Relações entre a TAP e a APAVT já tiveram melhores dias, admite Pedro Costa Ferreira

22-11-2018 (10h04)

"A qualidade do diálogo com a TAP não é tão boa como em anos anteriores", afirma o presidente da APAVT, Pedro Costa Ferreira, em entrevista à Agência Lusa publicada hoje, dia em que a Associação inicia em Ponta Delgada o seu Congresso Anual, o qual durante anos teve como ‘grand finale' o jantar oferecido pela companhia aérea, que entretanto foi substituído pela Travelport.

"Não estou a dizer que a TAP não dialoga, mas não há como não reconhecer que hoje a qualidade do diálogo com a TAP não é tão boa como em anos anteriores", afirmou Pedro Costa Ferreira, cuja Associação a que preside representa as empresas que fazem mais de 70% das vendas de voos da TAP em Portugal, que é o segundo maior mercado da companhia aérea.

"Não há também como não reconhecer que defendemos melhorá-lo [o diálogo] sem estarmos ofendidos, porque em negócio o que nos deve definir sempre é a estabilidade dos nossos clientes e a qualidade da nossa performance", acrescentou o dirigente associativo, que nas mesmas declarações à Lusa apontou a falta de pontualidade de TAP como "o maior problema" com que as agências de viagens portuguesas se defrontam actualmente.

"O nosso maior problema, neste momento, é a performance da TAP. Isso é que nos preocupa, porque é a má performance da TAP que temos de gerir todos os dias junto dos nossos clientes. Neste momento, a TAP à cabeça tem uma 'performance' de pontualidade muito, muito desagradável", comenta Pedro Costa Ferreira, que cita os dados publicados pela consultora OAG, os quais evidenciam que o problema, porém, é extensivo a todos os aeroportos portugueses, que também estão sistematicamente entre os piores do mundo (para ler sobre pontualidade clique: OAG).

O presidente da APAVT realça a esse propósito que "a pontualidade é o primeiro critério do 'corporate' [viagens de negócios]", que "é um negócio extremamente importante" para o sector, sublinhando que, assim, pode calcular-se "as dificuldades" que as agências têm tido em gerir a vida dos clientes.

Pedro Costa Ferreira, assinala que a juntar-se à falta de pontualidade têm existido "más experiências no embarque e também alguma quebra de serviço a bordo".

"Em todo o caso, a pontualidade parece-me ser, neste momento, o ponto mais importante da falta de qualidade do serviço da TAP", reforça, lembrando que o CEO da TAP também disse, recentemente, numa entrevista que "houve mau planeamento da formação das tripulações, apesar de tudo um bocadinho compensada pelo facto dos pilotos estarem a voar em dias de folga e de férias", para acrescentar que isso "não apaga o número em si" e é esse que "preocupa" a APAVT.

Instado a especificar de que forma esses constrangimentos atingem a actividade das agências de viagens, Pedro Costa Ferreira afirmou que "são os agentes de viagens quem está atrás da cortina a tratar das necessidades de um cliente que perdeu um avião ou uma reunião, ou perdeu uma ligação, ou pela falta de pontualidade. Não há outra maneira de dizer. (...)"

"A principal consequência para o cliente, já sabemos, é a perda de qualidade da viagem e para a agência de viagens é a perda de rentabilidade, pois, para a mesma viagem, estamos a cumprir, obviamente, os nossos deveres de boas práticas e, portanto, o acompanhamento de uma viagem que já foi vendida é feito com muito mais tempo e muito mais custos", explica.

Sobre o congresso da APAVT, e questionado sobre se tem havido diálogo com a companhia que, a ver pelo programa, tem diminuído a presença nesta reunião anual das agências de viagens, Pedro Costa Ferreira responde: "Não há como não admitir que a visibilidade da companhia no seio do nosso congresso [antes parceira] é hoje menor do que há anos atrás, mas do ponto de vista da representação de um sector e do presidente dessa Associação terá de haver sempre abertura para um diálogo futuro".

"Não creio que seja possível aumentar a qualidade da viagem e a segurança dos nossos passageiros se não houver diálogo de quem está mais perto deles, que são os agentes de viagens, e quem mais os transporta em Portugal, que é a TAP", sublinhou.

(PressTUR com Agência Lusa)

 

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