Ryanair aposta em mais falências de concorrentes e na recepção dos Boeing B737-MAX
Mas também vai reduzir capacidade e admite fechar mais bases
Custos de voo mais competitivos e aeroportos mais dispostos a baixar preços são duas das tendências com que a Ryanair conta para contrariar nos próximos tempos a descida de lucros que contabilizou no semestre terminado a 30 de Setembro em que o seu lucro, incluindo encargos de lançamento da Laudamotion, caiu 11% ou 141,8 milhões de euros, para 1.150,7 milhões.
O balanço publicado hoje pela companhia realça que vai receber os primeiros cinco novos Boeing B737-MAX a partir da próxima Primavera e conta receber entre Agosto e Março de 2020 42 unidades do que considera um avião revolucionário (gamechanger), podendo transportar +4% de passageiros gastando -16% de combustível e reduzindo o ruído em 40%.
Mais cedo, pelo que indica a sua análise, a Ryanair, que já
se considera líder mundial em custos, com 27 euros por passageiros, -40% do que
a companhia mais próxima, a Wizz Air, segundo a sua informação, antecipa ter
melhores condições da parte dos aeroportos que perspectiva estejam mais
ansiosos por contar com os seus voos.
A propiciar esse quadro está a perspectiva de que já faliram
Skyworks (Suíça), VLM (Bélgica), Small Planet & Azur Air (Alemanha), Cobalt
(Chipre) e Primera Air (Londres Stansted e Escandinávia) e mais falências virão
a ocorrer pela subida de custos com combustíveis, bem como, adicionalmente,
redução de rotas por parte de muitas das que se mantiverem (a TAP, por exemplo,
já cortou três rotas para Espanha).
Em sentido oposto, até porque garante já ter contratado
praticamente todo o combustível de que necessitará no próximo ano, a Ryanair
aponta o processo de desligamento do Reino Unido da União Europeia (Brexit),
que diz implicará que os seus accionistas britânicos sejam considerados não-UE
e, como tal, não poderão somar mais de 49% o capital.
Em função desses desenvolvimentos, a Ryanair, que no fim de
Setembro tinha uma frota de 450 aviões B737, 23 deles recebidos nos últimos
seis meses, conta terminar o exercício 2019, em Março do próximo ano, com um
lucro depois de impostos, sem contar cm o impacto da Laudamotion, entre 1,1 mil
milhões e 1,2 mil milhões de euros.
A companhia adianta que depois de uma queda da tarifa média
no semestre terminado a 30 de Setembro em 3% (primeiro semestre do exercício)
espera uma quebra em 2% na segunda metade, nomeadamente por ‘fraqueza’ dos
preços no trimestre Outubro a Novembro e porque o primeiro trimestre de 2019
não terá a Páscoa como este ano.
Assim, acrescenta, vai reduzir a capacidade em 1% no
Inverno, o que limitará a 6% o aumento de passageiros no exercício, para 138
milhões (141 milhões com a Laudamotion), mas ainda assim a sua factura de
combustíveus subirá 460 milhões de euros, além de esperar mais custos por
pagamento de indemnizações a passageiros ao abrigo do regulamento EU261.
Já para as receitas complementares (ancillaries) a previsão
da Ryanair é de que continuem a evoluir “fortemente”, se bem que sofrerão o
impacto contabilístico negativo do momento de reconhecimento.
Adicionalmente a companhia salienta que a sua previsão
“permanece fortemente dependente” da evolução dos preços, porque considera
haver “excesso de capacidade na Europa”, da evolução dos custos dos
combustíveis na parte para a qual ainda não tem hedging, “casos de segurança
imprevisíveis”, eventuais greves e Brexit.
A companhia “não pode descartar mais fechos de base ou
cortes de capacidade este Inverno se os preços de combustíveis subirem ou as
tarifas caírem mais”, acrescenta a informação, que assinala de seguida que a
evolução no Inverno “poderá ser positivamente influenciada pela taxa e timing
de outras falências de companhias aéreas” que já estão a disponibilizar uma
reserva pronta a utilizar no próximo Verão de pilotos e tripulantes de cabina.
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Ryanair lucrou menos 53,9 milhões de euros este Verão
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