Portugal ‘descola’ do crescimento mundial do turismo

29-11-2018 (16h53)

As chegadas de turistas internacionais cresceram 5% a nível mundial nos primeiros nove meses deste ano, segundo a OMT, que indica aumentos de 5,6% na Europa e 6,8% na Europa do Sul e Mediterrâneo, onde inclui Portugal, que teve uma quase estagnação do número de turistas estrangeiros na hotelaria.

Os dados da OMT não são directamente comparáveis com os do INE de Portugal, pois a agência das Nações Unidas refere-se a chegadas de turistas internacionais, enquanto em Portugal os dados utilizados pelas instituições governamentais são turistas alojados na hotelaria (incluindo hotéis, hotéis-apartamentos, pousadas, apartamentos turísticos, aldeamentos turísticos e “outros alojamentos”).

Mas esta situação não é deste ano, já se verificara no passado, se bem que se tenha que admitir que uma das tendências é o crescimento mais forte do alojamento local, que não vem reflectido na estatísticas oficiais do turismo, ao contrário do que acontece em outros países, incluindo a vizinha Espanha.

Esse desfasamento pode ser uma das explicações para uma quebra das chegadas de turistas britânicos à hotelaria portuguesa (-7,7% nos primeiros nove meses) que não ‘derruba’ os gastos de turistas britânicos em Portugal, os quais, no mesmo período, crescem 9%.

O que é facto e é já admitido por dirigentes do turismo é que Portugal vive um abrandamento do turismo internacional, que tem sido explicado, por um lado, pelo impacto do Brexit no Reino Unido, bem como, por outro, com o ‘ressurgimento’ de destinos concorrentes no Mediterrâneo, como a Turquia e a Tunísia.

A análise da OMT, que calcula que em Setembro foram ultrapassados os mil milhões de chegadas de turistas internacionais este ano (1,083 milhões) no mundo, com um aumento de 56 milhões em relação ao período homólogo de 2017, é de que até Setembro se verifica um continuado crescimento forte da procura internacional, “num contexto económico favorável”.

A OMT diz mesmo que “todas as regiões mundiais beneficiaram de crescimento robusto do turismo internacional nos primeiros nove meses deste ano, estimulado por uma procura sólida dos maiores mercados emissores”.

A agência das Nações Unidas para o turismo assinala que, no entanto, no terceiro trimestre ocorreu um ritmo de crescimento “comparativamente mais lento” que nos primeiros meses deste ano, mas que ainda assim os resultados estão em linha com as suas previsões de crescimento entre 4% e 5%.

Tal como em Portugal, também a nível mundial se verifica um aumento mais forte dos gastos de turistas internacionais do que das chegadas, “com especialmente fortes resultados nos destinos da Ásia e da Europa”.

Essa tendência, que da parte das instituições governamentais portuguesas tem sido explicada por uma alegada conquista de “melhores turistas”, leva a aumentos até superiores em destinos como o Reino Unido, com +12%, “apesar de um decréscimo nas chegadas”.

Além do Reino Unido, a OMT especificou ainda os casos da Austrália, com uma subida em 11%, França, com +8%, Itália, com +6%, “ambos em linha com as chegadas”, enquanto para os Estados Unidos, Espanha e Alemanha a OMT aponta aumentos em 3%.

Em Portugal, o crescimento está em 11,4% ou 1.317,51 milhões de euros, para 12.887,33 milhões de euros, de acordo com dados do Banco de Portugal consultados pelo PressTUR, mas no terceiro trimestre o crescimento abrandou para 8,7% ou 476,84 milhões, para 5.985,58 milhões.

Portugal superou assim a média de aumento das receitas turísticas na Europa, mas ficou aquém de casos assinalados pela OMT, como a China, com +21%, Macau, com +20%, e Japão, com +19%.

Já quanto aos emissores, a OMT aponta os casos da Rússia, com um aumento dos gastos dos seus residentes em 15%, que diz ter sido “o maior aumento” dos grandes emissores, em recuperação depois de anos de decréscimo.

Além da Rússia, a OMT destaca o aumento de gastos dos turistas residentes no Reino Unido em 10%, assinalando que esse aumento ocorrer “apesar da libra fraca em relação ao euro e ao dólar”.

Outro caso especificado é o de França, com um aumento em 10%, “depois de alguns anos” de estagnação.

Para os Estados Unidos, maior emissor mundial em montante de gastos, a OMT indica um aumento em 7% nos primeiros nove meses deste ano, “em linha com o desempenho em anos recentes”, e para a China, líder mundial em número de viajantes internacionais, a OMT indica até se verificou uma “pequena queda” dos gastos dos seus residentes nos primeiros seis meses deste ano, apontando como causa a desvalorização da moeda.

 

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