David Neeleman secunda Michael O’Leary nas críticas ao Aeroporto de Lisboa

10-11-2016 (15h03)

O maior accionista privado da TAP, David Neeleman, criticou hoje a alegada incapacidade de resposta do Aeroporto de Lisboa aos projectos de expansão da companhia aérea portuguesa, secundando assim críticas no mesmo sentido por parte do CEO da Ryanair, Michael O’Leary.

“Estou um pouco frustrado com o aeroporto que não está a abrir mais espaço. Nós estamos a crescer mais rápido do que o aeroporto e isso é muito importante para o país”, afirmou Neeleman à imprensa após intervir na Web Summit, de acordo com a estação de rádio TSF.

“Não podemos crescer se nos dizem que está limitado, temos de abrir outro aeroporto”, comentou ainda o accionista industrial da TAP e fundador da norte-americana JetBlue e da brasileira Azul, para defender que as low cost deveriam ser transferidas da Portela para o Montijo.

“O Montijo está lá, não podemos esperar três anos para que isso aconteça, as low cost podem ir para lá e nós ficamos aqui [na Portela], mas tem de acontecer mais rápido do que está a ser feito”, sublinhou David Neeleman.

David Neeleman, porém, não foi o primeiro a reclamar da alegada falta de capacidade do Aeroporto de Lisboa para responder ao crescimento potencial do tráfego.

Questionado pelo PressTUR em finais de Abril sobre o porquê do ‘magro’ crescimento que a Ryanair estava a apresentar em Lisboa, quer em comparação com outros aeroportos portugueses quer, sobretudo, com a sua evolução média global, Michael O’Leary responsabilizou o Aeroporto Humberto Delgado.

“Queremos expandir-nos rapidamente em Lisboa, mas o aeroporto está a colocar-nos estes constrangimentos artificiais e é por isso que estamos a dizer – bem, se nos vão constranger na Portela, abram o Montijo; mas eles respondem – o Montijo não acontecerá senão em três a cinco anos; - Porquê o atraso? O aeroporto está lá. As instalações estão lá. Poderíamos ir para lá no próximo ano”.

Mas O’Leary não se ficou apenas pela exigência da abertura do Montijo à aviação comercial.

“Se Dublin e Gatwick, por exemplo, têm capacidade para 50 a 55 voos por hora, porque é que em Lisboa se ficam pelos 35 a 40 voos por hora? Porque não 50 voos por hora? Não é difícil. A maioria dos aeroportos opera a esse tipo de velocidade. Estão a fazer um voo a cada dois minutos. Não faz sentido” — acusou o CEO da Ryanair, que disse ainda ao PressTUR que em sua opinião a abertura do Montijo está a ser atrasada artificialmente.

“E achamos que a razão pela qual o estão a fazer é porque não querem crescer rapidamente em Lisboa, porque isso os vai forçar a abrir o Montijo mais cedo. Estão a tentar atrasar a abertura do Montijo pelo maior período de tempo que conseguirem”, afirmou (para ler mais clique: “Estão a atrasar artificialmente a nossa expansão em Lisboa”, acusa CEO da Ryanair).

Neeleman e O’Leary, porém, não chegam às mesmas conclusões em toda a linha.

Enquanto Neeleman defende a transferência das low cost para o Montijo, O’Leary  deixa claro que pretende estar nos dois aeroportos

Nas rotas em que a Ryanair concorre directamente com a TAP “não podemos mudar-nos para o Montijo, temos que estar na Portela”, argumentou O’Leary, acrescentando que, porém, “abrindo o Montijo iria criar espaço para crescer”.


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