Ryanair aposta em mais falências de concorrentes e na recepção dos Boeing B737-MAX

22-10-2018 (13h42)

Foto: Ryanair
Foto: Ryanair

Mas também vai reduzir capacidade e admite fechar mais bases

Custos de voo mais competitivos e aeroportos mais dispostos a baixar preços são duas das tendências com que a Ryanair conta para contrariar nos próximos tempos a descida de lucros que contabilizou no semestre terminado a 30 de Setembro em que o seu lucro, incluindo encargos de lançamento da Laudamotion, caiu 11% ou 141,8 milhões de euros, para 1.150,7 milhões.

O balanço publicado hoje pela companhia realça que vai receber os primeiros cinco novos Boeing B737-MAX a partir da próxima Primavera e conta receber entre Agosto e Março de 2020 42 unidades do que considera um avião revolucionário (gamechanger), podendo transportar +4% de passageiros gastando -16% de combustível e reduzindo o ruído em 40%.

Mais cedo, pelo que indica a sua análise, a Ryanair, que já se considera líder mundial em custos, com 27 euros por passageiros, -40% do que a companhia mais próxima, a Wizz Air, segundo a sua informação, antecipa ter melhores condições da parte dos aeroportos que perspectiva estejam mais ansiosos por contar com os seus voos.

A propiciar esse quadro está a perspectiva de que já faliram Skyworks (Suíça), VLM (Bélgica), Small Planet & Azur Air (Alemanha), Cobalt (Chipre) e Primera Air (Londres Stansted e Escandinávia) e mais falências virão a ocorrer pela subida de custos com combustíveis, bem como, adicionalmente, redução de rotas por parte de muitas das que se mantiverem (a TAP, por exemplo, já cortou três rotas para Espanha).

Em sentido oposto, até porque garante já ter contratado praticamente todo o combustível de que necessitará no próximo ano, a Ryanair aponta o processo de desligamento do Reino Unido da União Europeia (Brexit), que diz implicará que os seus accionistas britânicos sejam considerados não-UE e, como tal, não poderão somar mais de 49% o capital.

Em função desses desenvolvimentos, a Ryanair, que no fim de Setembro tinha uma frota de 450 aviões B737, 23 deles recebidos nos últimos seis meses, conta terminar o exercício 2019, em Março do próximo ano, com um lucro depois de impostos, sem contar cm o impacto da Laudamotion, entre 1,1 mil milhões e 1,2 mil milhões de euros.

A companhia adianta que depois de uma queda da tarifa média no semestre terminado a 30 de Setembro em 3% (primeiro semestre do exercício) espera uma quebra em 2% na segunda metade, nomeadamente por ‘fraqueza’ dos preços no trimestre Outubro a Novembro e porque o primeiro trimestre de 2019 não terá a Páscoa como este ano.

Assim, acrescenta, vai reduzir a capacidade em 1% no Inverno, o que limitará a 6% o aumento de passageiros no exercício, para 138 milhões (141 milhões com a Laudamotion), mas ainda assim a sua factura de combustíveus subirá 460 milhões de euros, além de esperar mais custos por pagamento de indemnizações a passageiros ao abrigo do regulamento EU261.

Já para as receitas complementares (ancillaries) a previsão da Ryanair é de que continuem a evoluir “fortemente”, se bem que sofrerão o impacto contabilístico negativo do momento de reconhecimento.

Adicionalmente a companhia salienta que a sua previsão “permanece fortemente dependente” da evolução dos preços, porque considera haver “excesso de capacidade na Europa”, da evolução dos custos dos combustíveis na parte para a qual ainda não tem hedging, “casos de segurança imprevisíveis”, eventuais greves e Brexit.

A companhia “não pode descartar mais fechos de base ou cortes de capacidade este Inverno se os preços de combustíveis subirem ou as tarifas caírem mais”, acrescenta a informação, que assinala de seguida que a evolução no Inverno “poderá ser positivamente influenciada pela taxa e timing de outras falências de companhias aéreas” que já estão a disponibilizar uma reserva pronta a utilizar no próximo Verão de pilotos e tripulantes de cabina.

 

Para ler mais clique:

Ryanair lucrou menos 53,9 milhões de euros este Verão

 

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