Essaouira: uma cidade marroquina com história europeia

21-06-2018 (16h12)

Essaouira, anteriormente conhecida como Mogador, é uma cidade portuária na costa atlântica de Marrocos. A sua baía conta com a protecção das Îles Purpuraires, que fazem com que o porto tenha águas mais calmas apesar do vento que se faz sentir.

Estas condições acabam por ser ideais para a prática de kitesurf e windsurf, e ainda para a aprendizagem de surf e bodyboard. Para ondas maiores, há Sidi Kaouki, uma localidade a cerca de 25 quilómetros para Sul, muito popular para a prática destes desportos, com destaque para o surf.

O clima em Essaouira é semi-árido, quente e com pouca amplitude térmica, e tem temperaturas mais amenas que outras cidades marroquinas como Marraquexe. É um destino popular entre os marroquinos que procuram férias com temperaturas mais baixas.

A medina é reconhecida pela UNESCO como Património Mundial por ser considerada um exemplo de uma vila fortificada do final do século XVIII no Norte de África, com arquitectura militar de influência europeia.

Esta medina é atravessada por três avenidas principais bem delineadas, o que faz com que seja de orientação mais fácil do que, por exemplo, a medina de Marraquexe.

De cada um dos lados da Avenue Zerktouni, uma das três avenidas, é possível visitar os souks (mercados) do grão e do peixe, o último com espécies conhecidas dos portugueses como a sardinha e o safio.

Ao fundo da medina, no sentido Sudoeste, encontra-se o Porto de Essaouira, desenhado por Ahmed o Renegado, ou Ahmed o Inglês (que era realmente um renegado inglês). As docas exibem uma série de barcos em tom de azul forte aportados lado a lado, como um tapete flutuante que é sobrevoado por bandos de gaivotas à espera de um petisco oportuno.

O porto e a fortaleza foram mandados construir pelo rei Mohammed III (Sultão Sidi Mohammed ben Abdallah) quando este decidiu reconstruir a cidade de Mogador em meados do século XVIII.

A fortaleza é obra do arquitecto francês Théodore Cornut, enquanto que as fortificações contaram foram desenhadas por engenheiros genoveses.

O rei Mohammed III renomeou a cidade de Souira (Souera), um nome que deriva do termo árabe para muralhas, aquando da sua reconstrução 'ao estilo militar europeu'.

E são estas muralhas que mantêm o vento à margem dos cafés com esplanadas no interior da medina, onde é possível encontrar turistas e locais em 'modo lounge'.

As compras na medina também constituem uma actividade popular, uma vez que os souks comercializam diferentes produtos de tapeçaria e artesanato, e são conhecidos pelas peças trabalhadas em madeira Thuya. Este tipo específico de madeira é retirado das raízes das Tetraclinis, um tipo de árvore semelhante ao pinheiro, que é utilizado há séculos nesta região.

O argan é outra das matérias primas naturais características da região e encontram-se uma série de produtos cosméticos e alimentares elaborados a partir do óleo extraído das sementes dos frutos da árvore Argania Spinosa. Também é possível visitar as cooperativas femininas que produzem este óleo recorrendo apenas a mão-de-obra feminina e a técnicas tradicionais, e conhecer mais sobre os processos de produção.

O Festival Mundial de Música Gnawa, que inclui rock, jazz e reggae, é outra razão pela qual a cidade de Essaouira é conhecida. Este festival, apelidado por muitos de Woodstock Marroquino, tem a duração de quatro dias e atrai anualmente cerca de 450.000 pessoas.

Já nos anos 60, a cidade chegou a ser um pólo hippie e foi visitada por artistas como Jimi Hendrix e Yusuf Islam (Cat Stevens). O filme Othello (1952), uma adaptação da peça homónima de William Shakespeare por Orson Wells, foi parcialmente filmado nas ruas da medina.

O nome Essaouira apenas começou a ser utilizado depois do protectorado francês (1912-56), período durante o qual a cidade voltou a ser conhecida pelo seu nome antigo de Mogador, ao invés de Souira.

A posição geográfica da cidade foi uma vantagem para Marrocos a partir de meados do século XVIII, após a sua reconstrução, permitindo ao reino tirar partido do comércio marítimo europeu e das rotas de caravanas para Marraquexe e Timbuktu, no Mali.

O Reino de Portugal também tentou tirar partido da localização da cidade durante a época dos Descobrimentos. D. Manuel I deu ordem para a construção do Castelo Real de Mogador naquela que é hoje a Petite Île d'Essaouira (parte das Iles Purpuraires). Este forte foi controlado pelos portugueses durante apenas quatro anos (1506-10) até cair às mãos dos Regraga, uma facção do povo Berber.

Mas a história das Îles Purpuraires leva-nos mais atrás no tempo, para o período da Antiguidade, com presença de fenícios e romanos.

Nas rochas destas ilhas é possível encontrar um crustáceo que segrega o pigmento que dá origem ao "Azul Tírio", um tom que, nos tecidos, tem a particularidade de ficar mais brilhante com a exposição solar, ao invés de desbotar. Os tecidos tingidos com Azul Tírio eram bens cobiçados e raros.

Os romanos deram continuidade à exploração da zona para criar este tipo de pigmento utilizado para tingir vestes  que acabavam por ser utilizadas por membros da alta sociedade.

O Museu Sidi Mohammed ben Abdallah, em Essaouira, exibe peças dos romanos e dos fenícios que datam da época em que estes povos tinham fábricas de produção deste pigmento.

A cidade de Essaouira encontra-se ligada a Safi, a Norte, a Agadir para Sul, e a Marraquexe para Nordeste. Existe um pequeno aeroporto internacional na cidade que faz voos internacionais para algumas capitais europeias como Londres, Bruxelas e Paris.

O PressTUR viajou para Marrocos a convite da Solférias, TAP e Be Live Hotels.


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