Centenas de portugueses arriscam perder centenas de milhares de euros pela greve de seguranças dos aeroportos

29-08-2016 (16h52)

Contam-se por centenas os cidadãos que no Sábado ficaram no Aeroporto de Lisboa enquanto o avião que os ia levar para as férias em que investiram centenas de euros levantava voo e agora, segundo fontes das agências de viagens ouvidas pelo PressTUR, estão à mercê da generosidade de fornecedores de voos e alojamento.

As fontes do PressTUR, que acusam a ANA de não ter acautelado os problemas no Aeroporto de Lisboa, falam de aviões que deveriam levar mais de centena e meia de passageiros e que descolaram com menos de 20, porque os passageiros estavam ‘presos’ nas filas para passarem a segurança.

Essas mesmas fontes explicaram que os aviões levantaram ainda assim porque de outra forma então nem esses poucos passageiros poderiam ter viajado nem os que se encontravam nos destinos a aguardar o regresso a Portugal.

A questão tem que ver com os tempos de trabalho e repouso dos tripulantes, que têm obrigatoriamente que ser cumpridos e que, por exemplo, impossibilitam grandes atrasos quando se trata de ligações na ordem das quatro horas e em que as tripulações que fazem a ida têm que fazer o regresso, como é o caso das ilhas de Cabo Verde.

Diferente foi, por exemplo, a situação do voo que seguia para Varadero, Cuba, e que deveria ter partido às 17h40, mas só partiu às 22h04, porque neste caso a tripulação não tem que fazer um voo de regresso imediatamente a seguir.

Ora, sabendo-se que é assim, as fontes ouvidas pelo PressTUR fazem fortes críticas à gestão do Aeroporto de Lisboa, salientando que não se verificaram problemas semelhantes em nenhum outros dos aeroportos portugueses.

“Claramente não tinham um plano B para evitar o caos que se verificou”, disse uma das fontes ouvidas pelo PressTUR, a qual também avançou que agora o que os operadores turísticos podem fazer é apelar para a compreensão dos fornecedores no sentido de minorar os prejuízos dos que ficaram em terra pela greve.

A questão é que, como explica um documento da APAVT aos associados a que o PressTUR teve acesso, está-se perante “uma situação de força maior pela qual a agência [de viagens vendedora do pacote de férias] não pode ser responsabilizada”.

O documento, datado de dia 27, dia da greve, acrescenta que “significa isto que, não serão as agências responsáveis pela alteração forçada ou eventual cancelamento das viagens agendadas para hoje e que tenham sido afectadas pela greve de hoje”.

“Todo e qualquer reembolso aos clientes estará sempre sujeito ao reembolso efectuado pelos respectivos fornecedores”, frisa a APAVT que também explicitamente recomenda aos seus associados que prestem “toda a assistência possível aos clientes que tenham voos agendados para hoje”.

O documento, aliás, começa por confirmar que a Associação “teve conhecimento que, devido à greve em causa, o embarque dos passageiros com voos agendados para hoje está a revelar-se muito complicado, com particular incidência para os passageiros com voos marcados para o Aeroporto de Lisboa, existindo, inclusive, várias situações em que os passageiros não conseguiram embarcar para os respectivos voos”.

A Associação já no Sábado tinha avançado com um comunicado à imprensa em que alertava que “a greve das empresas de segurança no aeroporto de Lisboa está a causar um caos sem precedentes nas operações turísticas, verificando-se voos a partirem sem a totalidade dos passageiros e outros mesmo sem bagagens”, e que “a situação a que se assiste hoje é bastante pior do que o pior cenário previsível” (para ler mais clique: Greve na segurança dos aeroportos provoca “caos sem precedentes nas operações turísticas”, APAVT).

 

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