Camaguey, artística e irreverente

06-09-2019 (08h54)

Camaguey é um labirinto de ruas e travessas, nada parece obedecer a qualquer geometria, tudo aparenta espontaneidade. Só nas praças encontramos simetria e, se estivermos atentos, de tudo um pouco.

A primeira praça que visitamos é a de San Juan de Dios, com bancas montadas, artesanato à venda e várias galerias de arte, Uma delas com objectos feitos de couro a retratar formas humanas, e outra, forrada de quadros do chão ao tecto.

Para lá chegar foram quase quatro horas de estrada desde Guardalavaca e, desafortunado motorista, tem ainda que enfrentar um cruzamento dessas estreitas ruas de Camaguey alternando uma infinidade de vezes entre a marcha-atrás e a primeira mudança, o volante para um lado e depois para o outro, até conseguir sair do estacionamento.

Mas as ruas de Camaguey, a terceira maior cidade de Cuba, não são labirínticas por acaso. Conta-se que foram construídas assim para confundir invasores.

Seguimos caminho pelo centro histórico de Camaguey, declarado Património Mundial pela UNESCO, até que encontramos uma praça com uma estátua de um homem a cavalo, em pose triunfante. É Ignacio Agramonte, um dos heróis da primeira guerra da independência de Cuba, de tal importância que as pessoas de Camaguey são conhecidas como agramontinos, diz-nos o guia Jesus Grajales.

Como acontece na maior parte das cidades cubanas, música e dança fazem parte do pacote. E como não há uma noite em Cuba em que um Mojito seja uma escolha infeliz, independentemente dos quilómetros feitos e dos que falta fazer, será precisamente nessa praça onde terminará o dia, na Casa de la Trova.

Depois de várias canções, em que nenhuma foi tocada sem que houvesse pelo menos um par a dançar, era tempo de seguir para o hotel, mas junto à estátua de Ignacio Agramonte encontrámos alguns jovens conversadores: uns, que tinham skates, falaram-nos da dificuldade em comprar equipamento e encontrar lugares onde praticar, obstáculos que superam com muita criatividade; outro que nos apanhou desprevenidos e desenhou-nos a carvão; e ainda mais um que nos cantou em verso as vivências e os problemas do dia-a-dia que enfrentam os habitantes de Camaguey.

Foi nesse espírito, a pensar nas dificuldades e nas soluções que encontram os jovens cubanos, na irreverência e na veia artística de Camaguey, que seguimos caminho para um destino totalmente diferente, as praias dos Cayos do Norte de Villa Clara, com uma paragem na cidade de Sancti Spiritus.

Para continuar a ler clique:

Sancti Spiritus, uma viagem à era colonial

Por Luís Canto

O PressTUR viajou a convite do Ministério de Turismo de Cuba

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