“Governo não pode hesitar” no apoio às agências de viagens no momento da retoma, APAVT

03-03-2021 (17h20)

“É no momento da retoma que vamos perceber as dificuldades reais das empresas e é nessa altura que o Governo não pode hesitar, sob pena de um esforço enorme que o Governo também tem feito ao longo do ano de 2020 cair todo em saco roto”, alertou o presidente da APAVT, Pedro Costa Ferreira, em entrevista à Lusa.

O dirigente defendeu que os apoios disponibilizados às empresas do sector do turismo para fazer face aos efeitos da pandemia de covid-19 na economia “têm de ser redobrados” e “mais robustos”.

“A retoma é, provavelmente, o momento de maior necessidade de liquidez de todas as empresas, porque os custos, perante uma crise alongada e uma empresa muito fragilizada, serão e terão um movimento de zero para 100”, afirmou Pedro Costa Ferreira.

A APAVT prevê que, no momento da retoma da economia, as empresas passem rapidamente a ter os custos que tinham antes da pandemia, embora as receitas venham a ser geradas de forma gradual, daí sublinhar a necessidade de liquidez.

Pedro Costa Ferreira disse acreditar na possibilidade da retoma acontecer ao longo deste ano, de forma mais lenta, consolidando-se em 2022.

Neste contexto, o primeiro “grande desafio” para o turismo português é, disse, manter viva a oferta. “Se a oferta não existir para poder receber uma procura que continua a existir e, provavelmente, até vai existir com mais desejo, com mais capacidade de crescimento, aí não temos nada”, avisou.

O sector vive um “panorama de manifesta gravidade” devido aos efeitos da pandemia de covid-19, mas “apesar de tudo, as agências de viagens têm sobrevivido”, disse Pedro Costa Ferreira.

O dirigente apontou que ao longo de 2020 as empresas do sector registaram quebras de negócio entre os 75% e os 100% e que a estimativa para Janeiro e Fevereiro deste ano é de um agravamento para quebras entre os 90% e os 100%.

As agências de viagens têm conseguido sobreviver sobretudo devido a “três fatores essenciais”: os resultados positivos do turismo em 2019, que permitiram acumular liquidez, o recurso ao endividamento e os apoios governamentais, “que não sendo suficientes”, disse, “têm sido manifestamente importantes”.

“Enquanto as empresas estão ligadas à máquina, elas conseguem sobreviver. Com sofrimento, com empresários a gastar dinheiro, com empresários e empresas a endividarem-se, com certeza que sim, com apoios, com certeza que sim, mas têm conseguido sobreviver até ao grande momento da verdade, que é a retoma”, sublinhou Pedro Costa Ferreira.

Questionado acerca de um sinal de falências pela perda de associados, o presidente da APAVT disse que a associação tem registado “algumas quebras”, embora não sejam significativas.

“Temos algumas quebras de associados, sim. […] Nós fazemos a repescagem das razões pelas quais as empresas deixam de ser associadas, algumas delas é porque desistiram de continuar e, portanto, temos realmente alguns abandonos, mas do ponto de vista macro, mais geral, a verdade é que, tal como os próprios dados macroeconómicos nos fazem sentir, é que há menos falências em 2020 do que em 2019”, esclareceu Pedro Costa Ferreira.

O presidente da APAVT considerou também importante apostar na projeção da imagem de Portugal como um destino seguro e, para isso, é necessário resolver a crise sanitária.

Depois disso, “o maior desafio de todos” é “ganhar o jogo das viagens mais afastadas” bem como o “jogo” de mercados como o americano, o brasileiro, o asiático e a América Latina.

“Se nós ganharmos este tipo de mercados, temos a consciência que vamos ter duas coisas: maior diversidade de oferta e menor sazonalidade”, defendeu.

“Depois da pandemia, cada vez vai haver mais turistas à procura de locais sem turistas e, portanto, isso só se resolve aumentando o território turístico, diversificando a oferta, e isso só se resolve se tivermos acesso a outro tipo de mercados que não o mercado tradicional do UK [Reino Unido], o alemão, o francês”, acrescentou o presidente da APAVT.

 

Clique para ver mais: APAVT

Clique para ver mais: Agências&Operadores

Share
Tweet
+1
Share
Comentários
Escrever comentário

Outras Notícias

Agências de viagens portuguesas atingem máximo de vendas de voos em BSP durante a pandemia

16-04-2021 (15h47)

As vendas de voos regulares pelas agências de viagens IATA portuguesas ascenderam em Março a 13,5 milhões de euros, que é um máximo em tempos de pandemia.

Solférias junta mais de 500 agentes de viagens em apresentação da programação de Verão

15-04-2021 (17h19)

O operador turístico Solférias juntou hoje mais de 500 agentes de viagens no Zoom para apresentar os seus pacotes para um Verão que, na previsão do seu director-geral, "será o início de alguma coisa", ainda abaixo dos resultados de 2019, mas acima de 2020.

Agências e operadores serão “muito mais reconhecidos” depois da pandemia, Nuno Mateus

15-04-2021 (15h25)

O director-geral do operador turístico Solférias, Nuno Mateus, considera que a pandemia permitiu aos operadores turísticos e agências de viagens demonstrarem o seu valor, quer nos repatriamentos quer nos reembolsos, o que lhes permitirá serem "muito mais reconhecidos no futuro".

Solférias apresenta programação de Verão amanhã

14-04-2021 (16h42)

O operador turístico Solférias está a convidar os agentes de viagens para uma apresentação online da sua programação de Verão, que decorre amanhã, dia 15 de Abril, às 11h.

Lusanova promove webinares sobre Madeira e Dubai nas próximas semanas

13-04-2021 (17h48)

O operador turístico Lusanova vai promover webinares para agentes de viagens sobre a Madeira e sobre o Dubai nos dias 21 de Abril e 5 de Maio, respectivamente.

Opinião e Análise