Nunca acreditaram. Sempre falaram e… nada fizeram!...

19-05-2020 (18h00)

Foto: APAVT
Foto: APAVT

Por Pedro Costa Ferreira, Presidente da APAVT e Empresário

Uns disseram que «não haveria lei dos vouchers», claro que não, pois se «os agentes de viagens não têm voz em Portugal»…

Não perceberam o que desde sempre se soube. (i) Que trabalhar junto do Governo numa derrogação de uma lei, leva algum tempo, exige ponderação, trabalho conjunto e respeito pelos diversos interesses envolvidos; (ii) exige negociações com quem defende os consumidores, necessita percepção das consequências, requer que o Governo aceite a lógica de quem sugere uma alteração e escrutine se essa alteração prejudica outro interesse legítimo; (iii) sugere discrição, coisa difícil de entender num mundo onde só o palco valoriza.

Outros disseram, quando se defendeu que uma lei de reembolsos de viagens organizadas ajudaria a defender o emprego e os direitos dos consumidores, que ninguém defendia as agências de viagens.

Disseram… mas não entenderam, desde logo, (i) que não se consegue manter o emprego sem se defender as empresas que o acolhem, as agências de viagens; (ii) que uma das principais responsabilidades de um empresário é justamente a protecção dos colaboradores que contratou; (iii) que a única via para um futuro de porta aberta é a satisfação e a confiança dos clientes, e que , no caso concreto, era necessário construir uma realidade jurídica que, significando uma alteração de uma lei que trouxe grandes dificuldades às empresas, mas também mais confiança dos consumidores como elemento diferenciador, não traísse exactamente as justas expectativas do consumidor. Não entenderam, em suma, (iv) que todo o jogo empresarial só nasce se se descobrir um consumidor e só perdura se se criar valor para esse cliente.

Uns vieram dizer que não tinha a APAVT de falar de hotéis e companhias aéreas, para defender uma nova arquitectura de reembolsos no sector das agências de viagens.

Disseram…mas não alcançaram (i) que a cadeia de valor turística serve o mesmo cliente; (ii) que o tempo que se está a dar às agências de viagens seria estéril, se não se desse tempo aos hotéis e às companhias aéreas. Porque, naturalmente, se, por não terem tempo, os hotéis e as companhias aéreas falissem, o dinheiro dos reembolsos nunca entraria nas agências de viagens. Não alcançaram, afinal, (iii) que as agências de viagens precisam de tempo única e exclusivamente porque hotéis, companhias aéreas e outras empresas parceiras integrantes da cadeia de distribuição precisam de tempo.

Os que disseram que não haveria lei dos vouchers, rapidamente apareceram a dizer, quando a lei afinal apareceu (ups!...), que claro que tinha de haver lei dos vouchers, era o que mais faltava, afinal toda a Europa já a tinha adoptado, que o mérito da APAVT, obviamente, era nulo.

Disseram…mas não atingiram, desta vez, várias circunstâncias. Em mais onze países europeus (ah… afinal não foram assim tantos!...)  existiu igualmente uma alteração à Lei, mas nenhuma abrange um intervalo tão grande (13.03 a 30.09), no que às datas de saída abrangidas diz respeito, como a portuguesa. Por outras palavras, (i) nenhuma produziu mais segurança na operação às agências de viagens, como a nossa. Por outro lado, em nenhum outro enquadramento legislativo europeu sobre esta matéria a data do voucher a ser utilizado, antes de poder ser convertido em dinheiro, foi «tão longe» como 31.12.2021. Por outras palavras, (ii) nenhuma lei deu tanto tempo às agências para se recomporem.

Para quem nunca pensou nas agências de viagens… tivemos todos muita sorte!...

Uns e outros são sempre os mesmos. Nunca entendem, nunca percebem, nunca alcançam, nunca atingem. Uniu-os neste cortejo, o que sempre os uniu em anteriores procissões:

 Nunca acreditaram. Sempre falaram e… nada fizeram!...

 

Pedro Costa Ferreira

Presidente da APAVT e Empresário

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