“Não é a TAP que pode assumir depois o lugar vazio”, avisa Dionísio Barum (2/3)

26-11-2018 (17h59)

"As tarifas têm regras e essas regras têm que ser cumpridas. E quando essas regras não são cumpridas há penalidades e essas penalidades alguém as tem que pagar", afirmou ao PressTUR o novo director de Vendas em Portugal da TAP, Dionísio Barum, que deixa o aviso: "Não é a TAP que pode assumir depois o lugar vazio".

Dionísio Barum acrescenta que simultaneamente a TAP vai ser "mais criteriosa no acesso ao espaço [lugares de avião]", sempre em nome de uma melhor gestão dos voos, que afirma será benéfica para ambas as partes, e apostando no "diálogo".

Nas mesmas declarações ao PressTUR Dionísio Barum diz que a TAP ainda não definiu uma política relativamente aos desenvolvimentos que estão a ocorrer na distribuição, como seja as taxas aplicadas a reservas em GDS, que são as ferramentas mais utilizadas pelas agências de viagens, por lhes garantirem o conhecimento e acesso à mais vasta oferta disponível para os seus clientes.

 

PressTUR: Como vai ser feita essa maior responsabilização das agências e operadores de que fala?

Dionísio Barum: Vai ser feita de uma forma muito clara. As tarifas têm regras e essas regras têm que ser cumpridas. E quando essas regras não são cumpridas há penalidades e essas penalidades alguém as tem que pagar. Não é a TAP que pode assumir depois o lugar vazio. Em segundo lugar nós vamos ser mais criteriosos no acesso ao espaço. Nós vamos querer ter um melhor relacionamento com os operadores e os operadores têm que ser responsabilizados por esse acesso ao espaço, no sentido de que o que nós lá temos é para vender, o que nós lá temos está vendido. E queremos que eles também desenvolvam novas oportunidades de venda. Estamos cá para ouvir novas oportunidades de venda, estamos cá para ver novos segmentos, estamos cá para aumentar destinos, porque é conhecido e sabido que nós vamos ter mais destinos. E a partir do momento em que temos mais destinos temos mais oportunidades para os operadores turísticos. Portanto estamos cá com eles. Mas tem que haver efectivamente esta aposta. Apostamos, apostamos um ano. O produto não deu, não era aquilo que a gente pensava, o produto não registou 5.000 reservas, só registou só duas mil, ok, estamos cá ainda para voltar a tentar. Agora não podemos é ter uma aposta de dez mil e ter uma composição de apenas 200.

 

PressTUR: Vai existir algum regulamento?

Dionísio Barum: Não, isto não se faz com regulamentos. Faz-se com os operadores, faz-se em diálogo previamente com os operadores, explicando as nossas dificuldades, as performances que eles não têm tido e juntamente com eles galvanizar o mercado. É bom para eles e bom para nós. Porque quando um voo está cheio de moscas, como costumo dizer, isso é mau, porque ele depois não vai conseguir vender a TAP, e vai conseguir vender é quem é mais barato, muitas vezes é a concorrência, o que é muito injusto para eles e para nós.

 

PressTUR: Como é que a TAP se está a posicionar face a esta tendência dos grandes grupos aéreos de apostar na vendas directas, taxando as reservas em GDS, etc?

Dionísio Barum: É o futuro, sabemos que o grupo Lufthansa tem, o grupo Iberia e British tem, sabemos que a Air France KLM tem algo semelhante, nós estamos ainda a delinear e a ver qual é a melhor estratégia de futuro. De momento não há ainda decisão sobre a matéria e portanto é business as usual. Quando houver uma decisão sobre a matéria é um assunto que a TAP certamente irá fazer eco sobre ele junto da comunicação social e nomeadamente dos media do trade.

 

Continua:

TAP "vai com certeza reposicionar-se" em futuros Congressos da APAVT - Dionísio Barum (3/3)

 

Ver também:

TAP vai responsabilizar mais as agências de viagens - Dionísio Barum (1/3)

 

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