CTP está “muito pessimista em relação ao aeroporto” de Lisboa – Francisco Calheiros

27-10-2018 (18h08)

O presidente da Confederação do Turismo de Portugal (CTP), Francisco Calheiros, disse hoje estar “muito pessimista” em relação à solução aeroportuária para Lisboa, considerando que o projecto do Montijo está “a resvalar para 2023” e ainda pode “complicar mais”.

“O aeroporto [de Lisboa] esgotou. É a nossa principal prioridade e as notícias que temos não são boas”, começou por dizer Francisco Calheiros, na convenção do grupo de agências de viagens Go4Travel, a decorrer este fim-de-semana no hotel Vila Galé, em Coimbra.

“Se tudo tivesse corrido bem teríamos o Montijo a funcionar em 2022. As coisas não correram bem, provavelmente já estamos a resvalar para 2023. E eu penso que as coisas ainda se vão complicar mais”, enfatizou o presidente da CTP, justificando a sua apreensão com o facto de ainda não estar fechado “o acordo com a Força Aérea”, resolvido o “impacto na sustentabilidade”, “as contrapartidas camarárias” e “o acordo com a Vinci”.

A Agência Lusa noticiou hoje que continua por entregar o “novo Estudo de Impacte Ambiental” do projecto do aeroporto do Montijo, três meses depois de ter encerrado, a pedido da ANA Aeroportos de Portugal, o primeiro processo de avaliação (clique para ler: “Novo Estudo de Impacte Ambiental” para o aeroporto do Montijo ainda está por entregar – APA).

O constrangimento da capacidade aeroportuária em Lisboa, assim como a falta de mão-de-obra, são entraves ao crescimento do sector do turismo em Portugal, de acordo com o presidente da CTP, Francisco Calheiros, que considera que “estamos numa fase de fim de ciclo”.

“Não era possível continuar a crescer como estavamos a crescer. Houve de facto um abrandamento este ano”, disse o presidente da CTP, sublinhando que, porém, “o que mais desceu foi o mercado inglês e foi muito compensado brasileiros, americanos, chineses, que são turistas mais interessantes para nós, porque têm maior estadia média e, sobretudo, gastam mais”.

Por outro lado, em dez anos, entre 2002 e 2012, “crescemos 15%”, e entre 2012 e 2017, em cinco anos, “crescemos 46%”, o triplo do crescimento em metade do tempo, acrescentou Francisco Calheiros, argumentando que manter este ritmo de crescimento “não é sustentável”.

 

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