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Secretário de Estado Paulo Campos
easyJet quer entrar nos voos Lisboa-Funchal
Governo anuncia novo modelo para as rotas
Presstur 26-02-2007 (20h40) A easyJet transmitiu a intenção de voar de Lisboa para o Funchal, confirmou hoje o Secretário de Estado Adjunto, das Obras Públicas e das Comunicações, Paulo Campos, no final de reuniões com companhias aéreas, entre elas a low cost, sobre o novo modelo regulador do transporte aéreo entre o continente e a Madeira, que no ano passado totalizou 849.605 passageiros nos voos de e para a capital portuguesa (-1,4% que em 2005) e 215.512 nas ligações com o Porto (+11,7% que em 2005).

Paulo Campos, que também esteve reunido com a TAP, SATA e PGA, únicas companhias que actualmente operam voos entre o continente e a Madeira, disse no final das reuniões que o modelo proposto pelo Governo prevê o pagamento directamente ao passageiro, nas instituições públicas, mediante a apresentação do bilhete, de um valor fixo, que não depende da tarifa praticada.

Paulo Campos avançou que o valor proposto pelo Governo é de 60 euros, independentemente do preço praticado pela companhia aérea, tendo exemplificado que se a easyJet praticar uma tarifa zero o passageiro residente ou estudante receberá na mesma o subsídio, até porque sempre existem as taxas aeroportuárias.

O regime actual também já previa o subsídio ao passageiro (residentes e estudantes) e não à companhia aérea, embora fossem estas a recebê-los.

Com efeito, os residentes e estudantes pagavam tarifas já com o subsídio descontado e competia à companhia aérea fazer prova de que se tratava de passageiros com direito ao subsídio para poderem ser ressarcidas.

Os prazos de pagamento pelo Estado destes montantes, por sua vez, têm suscitado críticas por parte das companhias aéreas, designadamente da parte da TAP, cujo administrador Luiz Mór defendeu publicamente que esse ónus deixe de estar do lado das transportadoras, tanto pelos custos administrativos que gera como pelo atraso nos recebimentos.

A liberalização anunciada pelo secretário de Estado Paulo Campos incide, assim, no facto de o subsídio deixar de estar associado ao cumprimentos pelas transportadoras de obrigações de serviço público (número de voos diários e modelos de aviões), de implicar um conjunto de regras tarifárias (ainda no ano passado a Air Luxor foi multada por desrespeito da determinação pelo INAC da suspensão de uma promoção que lançou em inícios de 2005 para residentes na Madeira, por constituir “alteração às regras tarifárias” em vigor para o serviço público nas ligações aéreas dos residentes na Madeira com o continente) e passar a ser um valor fixo, em lugar de uma percentagem, que penalizava as companhias que baixassem os preços (a promoção da Air Luxor baseava-se na entrega de vouchers por forma que a tarifa se mantivesse nos 98 euros, permitindo-lhe manter um subsídio na ordem dos 32 euros, quando se figurassem os 59 euros da promoção o subsídio seria de 19).

Um comunicado do Ministério divulgado no fim das reuniões, afirma que “o mercado de transporte aéreo entre o continente e a região autónoma [da Madeira] já atingiu a maturidade suficiente e apresenta uma capacidade de expansão que dispensa uma forte regulamentação do Estado, sob pena de esta surtir efeitos contraproducentes impedindo-o de crescer”.

O texto acrescenta que “com o actual sistema de subsídio ao preço do bilhete, as transportadoras maximizam a sua receita, aumentando consequentemente o esforço do Estado e dos passageiros, por não terem incentivo à prática de tarifas reduzidas” e avança que o objectivo do novo modelo “é possibilitar a maior concorrência entre operadores e com isso promover a descida das tarifas praticadas e aumentar o número de passageiros”.

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