Ministro Pedro Nuno Santos revela que negociações na TAP não estão fechadas

30-06-2020 (13h37)

Afinal as negociações na TAP ainda decorrem, como confessou já o ministro Pedro Nuno Santos, que tutela a companhia e revelou que as conversações com os accionistas privados ainda vão decorrer.

“Nós ainda vamos submeter a proposta ao nosso sócio privado e esperemos que ela seja aceite”, disse Pedro Nuno Santos na comissão parlamentar, que assim evidenciou terem sido exageradas as notícias sobre a morte da solução vigente na transportadora aérea portuguesa e às quais se referiu como “conjunto diverso de notícias”, sem clarificar que davam como decidida a nacionalização.

Mas o ministro não abrandou o tom conflituoso com os accionistas privados da TAP, a quem insiste em pôr entre a espada e a parede, aparentemente indiferente ao impacto para a imagem do país nos mercados internacionais e nomeadamente para a captação de investimento estrangeiro.

Pedro Nuno Santos admitiu que desse encontro possa resultar “uma proposta que encontre uma saída acordada para uma situação que é negativa para todos”, explicitando: “E quando eu digo uma saída acordada é uma saída que garante a paz à TAP e evite qualquer litígio futuro”.

Porém, nas mesmas declarações o ministro garante “nós estamos preparados para tudo”, invocando o interesse nacional.

“Há uma coisa que para o Governo português é certa, nós não vamos ceder nas nossas condições e nós estamos preparados para intervencionar e salvar a empresa”, a mesma empresa que foi o primeiro a admitir poder ser empurrada para a insolvência.

Actualmente, no entanto, o ministro promete que se necessário promoverá “uma intervenção mais assertiva na empresa se o accionista privado continuar a não aceitar as condições do Estado”.

“E depois tem todo o direito num país e num Estado de direito como aquele em que vivemos de defender a sua posição. Cá nós defendemos é a posição do Estado e a posição do povo português”, rematou o governante.

As novas declarações do ministro mostram como se chegou à notícia de que o Governo já decidira nacionalizar a TAP.

O que aconteceu foi que a posição do Governo não foi aprovada pelo Conselho de Administração da TAP, onde teve votos favoráveis dos administradores nomeados pelo Estado, mas abstenção dos indicados pelos privados.

“Precisávamos de oito votos a favor para passar e ela foi chumbada, presumo que por isso que apareceu um conjunto diverso de notícias”, alegou o ministro, que continua a defender uma estranha forma de negociação, como o demonstra a sua afirmação à comissão de Economia, Inovação, Obras Públicas e Habitação da Assembleia da República.

“Não cederemos na negociação com o privado. Não lhe chamamos braço de ferro, chamamos defesa intransigente e firme do interesse nacional. Estamos preparados para tudo, o Governo não vai ceder nas suas condições e estamos preparados para intervencionar e salvar a empresa”, declarou.

 

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