Brasil não deixa de ser atractivo para o outgoing português por causa da crise, Pedro Costa Ferreira

03-10-2016 (11h59)

A participação na feira da ABAV de empresas portuguesas de incoming poderá ter-se reduzido este ano, mas as de outgoing, que vendem o destino Brasil em Portugal, marcaram presença como em anos anteriores, porque “o destino Brasil, com crise ou não, não terá ficado menos atractivo”, realçou o presidente da APAVT, Pedro Costa Ferreira, na maior feira de turismo no Brasil.

Pedro Costa Ferreira, que falava ao PressTUR na passada sexta-feira em São Paulo, fez ainda um balanço da participação da Associação na feira, onde procurou acompanhar os mais recentes desenvolvimentos no Brasil designadamente no que respeita à protecção dos consumidores por parte dos operadores turísticos.

 

PressTUR: O Brasil está em recuperação, a sair de uma crise. Como é que isso poderá ter influenciado a presença dos portugueses na feira da ABAV?

Pedro Costa Ferreira: Da APAVT não influenciou. A APAVT teve ao longo dos últimos anos uma aposta grande na relação internacional. Corresponde a uma filosofia a noção e a percepção de que já existem poucos problemas nacionais para resolver e existindo alguns problemas nacionais para resolver já existem poucos problemas nacionais que sejam resolvidos a nível nacional. Mas há toda uma interacção global onde se buscam as soluções e é por isso que a APAVT apostou decisivamente na vertente internacional.

 

PressTUR: A relação com a ABAV está inserida nessa filosofia?

Pedro Costa Ferreira: A relação com a ABAV e com o Brasil faz parte dessa vertente. Em primeiro lugar, estamos cá preservando essa relação, trabalhando nela e mantendo-a. Evidentemente que depois há agendas específicas de cada momento do relacionamento. Do ponto de vista político nós não temos nenhuma alteração importante na relação com a ABAV. As mudanças dos órgãos dirigentes não determinaram nenhuma mudança no relacionamento entre as Associações. Apenas ficámos com alguns amigos ex-presidentes e com novos presidentes que serão com certeza futuros amigos.

 

PressTUR: Quais são os planos?

Pedro Costa Ferreira: Há com certeza sempre algo a trabalhar politicamente. Vou agora, depois desta conversa, ter um contacto que espero importante com a Braztoa, porque há certos aspectos da organização dos operadores brasileiros que devemos acompanhar e debater com os operadores portugueses. No Brasil, as instituições dos operadores e das agências baseiam-se em organizações diferentes. Não é o caso português, embora exista um pensamento específico de operadores na instituição APAVT através do seu capítulo. E é essa dinâmica entre o Capítulo dos Operadores e a Braztoa que esperamos dinamizar a partir deste encontro.

 

PressTUR: Com que objectivos?

Pedro Costa Ferreira: Há sempre realidades diferentes a acompanhar, por exemplo no que concerne à protecção do consumidor. E como nós estamos num momento absolutamente decisivo pela nova directiva que vem aí e sabemos que houve também desenvolvimentos do lado brasileiro na área da protecção, através de seguros ao consumidor, iremos, entre outros aspectos, acompanhar essa estrutura.

 

PressTUR: Como avalia a participação dos associados da APAVT na feira da ABAV?

Pedro Costa Ferreira: Eu não gosto de dizer aquilo que não vejo e parece razoavelmente óbvio que houve menor aposta física dos associados da APAVT e do trade em geral neste feira do que em anteriores. No Brasil hoje fala-se em saída de crise e quando se fala em saída de crise ainda não certa significa que se está em crise. Estando-se em crise, sobretudo a área de incoming acredito que tenha hoje menor expectativa relativamente a respostas de curto prazo e que essa menor expectativa tenha como consequência uma menor adesão a esta feira. Já relativamente ao outgoing, e aí não penso que haja menos operadores portugueses], penso que é lógico porque o destino Brasil, com crise ou não, não terá ficado menos atractivo por causa disso. Por outro lado, sabemos que os operadores têm eles próprios internacionalização pura e dura. Isto é, escritórios aqui e trabalho aqui. Esses operadores estão cá, mantiveram-se cá e não encontrei aí qualquer descida ou menor interesse em relação a anos anteriores.

 

O PressTUR participou na ABAV 2016 a convite da ABAV e da TAP

 

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