“Vocês [europeus] vão-nos odiar”

05-05-2009 (06h33)

Retratos do México (5)

“Vocês vão-nos odiar”, exclamou uma mexicana quando lhe relatámos a notícia de primeira página da edição internacional do “El País” da passada sexta-feira, dia 1 de Maio, segundo a qual o ECDC, centro europeu de prevenção de doenças, diz que a “nova gripe” será seguramente uma pandemia e que só na Europa afectará mais de 200 milhões de pessoas, ainda que em formas ligeiras na grande maioria dos casos.

A sua reacção, embora pareça ingénua, não era isolada nem despropositada. “Cresce no mundo a rejeição ao mexicanos” era o título a toda a largura da primeira página do jornal “El Universal” na edição de Sábado, dia 2 de Maio, que também escrevia: “Um passaporte nacional [mexicano] gera no estrangeiro suspeita e aversão”.
“A par da pandemia da influenza A ou humana estende-se pelo mundo outro vírus, o da rejeição e da discriminação dos mexicanos”, lia-se no texto, que se referia também a “estigmatização de viajantes” que procedem do México, onde então se elevava a 297 o número de doentes infectados pelo novo vírus e o número de vítimas mortais estava em 16.
O facto é que o México parece não hesitar em utilizar toda a “artilharia” para travar a propagação do vírus A(H1N1), apesar das consequências para a sua economia.


Cidade do México vista da janela de um avião Embraer 145

Depois de encerrar todos os estabelecimentos de ensino de todos os graus até 6 de Maio, suspender actividades que suscitam aglomerações de pessoas em espaços fechados, como missas, discotecas, restaurantes e até levar a que os jogos de futebol decorram sem assistência, o Governo mexicano avançou antes do primeiro de Maio com uma quase que paralisação do País até ao dia 5.
Todas as actividades não essenciais foram suspensas e o Presidente Calderón exortou os mexicanos não saírem às ruas.
“Fiquem nas suas casas”, destacava em letras garrafais a edição de 30 de Maio do jornal “Milenio” ao referir-se ao discurso presidencial. No mesmo sentido ia o “El Dictame”, que sublinhava que a recomendação de Calderón foi para os mexicanos permanecerem em suas casa nas mini-férias de 1 a 5 de Maio.
“Quero exortar todos, todos sem excepção, que nestes dias de feriado que vamos ter, que neste ‘ponte’ que irá do primeiro a 5 de Maio, fiquem em suas casas, com as suas famílias, porque não há lugar mais seguro para evitar o contágio pelo vírus da influenza suína que em tua casa”, afirmou Calderón nessa mensagem transmitida pela televisão.
As notícias da televisão no dia seguinte indicavam que foram muitos os que, porém, optaram por fazer a ponte fora da Cidade do México, e que embora alguns estados, como Veracruz, até tenham aplaudido a sua vinda, noutros a reacção foi diversa.
Os turistas são bem vindos a Veracruz — titulava a toda a largura de primeira página o “Diário de Xalapa” (cidade capital do estado de Veracruz) na edição de Sábado, dia 2, atribuindo a afirmação ao Governador Fidel Herrera Beltrán, que sublinhou: “é um orgulho e um sinal de alento que cheguem tantos”.
Mas a televisão mexicana também passou declarações de uma cidadão de Morelos que expressava a sua preocupação por ver chegar tantos residentes da Cidade do México.

O PressTUR visitou o México a convite do Conselho de Promoção Turística do México

Continua em:
“Quando o telefone toca...é só para cancelamentos”
Aeroporto Benito Juaréz reforça prevenção
Turismo estrangeiro abandonou o México — lamenta secretário de Turismo
Os mariachi não faltam a Los Portales...mesmo em tempos de "nova gripe"
A música sempre presente no zócalo de Veracruz mesmo quando a gripe reduz afluência de clientes
La Gloria rejeita “paternidade” da “nova gripe”...sem enjeitar projecção mundial


Cidade do México: uma crise “mascarada”
Presstur 27-04-2009 (19h41

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