Mercado dos portugueses ‘salva’ hotelaria face a quebra do turismo internacional em 2018

14-02-2019 (14h28)

Gráfico: INE
Gráfico: INE

A hotelaria portuguesa terminou o ano de 2018 com uma quebra das dormidas inferior a 0,1% (-0,04%), apesar de menos 821 mil pernoitas de turistas estrangeiros (-2%), pelo crescimento do mercado dos residentes em Portugal, do qual teve um aumento de 798,5 mil pernoitas (+5%), indicam os dados do INE divulgados hoje.

A informação do Instituto indica que no ano passado os estabelecimentos de alojamento turístico português, incluindo hotéis, hotéis-apartamentos, pousadas, apartamentos turísticos, aldeamentos turísticos e "outros alojamentos" (pensões, motéis, estalagens e quintas da Madeira, com dez ou mais camas, somaram 57,6 milhões de dormidas, menos 22,6 mil que no ano de 2017, que assim se mantém o melhor ano de sempre.

Esta quebra, inferior à que tinha sido antecipada pela CTP, que em princípios de Dezembro avançou que "tudo indica que iremos fechar 2018 com cerca de 57 milhões de dormidas e 21 milhões de hóspedes" (para ler mais clique: CTP perspectiva queda de dormidas na hotelaria este ano), ainda que mínima, foi a primeira desde 2009, ano em que em plena crise económico-financeira mundial, a hotelaria portuguesa teve -7,1% de dormidas que em 2008.

Os dados do INE mostram que a quebra se deveu aos mercados internacionais e concentrou-se nas regiões Centro, Algarve, Açores e Madeira.

Os dados do INE permitiram concluir que a quebra de 821 mil dormidas de turistas estrangeiros foi com menos 591 no Algarve (-3,9%), menos 318 mil no Centro (-11,4%), menos 250 mil na Madeira (-3,7%) e menos 30 mil nos Açores (-2,9%).

Apesar da tendência de quebra dos mercados internacionais, os estabelecimentos da região Porto e Norte tiveram mais 255 mil dormidas de turistas residentes no estrangeiro (+6%), em Lisboa houve um aumento de 64 mil (+0,6%) e no Alentejo foram mais 49 mil (+7,7%).

A hotelaria do Algarve manteve-se, no entanto, a que tem mais dormidas de turistas residentes no estrangeiro, com 14,44 milhões, que representam 35,3% do total do país, seguida por Lisboa, com 11,3 milhões (27,6% do total), Madeira, com 6,45 milhões (15,8% do total), Porto e Norte, com 4,54 milhões (11,1% do total), Centro, com 2,47 milhões (6,1% do total), Açores, com um milhão (2,5% do total), e Alentejo com 683,7 mil (1,7% do total).

Globalmente, as dormidas de residentes no estrangeiro representaram no ano passado 71% das pernoitas totais nos estabelecimentos de alojamento turístico portugueses, atingindo 81,9% na Madeira, 78% em Lisboa, 76,7% no Algarve, 57,7% no Porto e Norte, 56,3% nos Açores, 44,9% no Centro e 36,7% no Alentejo.

Apesar do ‘peso' que o turismo internacional tem no Algarve, a região é também líder em dormidas de residentes em Portugal, com 4,3 milhões em 2018 (26,2% do total de pernoitas de residentes no país), seguida pelo Porto e Norte, com 3,32 milhões (19,9% do total), Lisboa, com 3,19 milhões (19,1% do total), Centro com três milhões (18,2% do total), Alentejo, com 1,18 milhões (7,1% do total), Madeira, com 788 mil (4,7% do total), e Açores, com 782 mil (4,7% do total).

O aumento de 798 mil dormidas de residentes em Portugal ocorrido em 2018 foi com mais 396 mil no Algarve (+9,9%), mais 148 mil no Centro (+5,1%), mais 132 mil no Porto e Norte (+4,1%), mais 90 mil em Lisboa (+2,9%), mais 31 mil nos Açores (+4,2%) e mais 15 mil no Alentejo (+1,3%), enquanto a Madeira foi a única região a registar quebra, com menos 14 mil que em 2017 (-1,8%).

A Madeira foi, assim, a região que registou a maior quebra de dormidas em 2018, em 3,5% ou 264 mil, para 7,23 milhões.

A segunda maior quebra em valor absoluto ocorreu no Algarve com menos 195,5 mil (-1%, para 18,82 milhões), seguindo-se menos 170 mil no Centro (-3%, para 5,52 milhões).

Nas restantes regiões houve aumentos de dormidas, a começar pelo Porto e Norte, com mais 387 mil que em 2017 (+5,2%, para 7,87 milhões), seguindo-se Lisboa, com mais 154 mil (+1,1%, para 14,49 milhões), Alentejo, com mais 64 mil (+3,6%, para 1,86 milhões) e Açores, com mais cerca de 1,9 mil (+0,1%, para 1,79 milhões).

O Algarve manteve-se ainda assim a região líder em número de dormidas de residentes em Portugal e no estrangeiro em 2018, com 32,7% do total, seguido por Lisboa com 25,2%, Porto e Norte com 13,7%, Madeira com 12,6%, Centro com 9,6%, Alentejo com 3,2% e Açores com 3,1%.

 

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