Charters para Varadero são suspensos este mês Dia 10 é a última partida

02-09-2011 (15h06)

O voo Lisboa - Varadero, que é das mais antigas operações charter em Portugal, vai fazer apenas mais duas partidas com passageiros, a deste Sábado, dia 3, e a do próximo, dia 10, e a seguir é suspenso, confirmaram ao PressTUR fontes dos operadores que têm a operação contratada à White.

No dia 17, o avião da White que tem operado para Iberojet, Mundovip, Soltour e Travelplan, ainda irá a Varadero, mas “em vazio” de Lisboa, para trazer para Lisboa os turistas portugueses que compraram pacotes de férias em Cuba na partida de dia 10.

A suspensão do charter, disseram ao PressTUR fontes da operação turística, não significa necessariamente uma interrupção da venda de pacotes de férias em Cuba, mas que as ligações a Cuba passarão a ser feitas via outras cidades europeias onde há voos regulares e charters, designadamente Madrid.

As dificuldades de rentabilização da operação na conjuntura que Portugal está a viver é a razão apontada para a suspensão da operação, que já este ano também esteve suspensa nos primeiros meses, entre 29 de Janeiro e 2 de Abril, reflectindo uma queda acentuada da procura do destino Cuba, que transparece das estatísticas cubanas ( Operadores suspendem charter de Varadero entre 29 de Janeiro a 2 de Abril).

De acordo com dados da ONEI, Oficina Nacional de Estadísticas e Información de Cuba, entre 2001 e 2010 o número de turistas portugueses no País teve uma queda em 37,9%, baixando de 30.215 para 18.762 (menos 11.453), com a maior fatia do decréscimo a ocorrer precisamente no ano passado, quando face a 2009 houve um decréscimo de 28% ou 7.293.

A evolução este ano, com a suspensão dos charters mais de dois meses, foi igualmente de queda acentuada, com a ONEI a indicar que nos sete meses de Janeiro a Julho as chegadas de portugueses têm um decréscimo de 22,4% ou 2.721, para 9.413 ( Chegadas de turistas portugueses a Cuba baixam 10,4% em Julho).

Nos charters à partida de Lisboa, de acordo com os dados a que o PressTUR teve acesso, o número de passageiros (partidas e chegadas) passou de 31.428 em 2003 para 26.001 o ano seguinte (-17,3%), mas recuperou em 2005 (+28,6%), com um aumento para 33.436.

Em 2006, porém, deu-se nova queda, em 16%, para 28.086, da qual recuperou em 2007, com um aumento de 17.3%, para 32.940.

O “sobe e desce” manteve-se nos dois anos seguintes, com 2008 a ser um ano de queda, em 10,8%, para 29.377, e 2009 a ser um ano de crescimento, em 12,5%, para 33.038, o que se deveu em grande medida à eclosão da epidemia de gripe A(H1N1) e à sua associação ao México, que levou ao desvio de tráfego nos charters para Cancun para os voos para outros destinos, entre eles Varadero.

Em 2010, desaparecido esse efeito, o charter para Varadero teve uma quebra do número de passageiros em 37%, para 20.812, e nos primeiros sete meses deste ano está com um decréscimo (agravado pela suspensão dos voos nos primeiros meses) de 39,3%, para 8.057, embora no mês de Julho tenha até tenha registado um crescimento expressivo, em 21,8%, para 2.138.

Fontes da operação turística comentaram ao PressTUR que a suspensão deve-se à necessidade de evitar perdas significativas, que ocorrem sempre que os operadores ficam com lugares vazios, porque independentemente de os venderem ou não têm que os pagar, uma vez que o avião é contratado por inteiro.

Por isso também se diz destes programas que são “operações de risco”, uma vez que os operadores têm que arriscar contratar aviões, hotéis e transferes sem garantias de que vão conseguir vender pelo menos em número suficiente para cobrir o custo.

A suspensão do charter de Varadero o que denota é que esse não era o caso, pelo menos para alguns dos intervenientes, e não havia expectativa de inverter a tendência, dado o impacto das medidas de austeridade no sector da operação turística e agências de viagens.

Os dados a que o PressTUR teve acesso relativos a operações charter no Aeroporto de Lisboa, que é o maior do País neste tipo de viagens de “lazer puro”, indicam que os voos para as Caraíbas têm uma queda do número de passageiros em 18,7%, com quedas, além de Varadero (-39,3%), também nas ligações com Cancun (-13,2%), Punta Cana (-9,9%), Montego Bay (-18,2%) e Samaná (-42,7%).

Igualmente em queda estavam os charters para as ilhas espanholas (-45,2%, para 13.080) e outras operações como Antalya (-6,8%, para 8.699), Catânia (-44,8%, para 957) e Porto Santo (-53,6%, para 519).

As excepções eram Boavista, com +49%, para 21.409, e Oujda (Saidia), com +25,7%, para 3.957 (ver mais em: Boavista e Saidia escapam à crise dos charters e têm crescimentos fulgurantes em Lisboa).

 

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