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| “Estamos em auto-gestão”, diz chefe de loja |
Pessoal em debandada e lojas a fecharem é o quadro que traçam trabalhadores da Marsans |
Presstur 24-07-2010 (11h33)
Grande parte do pessoal que ainda está na Marsans já comunicou à
empresa a cessação da prestação de trabalho, por falta de pagamento, o
que obrigará ao fecho de lojas, disseram ao PressTUR fontes da empresa,
que exemplificaram que ontem mesmo comunicaram o encerramento as lojas
da Figueira e de Gondomar.
De acordo com essas fontes, esses trabalhadores seguiram a recomendação da Autoridade para as Condições de Trabalho de comunicarem à empresa a suspensão da prestação de trabalho, por não pagamento de salários, e em caso de não resposta por parte da Marsans ausentarem-se das lojas sem perderem os seus direitos. As fontes referiram que essa forma vão fechar lojas, porque em várias delas já só resta uma pessoa, e deram como exemplo as da Figueira e de Gondomar, que, curiosamente, é a agência com a qual ocorreu o caso da cliente cuja reclamação foi apreciada pela Comissão Arbitral (clique para ler: Cliente da Marsans fica sem viagem menos de 24 horas depois de pagar 1.465 euros). Mas, dizem as fontes do PressTUR, o fecho de lojas nem começa aqui, porque, segundo referem algumas já estão encerradas por falta de pessoal (dois casos referidos são Sintra e Saldanha, que terão ficado sem pessoal), nem se fica pela falta de pessoal, porque é dado como certo que o contrato com a Auchan termina a 31 de Julho e assim a Marsans perderá as lojas com mais movimento. “Para a semana termina o contrato e ninguém nos informa de nada. Mas pelo que sabemos a Marsans vai perdê-las. O que se ouve é que a Auchan já comunicou à sede, mas da sede ainda não nos chegou nenhuma informação”, disse uma dessas fontes, que trabalha precisamente numa loja de centro comercial. O quadro que estas fontes relatam é de uma empresa que já perdeu dois terços do pessoal — “em Maio éramos 129 e na última contagem somos 44 ou 45, incluindo os que estão de baixa”, disse um dos trabalhadores da Marsans ouvido pelo PressTUR —, que tem lojas que já não abrem por falta de pessoal, de que se fala de venda de balcões e que não recebe orientações do director geral sobre os procedimentos a ter com clientes e fornecedores. “Estamos em auto-gestão”, disse ao PressTUR um responsável de loja para descrever o ambiente em que estão a trabalhar e que garantiu apenas permanecer ao serviço para tentar solucionar os problemas de clientes que pagaram viagens. O caso mais problemático, segundo referiu, é o de clientes que têm bilhetes que já não são válidos, porque a empresa que os emitiu pediu os reembolsos. Esse responsável disse ao PressTUR que não tem qualquer comunicação do director-geral desde os primeiros dias de Julho e que só no seu caso há algumas dezenas de passageiros com bilhetes que precisam ser novamente emitidos, mas que esta semana “não houve dinheiro” para novas emissões. “Pelo que sei, as situações com clientes de pacotes com partidas nos próximos dias estão todas as ordem. Mas os outros, dos bilhetes de avião, estão ‘pendurados’”, disse. E sobre estes casos, as situações mais graves, segundo referiu, são as de clientes com viagens de longo curso, designadamente para o Brasil, por serem mais caras e a empresa ter deixado de ter acesso ao sistema de reservas da TAP. “Tudo o que é Brasil, porque são valores mais altos”, disse essa fonte sobre quais os casos em que as situações de clientes estão por resolver, referindo que em muitos deles trata-se de emigrantes que não têm condições para pagar novos bilhetes enquanto accionam o pedido de reembolso por parte da Marsans. A situação de dificuldade é de tal ordem, acrescentam, que inclusivamente responsáveis de lojas que tinham acesso móvel à internet, para poderem resolver algumas situações fora dos seus postos de trabalho, ficaram sem ligações porque a Marsans não pagou ao fornecedor do serviço. “Mas há dinheiro para o hotel, o guarda-costas e o BMW do director geral”, desabafou. Outras fontes disseram ao PressTUR que da sede apenas vêm informações contraditórias, que umas vezes se diz que a Marsans Lusitana vai fechar a curto prazo e que outras se garante que é para continuar. De acordo com estas fontes, o director-geral Vicente Semper dizia há dias que esperava conseguir dinheiro para pagar ao pessoal “ainda esta semana”, para evitar a debandada dos que ainda restam. Semper, referiu uma das fontes, também nesse quadro chegou a falar em transferir a sede para uma das lojas em Lisboa, mas sem equacionar que esse espaço não tem condições, pelo menos no imediato. Essas fontes dizem ainda que é dado como certo o trespasse de três lojas, as de Algés, Belém e Guimarães, para a D-Viagem, que também é apontada como candidata a ficar com as actuais Auchan.
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