TAP também deu prémios em ano de prejuízos quando era 100% pública, Antonoaldo Neves

19-07-2019 (11h05)

O presidente executivo da TAP, Antonoaldo Neves, disse que os prémios atribuídos aos quadros da companhia estão relacionados com a melhoria de indicadores e que não é a primeira vez que a companhia paga prémios em ano de prejuízos, incluindo quando era totalmente pública.

“[O pagamento de prémios] foi feito com base num processo claro, alinhado com as melhores práticas, e não é primeira vez que uma empresa ou a própria TAP paga prémios em anos de prejuízos”, afirmou Antonoaldo Neves ontem no parlamento, acrescentando que isso aconteceu no passado quando a empresa era 100% detida pelo Estado.

Em audição na comissão de Economia, Inovação e Obras Públicas, o gestor considerou que uma empresa pode pagar prémios se houver melhoria do desempenho, mesmo com resultados negativos.

O grupo TAP registou, em 2018, um prejuízo de 118 milhões de euros, valor que compara com um lucro de 21,2 milhões de euros registado no ano anterior.

No início de Junho a agência Lusa noticiou que, junto com os salários de Maio, a TAP pagou prémios de 1,171 milhões de euros a 180 pessoas, incluindo dois de 110 mil euros atribuídos a dois quadros superiores. Os prémios oscilaram entre pouco mais de mil euros e 110 mil euros.

Dois dias depois, a Comissão Executiva da TAP justificou a atribuição destes prémios com o “programa de mérito” implementado pela companhia, que diz ter sido “fundamental” para os resultados atingidos em 2018.

O Governo, através do Ministério das Infraestruturas e da Habitação, considerou então que a atribuição de prémios constituía "uma quebra da relação de confiança entre a Comissão Executiva e o maior accionista da TAP, o Estado português”.

O Ministério afirmou que “discorda da política de atribuição de prémios, num ano de prejuízos, a um grupo restrito de trabalhadores e sem ter sido dado conhecimento prévio ao Conselho de Administração da TAP da atribuição dos prémios e dos critérios subjacentes a essa atribuição”.

A Comissão Executiva da TAP afirmou que respeitou “os deveres de informação ao Conselho de Administração” e que apenas atribuiu prémios referentes aos “resultados da área” e “resultados individuais”, sem atribuir prémios relativos aos resultados da empresa em 2018.

Já em 27 de Junho, o ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos, voltou ao tema em entrevista à SIC, referindo que "infelizmente não está no âmbito dos poderes do Estado" demitir a comissão executiva da TAP e reafirmou que a relação de confiança saiu fragilizada com atribuição de prémios sem conhecimento do maior acionista.

Em 2 de Julho, no parlamento, o mesmo governante afirmou que continua “indignado” com os prémios pagos pela TAP e considerou que ainda “há muito, mesmo muito trabalho a fazer na TAP”, a propósito da criação de uma comissão de recursos humanos na TAP para acompanhar a atribuição de prémios aos trabalhadores.

 

Prémios para todos os trabalhadores

Ainda na audição de ontem, o presidente executivo da TAP disse que está disponível para estender a atribuição de prémios a todos os trabalhadores e que isso mesmo foi proposto aos sindicatos aquando dos últimos acordos laborais.

“Continuamos abertos a programas de prémios de produtividade para todos os trabalhadores e aguardamos propostas. É uma coisa em que nós acreditamos muito, de que o programa de prémios por performance deve ser extensivo a todos trabalhadores”, afirmou Antonoaldo Neves.

Antonoaldo Neves disse ainda que “a comissão executiva [a que preside] não solicitou prémios para ninguém”.

O gestor afirmou também que pode vir a acontecer a TAP não dar prémios num ano em que tenha lucros, justificando que esses prémios “estão associados a contribuições individuais de produtividade”.

O Estado português é dono de 50% da TAP, o consórcio privado Atlantic Gateway (de Humberto Pedrosa e David Neeleman) tem 45% e os restantes 5% do capital estão nas mãos dos trabalhadores.

(PressTUR com Agência Lusa)

 

Clique para ver mais: Aviação

Clique para ver mais: TAP

Clique para ver mais: Portugal

Share
Tweet
+1
Share
Comentários
Escrever comentário

Outras Notícias

Finnair prevê ocupação acima de 90% nos voos Helsínquia-Porto em 2020

12-12-2019 (11h12)

A Finnair, que irá voar entre o Porto e Helsínquia em 2020 mais cerca de quatro meses que em 2019, prevê ter uma ocupação média acima de 90% nesses voos, disse ao PressTUR o director-geral da companhia para o Sul da Europa, Javier Roig.

Volotea programa voos de Bordéus para Faro no próximo Verão

12-12-2019 (10h30)

A companhia de aviação espanhola Volotea tem programado realizar voos entre Bordéus e Faro de 9 de Abril até 4 de Outubro, duas vezes por semana.

LAM inicia voos directos da Beira para quatro províncias

11-12-2019 (19h15)

A companhia de aviação estatal moçambicana Linhas Aéreas de Moçambique (LAM) anunciou hoje que a partir de Domingo terá voos directos da cidade da Beira para quatro destinos domésticos: Pemba, Nampula, Tete e Lichinga.


GOL anuncia saída da Delta do seu capital

11-12-2019 (19h09)

A companhia de aviação norte-americana Delta Air Lines já concretizou a saída do capital da brasileira GOL, ‘inevitável’ depois que subitamente apostou 1,9 mil milhões de dólares na rival LATAM.

Air Transat programa 16 voos por semana para Portugal na época alta 2020

11-12-2019 (19h05)

A companhia de aviação Air Transat indicou que tem programado fazer 16 voos directos por semana para Portugal, de Montreal e Toronto, incluindo “um novo voo para Faro”.

Noticias mais lidas