David Neeleman põe os pontos nos iis quanto à sua posição na TAP

29-06-2020 (19h32)

Depois de meses de silêncio, o accionista de referência da TAP, David Neeleman, clarifica a sua posição em declaração escrita enviada à agência Lusa, na qual diz estar certo que “o Governo português saberá respeitar os compromissos assumidos com quem acreditou e transformou a companhia”.

David Neeleman diz na mesma declaração que é verdade que a TAP precisa “da ajuda do Estado Português”, acrescentando que assim é tal “como todas as outras companhias aéreas na Europa” e realça que “todo o investimento feito pelo Estado” na empresa “tem um retorno garantido, multiplicado por muitas vezes”.

E eleva a fasquia, garantindo que o seu foco “não é apenas garantir que a TAP sobreviva, mas que recupere a rota de crescimento que vinha percorrendo e que prospere para que possamos cuidar dos nossos trabalhadores e clientes”.

O empresário explica porque quebrou finalmente o silêncio que tem mantido, afirmando que: “no entanto, e porque há limites, não posso deixar de rejeitar as declarações sobre o empenho dos privados no futuro da TAP”.

O empresário, aliás, enaltece o historial da sua intervenção na TAP, dizendo que tem hoje o mesmo empenho que em 2015, “quando ganhámos a privatização e salvámos a TAP de uma situação de insolvência, e após cinco anos de trabalho muito duro transformámos a TAP numa companhia renovada, de maior dimensão e preparada para o futuro”.

“Continuamos a acreditar na TAP apesar desta enorme crise que afectou toda a economia e em particular o sector da aviação”, acrescenta, assinalando que “desde o início da crise a equipa executiva tem trabalhado noite e dia em conjunto com os fornecedores, tendo negociado e obtido apoios importantes na ordem de centenas de milhões de euros”.

“Apesar de não ter sido essa a nossa proposta, agradecemos muito o apoio do Estado português através de um empréstimo de emergência à TAP e aceitamos obviamente as medidas de controlo da utilização desse empréstimo”, garante Neeleman na mesma declaração,

O accionista diz que se sentiu na necessidade de “rejeitar as declarações sobre o empenho dos privados no futuro da TAP”, garantindo que estes estão “disponíveis para aceitar a participação do Estado na Comissão Executiva imediatamente e mesmo antes de uma eventual capitalização do empréstimo”, uma proposta a que o ministro Pedro Nuno Santos reagiu desabridamente, referindo-se à TAP como uma companhia de mão estendida.

 

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