CTP diz que Governo deve ser “intransigente” na defesa do apoio europeu ao turismo
O presidente da Confederação do Turismo de Portugal (CTP) disse esperar que o Governo seja “intransigente” junto das instituições europeias na defesa da criação de uma linha específica de apoio ao turismo, um dos sectores mais afetados pela pandemia.
“Temos a expectativa de que o Governo Português seja intransigente junto do Parlamento Europeu e Comissão Europeia na defesa da criação de uma linha específica de apoio à actividade, com dotação própria”, afirmou Francisco Calheiros, citado num comunicado enviado na sexta-feira, dia 28 de Agosto.
O presidente da CTP considerou que “de outra forma, não será
possível ao turismo dar o seu contributo à coesão territorial e social europeia
que se impõe”.
Em causa está a “Visão Estratégica para o Plano de
Recuperação Económica de Portugal 2020-2030”, documento que servirá de base ao
plano que o Governo irá apresentar à Comissão Europeia, em Outubro, elaborado
por António Costa Silva, cuja fase de consulta pública já terminou.
A CTP voltou a lamentar “a ausência do turismo no modelo de desenvolvimento económico e social do país apresentado no documento” e defendeu que é “essencial desfazer a ideia preconcebida” de que há demasiado turismo em Portugal (clique para ler: CTP lamenta que Turismo não tenha sido ouvido por Costa Silva).
“Não há, nunca houve turismo a mais, mas sim outras actividades
económicas a menos. Nós demos o nosso contributo. Vamos ser penalizados por
isso?”, questiona Francisco Calheiros.
Segundo a Confederação, “o turismo tem crescido acima da
economia nacional, é a maior atividade económica exportadora do país, sendo
responsável por 52% das exportações de serviços, as receitas turísticas
registam um contributo de 8,7% para o PIB e representa quase 7% do emprego”.
Assim, o presidente da CTP considera “incompreensível que o
documento apresentado não tenha em conta estes indicadores e praticamente
ignore a relevância estratégica do turismo para a recuperação da economia”.
A CTP defende a integração do sector no referido plano
estratégico com medidas de curto e médio prazo de recuperação da atividade,
destacando as que garantam a sobrevivência das empresas e a preservação dos
postos de trabalho.
Para isso, a confederação diz ter já apresentado um pacote
de 90 medidas de apoio ao tecido empresarial, “muitas delas ainda sem
concretização”.
A CTP defende ainda a criação de um Plano de Recuperação e
Transformação do Turismo Português, a médio prazo, que inclua, entre outras
medidas, programas para a sustentabilidade do turismo, para a renovação e
sustentabilidade de destinos maduros, para a capacitação e dignificação dos
profissionais do turismo e um programa financeiro exclusivo de apoio ao turismo
e aviação.
As medidas para combater a pandemia de covid-19 paralisaram
setores inteiros da economia mundial e levaram o Fundo monetário Internacional
(FMI) a fazer previsões sem precedentes nos seus quase 75 anos: a economia
mundial poderá cair 4,9% em 2020, arrastada por uma contração de 8% nos Estados
Unidos, de 10,2% na zona euro e de 5,8% no Japão.
(PressTUR com Agência Lusa)
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