Brexit para o turismo português afinal vem da Alemanha

18-07-2019 (15h21)

O mercado que mais está a penalizar o turismo português nestes primeiros cinco meses de 2019 é a Alemanha, e não o Reino Unido, como se esperava devido ao Brexit, mostram os dados do Banco de Portugal e do INE.

A informação do banco central divulgada ontem indica que os gastos de turistas alemães em Portugal baixaram 23,42 milhões de euros nos primeiros cinco meses deste ano, o que é a maior quebra do período em valor, embora seja pouco expressiva em percentagem, situando-se em 3,5%.

A Alemanha manteve-se, portanto, o 4º maior emissor para Portugal em receitas turísticas, com 637,36 milhões de euros de Janeiro a Maio, inclusive.

A evolução em baixa dos gastos em Portugal de turistas residentes na Alemanha acompanha a tendência que emerge dos dados do INE sobre dormidas no alojamento turístico português, em que a Alemanha é o mercado com a maior quebra, com menos quase 172 mil pernoitas (-7,3%, para 2,188 milhões), mantendo-se ainda assim o segundo maior emissor em número de dormidas.

Já o Reino Unido, apesar das incertezas relativas ao Brexit, conta cada vez mais para o turismo português, sobretudo em receitas turísticas.

Os turistas residentes no Reino Unido, que se suspeitavam fossem ‘um problema’ este ano para o turismo português pelas incertezas quanto ao que será o Brexit, afinal de contas até estão com aumentos de gastos em Portugal acima do aumento médio dos mercados internacionais e reforçam a liderança, nomeadamente na comparação com franceses e alemães.

Os dados publicados ontem pelo Banco de Portugal permitem calcular que os gastos de turistas britânicos em Portugal elevaram-se a 955,52 milhões de euros nos primeiros cinco meses deste ano, tendo representado 16,5% do total de gastos de turistas estrangeiros, +0,15 pontos que há um ano.

A informação permite concluir que nestes cinco meses os gastos de turistas residentes no Reino Unidos subiram 6,8% ou 61,05 milhões de euros, quando o aumento médio dos gastos de turistas estrangeiros em Portugal foi de 5,9% (mais 321,79 milhões, para 5.790,61 milhões) e se se considerarem apenas os turistas residentes em países europeus, o aumento médio ficou em apenas  3,7% (mais 160,29 milhões, para 4.550,98 milhões).

Essa evolução mais fraca do conjunto dos emissores europeus, com o que é possível avaliar dos dados divulgados pelo banco central, os quais incluem apenas dez países europeus, deve-se à queda expressiva de gastos de alemães (menos 23,4 milhões de euros), mas também a quebras por parte de turistas residentes em França (menos 3,57 milhões) e na Suíça (menos 3,44 milhões) e crescimentos inferiores à media da parte dos residentes na Holanda (+1,2%, para 234,61 milhões), Luxemburgo (+5,1%, para 75,07 milhões) e Bélgica (+5,4%, para 158,49 milhões).

Assim, Reino Unido (16,5% do total de gastos turísticos em Portugal), França (14,5%, -0,9 pontos), Espanha (13%, +0,4 pontos), e Alemanha (11%, -1,1 pontos) foram a origem de 55% das receitas turísticas portuguesas nos primeiros cinco meses deste ano, menos 1,5 pontos que no período homólogo de 2018.

Já os turistas residentes no continente americano subiram 1,5 pontos a sua participação nas receitas turísticas portuguesas, atingindo 14,5%, com os residentes nos Estados Unidos a aumentarem a sua participação em um ponto, para 6,1%, e os residentes no Brasil a subirem 0,3 pontos, para 4,9%.

 

Para ler mais clique:

Crescimento das receitas turísticas portuguesas foi o mais fraco de um mês de Maio desde 2009

Alemães e franceses penalizam evolução das receitas turísticas em Maio

 

Clique para mais notícias: Balança portuguesa das Viagens e Turismo

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