Açores respondem à crise em Portugal com reposicionamento e resposta integrada

06-06-2013 (17h15)

Vítor Fraga, secretário Regional de Turismo dos Açores (2)

Os Açores, que têm sido o destino turístico que mais tem investido em promoção no Continente, seguem uma estratégia de reposicionamento dos segmentos a que se dirigem, ditado pelos efeitos da crise, como, também, para divulgação do que o secretário Regional de Turismo, Vítor Fraga, apresenta como “uma oferta totalmente integrada”.


PressTUR: Os Açores têm estado a fazer um grande investimento em promoção no continente. Porquê? E é para continuar? Em que moldes?
Vítor Fraga: A promoção é efectivamente uma tarefa continua junto dos mercados e o mercado nacional vale para nós 43% do global, pelo que é um mercado muito importante em termos de canalização de fluxos para a região. Mas dadas as circunstâncias que o País atravessa, nomeadamente a política recessiva imposta às famílias, estas deixaram de ter possibilidade de viajar e de gozar férias nos Açores, principalmente as do segmento de mercado que tradicionalmente nos visitava. Houve aqui, portanto, a necessidade de nos reposicionarmos e de redireccionarmos os nossos esforços com um segmento de mercado que ainda tem poder de compra e capacidade para nos ir visitar e que valoriza sobremaneira aquilo que nós temos para oferecer, designadamente o turismo de natureza, muito assente numa componente experiencial e que tem possibilidade de proporcionar boas emoções a quem nos visita.

PressTUR: Como caracteriza esse segmento de mercado?
Vítor Fraga: Está centrado nas famílias com entre os 35-45 anos, com dois filhos, quadros médios superiores de empresas.

PressTUR: E o outro segmento que antes vos visitava?
Vítor Fraga: São famílias da classe média, média/baixa, que foram muito afectadas com os cortes impostos pelas sucessivas leis de Orçamento de Estado e que levam as pessoas a não terem dinheiro, muitas delas para comer, quanto mais para viajar.

PressTUR: E o que é que em sua opinião os Açores têm para oferecer a esse segmento de público para o qual estão a dirigir prioritariamente os investimentos de promoção?
Vítor Fraga: Há uma componente muito forte ao nível das experiências nos produtos turísticos que nós temos. Desde o whale watching, que os Açores são só considerados um dos cinco melhores locais do mundo para a prática do whale watching, ao mergulho, aos trilhos pedestres, à própria gastronomia. Nós temos um conjunto de produtos que se adaptam perfeitamente às necessidades e à procura deste segmento de mercado.
E é evidente que não é pelo preço que nós queremos ir. Agora é necessário criar algo que seja apelativo e que faça com que as pessoas nos visitem. E também temos que criar claramente no mercado, e principalmente no mercado nacional, o conceito de que os Açores são um destino de famílias, tem condições de excelência para famílias. Isso é um trabalho concertado entre o Governo dos Açores e todas as entidades públicas e privadas que estão na esfera do sector na Região. Eu posso dizer-vos que pela primeira vez este ano nós conseguimos criar uma oferta totalmente integrada que vai desde a hotelaria às empresas de animação turística, aos centros interpretativos que nós temos espalhados pela região e aos próprios museus. O próprio Turismo dos Açores desenvolveu um programa para as unidades hoteleiras criarem espaços específicos para as crianças ocuparem os tempos mortos durante a sua permanência nos Açores.
Portanto, houve aqui uma integração completa de todos os intervenientes no sector e uma aposta muito clara, muito direccionada, muito objectiva para este segmento. Há claramente a necessidade de captarmos para a região fluxos com poder de compra que deixem mais-valia na região e o nosso entendimento enquanto destino é que o destino tem que ser bom para todos, para quem nos visita como para aqueles nele vivem.

Continua em:
Promoção dos Açores...veio para ficar
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