Guantanamo tem mais para contar

06-09-2019 (09h00)

Um centro histórico com edifícios colonais preservados e um cenário de montanhas cobertas de vegetação a espreitar para o mar são alguns dos argumentos de Guantanamo, que tem mais para contar do que apenas a história de uma prisão norte-americana.

Nas duas horas de estrada de Santiago para Guantanamo, o guia Jesus Grajales fala-nos da influência francesa na região Este de Cuba, uma região montanhosa onde se instalaram franceses vindos do Haiti no século XVIII para produzir café e açúcar, trazendo consigo escravos africanos.

Guantanamo, a província mais a Este de Cuba, é conhecida sobretudo pela prisão norte-americana instalada numa das suas baías, o que foi possível graças a uma emenda na constituição cubana no início do século XX, a Platt Amendment, uma condição que os Estados Unidos impuseram em troca de retirarem as suas tropas da ilha, que estavam ali depois de terem ajudado os cubanos na guerra pela independência contra os espanhóis.

Há outro motivo que leva o nome de Guantanamo aos quatro cantos do mundo, que é "Guajira Guantanamera", a mais famosa canção cubana. Escrita em 1930 por Joseíto Fernandez, a canção inclui versos de José Martí, poeta e activista, um dos heróis da guerra pela independência cubana. A canção conta uma história de amor por uma camponesa (guajira) daquela região, evocando ao mesmo tempo um sentimento patriótico.

Chegamos à cidade de Guantanamo absorvidos por estas histórias, mas só temos tempo para um curto passeio pelo centro histórico, para admirar os edifícios antigos, caminhar na praça principal e ver uma estátua em homenagem a outro herói nacional da guerra da independência, Periquito Pérez.

Almoçamos no Hotel Imperial um prato que repetiremos várias vezes ao longo da viagem, uma espécie de estufado de carne desfiada a que chamam Ropa Vieja, acompanhado de arroz com feijão e plátano frito.

Outro elemento que acompanhará quase todas as refeições é a música ao vivo. Vozes, guitarras, contra-baixo, congas, outros instrumentos e, sobretudo, muitos sorrisos e alegria.

É tempo de voltar à estrada para chegar antes do anoitecer a Baracoa, onde vamos encontrar uma baía chamada Porto Santo, baptizada com este nome por Cristóvão Colombo em homenagem à ilha portuguesa.

Para continuar a ler clique:

Baracoa, "verde contangiante" sobre uma baía chamada Porto Santo

Por Luís Canto

O PressTUR viajou a convite do Ministério de Turismo de Cuba

 

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