Governo de Cabo Verde retira TACV dos voos inter-ilhas e aposta na Binter

24-05-2017 (15h49)

Privatização da companhia cabo-verdiana vai ser retomada

A companhia aérea estatal cabo-verdiana TACV cessa os voos inter-ilhas do arquipélago a partir de 1 de Agosto, de acordo com a decisão do Governo, que tem como alternativa a operação da subsidiária da Binter Canárias, na qual tenciona assumir 49% do capital.

Os TACV “outrora um orgulho do nosso povo e símbolo da nossa independência e integração nacional, transformou-se infelizmente, num poço de dívidas e de inoperância”, assim explicou ontem o ministro cabo-verdiano da Economia, José Gonçalves, a decisão do executivo.

De acordo com o governante, passando a ter o monopólio dos voos internos, a Binter Cabo Verde irá reforçar a sua operação e fazer uma parceria com os TACV, por forma a que estes possam ter conexões para as diferentes ilhas e, assim, “permitir à companhia de bandeira continuar a vender os bilhetes internacionais até ao seu destino aeroportuário final em Cabo Verde”.

O Governo cabo-verdiano, como anunciado pelo ministro José Gonçalves, decidiu ainda que “o segmento internacional da TACV-Cabo Verde Airlines também será reestruturado, estando em análise dois cenários com a participação de um parceiro estratégico forte, que deverá participar de forma significativa no capital e na configuração e gestão da empresa a relançar, no âmbito da privatização a ser definido futuramente pelo Governo, envolvendo a participação dos trabalhadores e de investidores emigrantes”.

O ministro cabo-verdiano justificou estas decisões dizendo que são a alternativa para evitar a falência da companhia aérea, que seria “a primeira hipótese”, mas que “traria ainda mais prejuízos ao Estado, aos credores, aos trabalhadores, que perderiam os seus empregos sem quaisquer garantias indemnizatórias, para além de manchar grandemente a imagem do País, sobretudo na área da aviação civil em que Cabo Verde se destaca como um dos países líderes no Continente Africano”.

Ainda assim, admitiu que “é natural que todo esse processo de reconfiguração implique a redução do quadro de funcionários que porventura sejam excedentários nesta fase de relançamento da TACV-Cabo Verde Airlines”.

Lisboa é a principal rota internacional dos TACV, com 646 chegadas e partidas em 2016 e 83.966 passageiros, representando um decréscimos de 15% em número de voos e de 5,8% em número de passageiros.

No primeiro quadrimestre deste ano, de acordo com dados a que o PressTUR teve acesso, os TACV fizeram 169 voos de/para Lisboa, reduzindo a sua operação face a 2016 em 26,8%, e tiveram um total de 26.216 passageiros, com um decréscimo em 1,4% face ao primeiro quadrimestre de 2016.

 

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