Empresários açorianos lamentam “perda gigantesca” com fim dos voos da Delta para os Açores

23-10-2019 (15h16)

Foto: Delta Air Lines
Foto: Delta Air Lines

A Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada (CCIPD) classificou de "perda gigantesca para as aspirações" do turismo dos Açores" o cancelamento dos voos para Ponta Delgada da norte-americana Delta Air Lines, comentando que a política de promoção "falhou".

Para a instituição representativa de empresários de São Miguel e Santa Maria, em nota de imprensa, o fim dos voos o turismo dos Açores "retrocede significativamente, ao perder esta oportunidade, na sua caminhada no sentido da requalificação para um patamar mais elevado de valor acrescentado para o setor".

A secretária do Turismo do Governo dos Açores confirmou hoje que a companhia aérea Delta Air Lines vai deixar de ligar Nova Iorque a Ponta Delgada, garantindo que a região "tudo" fez "no sentido de a decisão não ser esta".

"Confirma-se, a Delta deu nota formal ontem [terça-feira] da descontinuação da operação no próximo Verão entre Ponta Delgada e Nova Iorque, numa operação de Maio a Setembro. Apesar de taxas de ocupação acima dos 80%, a Delta alega que a rentabilidade da operação se encontra abaixo [do esperado], não colocando de parte" uma eventual reanálise no futuro, disse Marta Guerreiro, em declarações aos jornalistas na Praia da Vitória, na ilha Terceira, à margem de uma visita de trabalho do executivo açoriano.

A Antena 1/Açores avançou hoje de manhã que a Delta iria deixar cair a operação para os Açores.

A CCIPD refere que a operação da transportadora - com uma frequência de sete dias por semana durante 16 semanas, com cerca de 200 passageiros e tripulantes por rotação, representava cerca de 1.400 passageiros por semana e um total de cerca de 22.400 turistas ou cerca de 90.000 dormidas.

"Se considerarmos uma estada média de quatro dias, sendo uma operação de época alta, estima-se uma despesa média total de cerca de 250 euros por dia, perdem-se receitas directas da ordem dos 22 milhões de euros por ano. Em cinco anos perdem-se 120 milhões de euros. Mesmo que se considere uma taxa de ocupação de apenas 80%, as perdas a cinco anos são da ordem dos 100 milhões de euros", refere aquele organismo.

A CCIPD realçou ainda que as consequências económicas "são muito expressivas para a economia dos Açores, em geral, e para São Miguel, em particular", uma vez que o mercado norte-americano estava a afirmar-se de "forma cada vez mais marcante com o voo de Nova Iorque".

De acordo com instituição, a ligação "representava também uma enorme janela de oportunidade, que agora se fecha, para um dos mercados mais ricos do mundo, pelas mãos de uma das companhias mais importantes da América do Norte".

Os empresários entendem que, perante uma perda tão grande, se impõe "não só uma reflexão sobre a estratégia como também a adoção de novas práticas na tarefa de, para o futuro, evidenciar uma ação mais consistente, mais profissional, mais previsível e mais eficaz".

"Manter a promoção numa situação de contínua precariedade e incerteza produz resultados maus, com impactos muito negativos na nossa economia e em particular no turismo. Ficamos mais pobres", argumenta a CCIPD.

O Aeroporto de Ponta Delgada teve 103,7 mil passageiros de voos de/para os Estados Unidos, com um aumento em 7,4% ou 7,1 mil relativamente ao período homólogo de 2018.

(PressTUR com Agência Lusa)

 

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