Prejuízo da TAP no primeiro semestre mais que duplica em dois anos

23-09-2019 (17h35)

A TAP informou ao princípio da noite de sexta-feira, quando em princípio as redacções já fecharam as edições do dia seguinte, ter registado um agravamento dos prejuízos no primeiro semestre em 33%.

Sem revelar dados essenciais para o mercado poder compreender a sua evolução, a companhia indicou que o resultado líquido do grupo a 30 de Junho era um prejuízo de 119,7 milhões de euros, que significam um agravamento em 121,7% em relação ao período homólogo de 2017, em que a perda foi de 54 milhões.

A companhia, que já pretendeu ser das mais transparentes, nem sequer revela totais de receitas e de custos do período e evidencia um propósito de evitar que se possa perceber minimamente o que é actualmente.

A TAP, que aliás nem sequer revela qual o seu resultado operacional no semestre, pretende justificar os prejuízos com dados ‘soltos’ como sejam que a perda resultaria “principalmente” da “quebra de receitas de passagens do Brasil” de 43,1 milhões de euros e do “aumento dos custos com pessoal” de 35,3 milhões de euros, especificando que terá sido um aumento de 10,6%.

A informação, porém, também diz que o resultado antes de juros, impostos, depreciações, amortizações e perdas por imparidade, rendas de aviões, custos de reestruturação e outros itens não recorrentes até “registou um crescimento de 19,5% face ao primeiro semestre do ano anterior” e até reivindica ter melhor evolução do que chama, sem explicar a que se refere, “custos operacionais unitários” que os três ‘gigantes’ da aviação europeia, grupo Lufthansa, IAG e grupo Air France KLM.

Referindo-se à renovação da frota que tem em curso, “com a entrada de 15 aeronaves de última geração (neo)” [que a Airbus define como new engine option], o comunicado da TAP sobre os resultados no primeiro semestre diz que “tal investimento possibilitou à TAP obter importantes ganhos de eficiência no semestre, sendo a única companhia europeia de bandeira comparável [referindo-se a IAG, Lufthansa e Air France KLM] a reduzir os seus custos operacionais unitários em 8,8% face ao período homólogo, aumentando assim a sua vantagem de custos em relação a essas empresas”.

Porém, ao contrário da TAP esses grupos divulgam os seus custos unitários, de 5,6 cêntimos do euro por lugar voado um quilómetro (ASK, do inglês) nas companhias de rede do grupo Lufthansa e de 5,7 cêntimos nas companhias agrupadas na marca Eurowings, 6,6 cêntimos de euro de custos totais por ASK no IAG (incluindo portanto British Airways, Iberia, Vueling, Aer Lingus e Level) e 6,99 cêntimos de euro de custos líquidos por ASK no grupo Air France KLM.

A melhor notícia do comunicado da TAP é que, aparentemente, passou de um prejuízo de 110,7 milhões de euros no primeiro trimestre para nove milhões no segundo, que não só é 4,2 vezes menor que no primeiro, como ainda representa uma redução de 65,9% em relação ao segundo trimestre de 2018, em que teve uma perda de 26,4 milhões.

 

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