TAP decide no início de Março programação de voos deste Verão

21-02-2020 (15h29)

A TAP, que anunciou terá menos 1.500 slots em Lisboa no próximo Verão do que tinha solicitado, o que a vai obrigar a uma reorganização do programa de voos, irá decidir o novo programa a 6 de Março, revelou o seu CEO, Antonoaldo Neves.

O executivo informou que a TAP solicitou 9.079 slots (faixas horárias para aterragens e descolagens) no Aeroporto de Lisboa para este Verão, referindo tratar-se de um aumento em 12% relativamente à mesma época de 2019, embora seja conhecido que o Aeroporto trabalhou no limite de capacidade e ainda não teve obras de expansão.

Antonoaldo Neves disse ainda que à companhia foram atribuídos apenas 7.574 slots, o que corresponde a 83% do total solicitado, que a TAP já fez saber serem “1.500 voos a menos”, que alguns órgãos de comunicação identificaram como cancelamentos, sendo certo, porém, que todos os anos e em todos os aeroportos as companhias vêem ser-lhes atribuídos menos slots do que solicitam.

O CEO da TAP admitiu que a companhia tem ainda este Verão um aumento do número de slots em cerca de 5%.

O executivo argumentou ainda que as outras companhias que operam em Lisboa pediram 14.084 slots para este Verão, mais 23% do que em 2019, e concluiu que a TAP, que fez um aumento das solicitações em 12%, “pediu muito poucos slots”, por ter “consciência das restrições que existem aqui no aeroporto”.

“Não há espaço, não há investimento, isso é público”, afirmou, sublinhando que está “aqui há dois anos e nenhum investimento foi feito”.

A companhia aérea “está a exercer o seu dever público de avisar ao trade, aos hoteleiros e a todos que vai ter 1.500 voos a menos”, o que, embora corresponda apenas “a três dias de operação da TAP” significa “só na TAP, 150 mil turistas a menos no Verão” em Portugal, como se a TAP só transportasse turistas para Portugal e não o fizesse também de Portugal.

“A TAP fica indignada em não poder crescer. O nosso plano previa isso. Mas a gente tem formas de mitigar. E vai ser feito, diferentemente do que poderia ser”, prosseguiu Antonoaldo Neves, que não especificou.

“A TAP não tem os slots, cancela os voos, recoloca os passageiros e a vida segue. O que a gente não pode é perder tempo com isso aqui na TAP”, sublinhou o executivo, que foi quem iniciou a polémica, antes de anunciar que, “no dia 6 de Março, temos a reunião final sobre a decisão dos voos que a gente vai ajustar”.

“Os passageiros não vão nem perceber”, mas serão “menos turistas que chegam ao país”.

Com a falta de investimento no aeroporto de Lisboa, a TAP vai deixar de investir, ameaçou ainda Antonoaldo Neves, que dessa forma já entrou na gestão estratégica, na qual o Governo tem direito à palavra.

“A TAP tomou uma decisão. A TAP vai parar de crescer, porque a TAP não está mais disposta a investir contando que alguma coisa vai acontecer”, afirmou Antonoaldo Neves.

O CEO da transportadora aérea garantiu que só quando tiver “confiança nos prazos do investimento” no aeroporto de Lisboa é que volta a investir.

“Como é que eu posso fazer o meu próximo planeamento estratégico se eu não sei se vou ter os slots?”, argumentou Antonoaldo Neves, que assim também confirmou estar a anunciar decisões estratégicas.

No ano passado, acrescentou o executivo, a companhia teve 35 dias de operação limitada por causa do nevoeiro e 129 dias devido à realização de exercícios militares nas imediações do aeroporto da Portela, em Lisboa.

Também presente na conferência de imprensa, Ramiro Sequeira, Chief Operating Officer (COO), destacou que a TAP investiu 500 mil euros num estudo em 2018 que sugere quatro soluções para o aeroporto de Lisboa, que passam pela melhoria da coordenação do espaço aéreo nas componentes militar e civil, introdução de duas saídas rápidas, uma para cada pista, prolongamento da taxiway para o limite da pista 21 e construção de 10 a 15 stands de estacionamento.

Raffael Quintas, Chief Financial Officer (CFO), por sua vez, destacou que um dos principais desafios na gestão de custos da companhia são os gastos “por conta dos atrasos, por conta dos constrangimentos da infra-estrutura aeroportuária aqui no aeroporto de Lisboa”.

 

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