Portugal ‘descola’ do crescimento mundial do turismo
As chegadas de turistas internacionais cresceram 5% a nível mundial nos primeiros nove meses deste ano, segundo a OMT, que indica aumentos de 5,6% na Europa e 6,8% na Europa do Sul e Mediterrâneo, onde inclui Portugal, que teve uma quase estagnação do número de turistas estrangeiros na hotelaria.
Os dados da OMT não são directamente comparáveis com os do INE de Portugal, pois a agência das Nações Unidas refere-se a chegadas de turistas internacionais, enquanto em Portugal os dados utilizados pelas instituições governamentais são turistas alojados na hotelaria (incluindo hotéis, hotéis-apartamentos, pousadas, apartamentos turísticos, aldeamentos turísticos e “outros alojamentos”).
Mas esta situação não é deste ano, já se verificara no
passado, se bem que se tenha que admitir que uma das tendências é o crescimento
mais forte do alojamento local, que não vem reflectido na estatísticas oficiais
do turismo, ao contrário do que acontece em outros países, incluindo a vizinha
Espanha.
Esse desfasamento pode ser uma das explicações para uma
quebra das chegadas de turistas britânicos à hotelaria portuguesa (-7,7% nos
primeiros nove meses) que não ‘derruba’ os gastos de turistas britânicos em
Portugal, os quais, no mesmo período, crescem 9%.
O que é facto e é já admitido por dirigentes do turismo é
que Portugal vive um abrandamento do turismo internacional, que tem sido
explicado, por um lado, pelo impacto do Brexit no Reino Unido, bem como, por
outro, com o ‘ressurgimento’ de destinos concorrentes no Mediterrâneo, como a
Turquia e a Tunísia.
A análise da OMT, que calcula que em Setembro foram
ultrapassados os mil milhões de chegadas de turistas internacionais este ano
(1,083 milhões) no mundo, com um aumento de 56 milhões em relação ao período
homólogo de 2017, é de que até Setembro se verifica um continuado crescimento
forte da procura internacional, “num contexto económico favorável”.
A OMT diz mesmo que “todas as regiões mundiais beneficiaram
de crescimento robusto do turismo internacional nos primeiros nove meses deste
ano, estimulado por uma procura sólida dos maiores mercados emissores”.
A agência das Nações Unidas para o turismo assinala que, no
entanto, no terceiro trimestre ocorreu um ritmo de crescimento “comparativamente
mais lento” que nos primeiros meses deste ano, mas que ainda assim os
resultados estão em linha com as suas previsões de crescimento entre 4% e 5%.
Tal como em Portugal, também a nível mundial se verifica um
aumento mais forte dos gastos de turistas internacionais do que das chegadas,
“com especialmente fortes resultados nos destinos da Ásia e da Europa”.
Essa tendência, que da parte das instituições governamentais
portuguesas tem sido explicada por uma alegada conquista de “melhores turistas”,
leva a aumentos até superiores em destinos como o Reino Unido, com +12%,
“apesar de um decréscimo nas chegadas”.
Além do Reino Unido, a OMT especificou ainda os casos da
Austrália, com uma subida em 11%, França, com +8%, Itália, com +6%, “ambos em
linha com as chegadas”, enquanto para os Estados Unidos, Espanha e Alemanha a
OMT aponta aumentos em 3%.
Em Portugal, o crescimento está em 11,4% ou 1.317,51 milhões
de euros, para 12.887,33 milhões de euros, de acordo com dados do Banco de
Portugal consultados pelo PressTUR, mas no terceiro trimestre o crescimento
abrandou para 8,7% ou 476,84 milhões, para 5.985,58 milhões.
Portugal superou assim a média de aumento das receitas
turísticas na Europa, mas ficou aquém de casos assinalados pela OMT, como a
China, com +21%, Macau, com +20%, e Japão, com +19%.
Já quanto aos emissores, a OMT aponta os casos da Rússia,
com um aumento dos gastos dos seus residentes em 15%, que diz ter sido “o maior
aumento” dos grandes emissores, em recuperação depois de anos de decréscimo.
Além da Rússia, a OMT destaca o aumento de gastos dos
turistas residentes no Reino Unido em 10%, assinalando que esse aumento ocorrer
“apesar da libra fraca em relação ao euro e ao dólar”.
Outro caso especificado é o de França, com um aumento em
10%, “depois de alguns anos” de estagnação.
Para os Estados Unidos, maior emissor mundial em montante de
gastos, a OMT indica um aumento em 7% nos primeiros nove meses deste ano, “em
linha com o desempenho em anos recentes”, e para a China, líder mundial em
número de viajantes internacionais, a OMT indica até se verificou uma “pequena
queda” dos gastos dos seus residentes nos primeiros seis meses deste ano,
apontando como causa a desvalorização da moeda.
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