APAVT reclama pagamento pela TAP de “dezenas de milhões de euros em dívida” até ao fim de 2021

09-10-2020 (18h08)

A Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT) quer que a TAP pague até final do próximo ano “dezenas de milhões de euros em dívida” e avançou uma proposta que diz ser “única no mundo” de pagamento por fases.

A informação consta de uma circular enviada hoje aos associados a que o PressTUR teve acesso, na qual diz que “tomou a iniciativa de, junto da TAP, sugerir um acordo de reembolso faseado dos valores em dívida, até 31.12.2021, acordo que tinha por base a capacidade de emissão de novos bilhetes TAP, por parte das agências de viagens”.

A TAP deve às agências de viagens, segundo o documento, “algumas dezenas de milhões de euros, decorrentes de vendas realizadas, pagas e não fornecidas pela companhia aérea”.

Os últimos dados divulgados pela TAP, relativos ao primeiro semestre deste ano, indicam 669,29 milhões de euros de “documentos pendentes de voos”, que a companhia explica serem o “montante da responsabilidade do Grupo referente a bilhetes emitidos e não utilizados”, como o PressTUR noticiou a 29 de Setembro (clique para ler: TAP reconhece 669,3 milhões de euros em bilhetes emitidos e não utilizados).

A APAVT, na circular aos associados, sublinha que a proposta de reembolso faseado “foi única no Mundo, assumindo ainda mais significado se pensarmos que a TAP, quer pela Lei quer pelos quadros regulatórios nacionais e internacionais, está absolutamente obrigada a reembolsar imediatamente e em dinheiro, todas as empresas das quais recebeu dinheiro sem fornecer serviços”.

A APAVT, aliás, acusa a TAP de “restringir a capacidade” das agências de viagens de emitirem novos bilhetes que ela própria anteriormente aceitou permitir-lhes como forma de reembolso de “milhões de serviços pagos e não fornecidos”. A TAP, segundo a Associação, “deve milhões de serviços pagos e não fornecidos, que aceitou pagar a prestações com base na emissão de novos bilhetes por parte das agências de viagens, [mas] tem vindo a restringir a capacidade da referida emissão”.

A APAVT acusa a companhia aérea de pôr à venda novos voos “cujas reservas cobra, cancelando depois os voos e propondo-se, de forma absolutamente ilegal, entregar vouchers, aumentando assim a dívida que se pretendia diminuir”.

A Associação acusa ainda a TAP de lançar “uma série de promoções, que no momento actual representam oportunidades de venda, excluindo a possibilidade de emissão por parte das agências”, acusa ainda a Associação.

A APAVT garante que mantém “um diálogo que está a ser produtivo e que esperamos que possa atingir os objectivos muito brevemente”, e também assegura igualmente aos associados que “não cairá nenhuma agência de viagens em insolvência por causa da falta de reembolso dos valores em dívida por parte da TAP”.

“Este é o momento em que prosseguimos as nossas negociações com a companhia aérea, ao mais alto nível, existindo legítimas esperanças de que um acordo poderá ser alcançado a muito breve trecho”, salienta a APAVT, acrescentando que desenvolverá “de imediato todas as acções, quer no âmbito dos quadros regulatórios português e europeu, quer judicialmente, para que os nossos associados possam ser ressarcidos dos valores pagos e não devolvidos”.

 

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