Taxas em Lisboa ainda estão 11% abaixo do que o contrato de concessão permite – ANA Aeroportos

26-11-2018 (11h57)

Foto: APAVT
Foto: APAVT

Francisco Pita, administrador da ANA Aeroportos, disse que as taxas aeroportuárias no Aeroporto de Lisboa ainda estão 11% abaixo do que o contrato de concessão permite, "porque temos consciência das limitações que temos e do que isso afecta os nossos clientes".

As taxas aeroportuárias estão no seu valor máximo em todos os aeroportos portugueses geridos pela ANA Aeroportos, excepto no aeroporto de Lisboa, disse Francisco Pita no 44º Congresso Nacional da APAVT, questionado pelo presidente da Associação, Pedro Costa Ferreira.

“Em Lisboa nós estamos 11% abaixo daquilo que o contrato de concessão nos permitiria, porque temos a consciência das limitações que temos e do que isso afecta os nossos clientes”, frisou o administrador e chief commercial officer da subsidiária do grupo francês Vinci que gere os aeroportos portugueses.

A estratégia assenta em “fazer uma gestão equilibrada para não comprometer por via do preço a competitividade do aeroporto, atendendo àquilo que é a falta de capacidade que sabemos ter”, sustentou Francisco Pita.

Sobre esse tema, o administrador da ANA disse na mesma ocasião que Lisboa "perde 1,8 milhões de passageiros por ano" por falta de capacidade.

Apesar dessa estimativa, a ANA Aeroportos “mantém-se todos os dias empenhada em perder o mínimo possível de procura”, disse Francisco Pita, sublinhando que isso acaba por “virar-se contra nós”, uma vez que afecta a pontualidade.

Embora assumindo a existência de um problema de pontualidade, o executivo desvalorizou as estatísticas mensais da consultora OAG, que colocam o Aeroporto de Lisboa sistematicamente entre os piores do mundo, por considerar que comparam aeroportos com volumes de operação muito díspares.

Francisco Pita disse que aeroporto nº1 em pontualidade no mês de Outubro, segundo a OAG, foi o aeroporto de Obihiro, no Japão, que só teve nesse período 300 voos, 98,3% dos quais a horas, enquanto Lisboa teve 9.330 voos, 52,2% dos quais a horas.

Contudo, o 8º aeroporto em pontualidade no mês de Outubro, com 96,6% dos voos a horas, segundo o OAG, foi o aeroporto de Moscovo Sheremetyevo, que teve 14.825 voos, mais 5.495 que Lisboa (clique para ler: Aeroporto de Lisboa melhora pontualidade em Outubro mas sem sair dos 20 piores do mundo).

A OAG publica também um ranking dos aeroportos por número de voos, no qual Lisboa foi o 80º maior no mês de Outubro e é o que tem o pior índice de pontualidade, a grande distância dos 83,6% de Chicago O'Hare, nº1 mundial, dos 87,8% do nº2, Atlanta Hartsfield, dos 81,4% do nº 3, Los Angeles International, e até dos 73,8% do nº 4, Dallas Fort Worth.

Francisco Pita defendeu que a pontualidade não é um problema só dos aeroportos portugueses, mas sim uma crise que está a afectar toda a Europa, tendo mais impacto em Portugal por ser um país “mais periférico”.

Em Lisboa forma-se a “tempestade perfeita”, porque além da localização, o aeroporto está “no limite da sua capacidade” e isso dificulta a compensação de um eventual atraso.

“As infraestruturas só por si não são indutoras de atrasos”, disse Francisco Pita, reconhecendo porém que “estar a operar numa infraestrutura como a do Aeroporto de Lisboa obriga neste momento a ser quase como um relógio suíço”.

“Nós não alocamos a capacidade que não temos, alocamos slots para faixas temporais e, teoricamente, se todas aquelas faixas temporais fossem cumpridas à risca não havia atrasos”, acrescentou o administrador da ANA, adminitindo saber que “a irregularidade faz parte da indústria” e que o que falta ao aeroporto de Lisboa “é forma de conseguir acumular essa irregularidade”.

Relativamente às taxas aeroportuárias em Lisboa, que disse estarem 11% abaixo daquilo que o contrato de concessão permitiria, o administrador da ANA Aeroportos disse ainda que “não é verdade que as taxas tenham subido demasiado, nem que tenham subido vezes demais, muito menos que tenham valores exorbitantes”, acrescentando que “durante um período de cinco anos antes da privatização não houve qualquer aumento de taxas nos aeroportos portugueses”.

“Estiveram absolutamente congeladas”, reforçou.

No caso de Lisboa, Francisco Pita disse que “em 2017 estávamos 16% abaixo da mediana do nosso painel de comparação”, designadamente Estocolmo, Berlim, Dusseldorf, Gatwick, Dublin, Copenhaga, Genebra, Barcelona, Madrid, Bruxelas, Roma e Viena.

 

Ver também:

Aeroporto de Lisboa afinal ainda está dentro da capacidade máxima... mas só por este ano

 

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