Governo da República “fez questão de ignorar” contributos dos Açores para o PENT

06-06-2013 (12h14)

Secretário de Turismo dos Açores ‘parte a loiça’ e acusa:

O secretário Regional de Turismo dos Açores, Vítor Fraga, deixou vincado ontem não só o desacordo com o PENT - Plano Estratégico Nacional de Turismo, como que a Região se considera deliberadamente ‘ignorada’ na definição da estratégia.




“O Governo da República fez questão de ignorar praticamente a totalidade dos nossos contributos, não justificando o porquê dessa atitude”, acusou Vítor Fraga ao intervir na apresentação do tema e logótipo do XXXIX Congresso da APAVT, que se vai realizar de 4 a 8 de Dezembro em Angra do Heroísmo, ao fim da tarde de ontem no Hotel Açores Lisboa.
Antes, Vítor Fraga tinha afirmado que “se às vezes se erra por desconhecimento ou ignorância, outras há em que é por manifesta incompetência ou mesmo má-fé”.
Vítor Fraga não esclareceu no discurso em qual das situações classificava o processo de elaboração do PENT, aprovado em Conselho de Ministros a 27 de Março, mas deixou vincado que a Região teve a iniciativa de apresentar os seus contributos para o Plano, até “para corrigir erros primários como a caracterização dos diversos produtos, ou mesmo a classificação dos mercados emissores”.
Tal não aconteceu e ontem Vítor Fraga caracterizou o PENT como “documento totalmente inútil no que aos Açores diz respeito”
Responsáveis turísticos dos Açores indicaram ontem ao PressTUR que em matéria de classificação de mercados emissores uma das situações que consideram ‘gritante’ é o PENT classificar o mercado interno (Continente) como mercado de diversificação, quando para os Açores representa 43% das dormidas e é absolutamente estratégico.
Outros exemplos apontados, todos de emissores que os Açores consideram estratégicos, são Estados Unidos, Bélgica e Canadá, também classificados como mercados de diversificação, e a Holanda, classificada como mercado em desenvolvimento.
“Nos Açores não trabalhamos assim” e “nos Açores não deixamos ninguém para trás”, sublinhou Vítor Fraga depois de ter evidenciado que considera que os contributos da Região para o PENT ‘caíram em saco roto’, contrapondo que nos Açores a opção é por “um caminho de colaboração efectiva e permanente entre todos os intervenientes no sector, aproveitando os contributos e o saber daqueles que têm um conhecimento profundo sobre os assuntos em discussão”.
Em 2012, de acordo com os dados do INE, a hotelaria dos Açores teve um total de 955.495 dormidas, 42,9% ou 409.844 de hóspedes residentes em Portugal e 57,1% ou 545.651 de residentes no estrangeiro.
Os seus principais mercados internacionais foram a Alemanha, com 119.557 dormidas, Escandinávia (Dinamarca, Finlândia, Noruega e Suécia), com 111.854, Espanha, com 60.774, Holanda, com 57.999, Estados Unidos, com 36.219, Reino Unido, com 26.991, França, com 20.848, Bélgica, com 20.190, Canadá, com 19.132, e Itália, com 16.439.
Os outros mercados não especificados somaram 55.648.
Assim, a Alemanha foi a origem de 12,5% das dormidas totais na hotelaria dos Açores, a Escandinávia representou 11,7%, Espanha, 6,4%, Holanda, 6,1%, EUA, 3,8%, Reino Unido, 2,8%, França, 2,2%, Bélgica, 2,1%, Canadá, 2%, Itália, 1,7%, e os mercados não especificados, 5,8%.
Relativamente a 2011, a hotelaria dos Açores teve no ano passado uma queda das dormidas em 7,5%, com decréscimos de 14,4% dos residentes em Portugal e de 1,7% dos estrangeiros.
Entre os mercados internacionais, cresceram a Alemanha, em 34,2%, Bélgica, em 241,5%, Canadá, em 4,7%, Espanha, em 29,4%, EUA, em 20,3%, França, em 20,9%, Holanda, em 4,5%, Itália, em 9%, e o conjunto dos mercados não especificados, em 10,8%, e baixaram Escandinávia (relacionado com a falência de um operador finlandês que tinha realizado charters para os Açores nos anos anteriores), em 43,1%, e Reino Unido, em 9,4%.


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