevivente das 29 cruzes de madeira que Colombo instalou no território na sua primeira viagem.

Baracoa é a mais antiga cidade de Cuba, fundada por Diego Velázquez de Cuéllar há mais de 500 anos, e desenvolvida sobretudo pelos franceses vindos do Haiti para plantar côco, cacau e café no início do século XIX.

Além das paisagens e do restaurante La Punta, situado numa antiga fortaleza, a agenda não permite conhecer mais, porque no dia seguinte partimos de manhã cedo para a cidade de Holguín e para as praias de Guardalavaca.

Antes de seguir viagem, visitamos ainda uma quinta chamada Rancho Toa, onde passa o rio mais caudoloso de Cuba, o rio Toa, que dali nos parece um espelho a reflectir os coqueiros e as palmeiras que se erguem nas margens.

Para explorar o rio, há passeios de barco organizados a partir do Rancho Toa, mas o nosso destino é Holguín e temos que nos fazer à estrada. A distância vai obrigar a cinco horas de caminho, que serão recompensadas com as praias de areia branca e mar azul turquesa de Guardalavaca.

Para continuar a ler clique:

Hoguín e Guardalavaca, à descoberta das praias

Por Luís Canto

O PressTUR viajou a convite do Ministério de Turismo de Cuba

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