Deco lança linha telefónica para esclarecer dúvidas de viajantes sobre o novo coronavírus

04-03-2020 (15h50)

A associação de defesa dos consumidores Deco lançou uma linha telefónica para esclarecer as dúvidas dos viajantes sobre o novo coronavírus, após ter recebido na última semana meia centena de pedidos de informação.

A linha “Dúvidas sobre viagens COVID-19”, disponível a partir de hoje pelo número telefónico 21 371 02 82, pretende oferecer aos consumidores esclarecimento jurídico (e não sobre saúde) aos viajantes que, perante o actual surto provocado pelo novo coronavirus, querem esclarecer dúvidas acerca de viagens agendadas e de eventuais cancelamentos.

“Auxiliar sobre direitos, documentos, soluções e até dar dicas aos viajantes”, com viagens marcadas para as próximas semanas, é o objectivo deste novo serviço da associação, assim como mediar uma eventual resolução de conflitos em nome do consumidor, explicou, em entrevista à Lusa, o coordenador do departamento jurídico e económico da Deco, Paulo Fonseca.

“Podemos [através da linha telefónica] auxiliar o consumidor que está na iminência de viajar para determinado destino, e tenha dúvidas sobre a própria viagem, sobre o que fazer, documentos [que deve ter], dicas que pode levar na viagem, se deve fazer a viagem, e as consequências de um cancelamento de viagem”, precisou o jurista.

Na linha hoje lançada, funcionários da Deco vão pedir aos consumidores informações específicas, como datas e localização da viagem, alojamento, o tipo de viagem (se é organizada), e vão verificar informações sobre o destino, se tem surto de epidemia declarado ou não, ou alguma recomendação oficial para não viajar, pretendendo a Deco informar cada consumidor sobre o que pode fazer, se quiser cancelar a deslocação, e quais os seus direitos específicos.

“Havendo conflito entre o consumidor e uma transportadora aérea ou a própria agência de viagens, podemos [através da linha telefónica] auxiliar o consumidor na resolução desses conflitos, através do nosso processo de mediação”, adiantou Paulo Fonseca.

O jurista diz que a associação tem recebido “constantemente” pedidos de informação de consumidores com viagens agendadas, num total de 50 só na última semana, quando aumentaram as preocupações dos viajantes devido ao aumento de infeções pelo novo coronavirus na Europa, e em especial em Itália.

O aconselhamento da Deco, naquela linha, dirige-se a todos, segundo o jurista: "Escolas, quem comprou viagens organizadas, quem comprou voos e alojamento diretamente na internet, pais de alunos com viagens de finalistas programadas (...) tratamos de esclarecer todas as situações".

Paulo Fonseca admite que o cancelamento e alteração de viagens para Itália ou China, para as quais existem neste momento recomendações para não viajar (no caso de Itália, até há, além de recomendação do Governo, outra da direção regional de Educação para viagens de alunos), são de mais fácil solução do que outras, com destinos não visados por essas recomendações.

A associação diz estar a realizar reuniões com alguns intervenientes, como a Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT), tendo em vista "tentar concertar medidas", para que seja dada a mesma solução a consumidores em situação idêntica, e procurar alternativas às viagens marcadas se essa for a vontade do consumidor.

“Não queremos criar alarmismos para os consumidores, mas também não queremos que deixem de ser acautelados os seus direitos", afirmou Paulo Fonseca, especificando que a Deco pretende defender os direitos dos consumidores à saúde e à segurança, quando entrarem em conflito com outros direitos, como os das transportadoras aéreas.

A Itália é o país europeu com mais casos de surto Covid-19, com mais de dois mil infetados e 79 mortes registadas, tendo hoje anunciado que pondera o encerramento de escolas e universidades, a partir de quinta-feira e até meados de Março, por causa da epidemia.

A Índia também anunciou hoje ter imposto a monitorização de todos os passageiros de voos internacionais, depois de o Governo referir que o número de casos confirmados do novo coronavírus subiu, de cinco para 28, incluindo um grupo de 16 turistas italianos que, desde 21 de Fevereiro, viajava pelo país.

O novo coronavírus já provocou mais de três mil mortes e infetou mais de 92 mil pessoas, incluindo cinco em Portugal, e levou a Organização Mundial de Saúde (OMS) a declarar situação de emergência de saúde pública internacional de risco “muito elevado”.

O surto de Covid-19, detetado em dezembro, na China, pode causar infeções respiratórias como pneumonia, além de 2.983 mortes na China, registou vítimas mortais no Irão, Itália, Coreia do Sul, Japão, França, Hong Kong, Taiwan, Austrália, Tailândia, Estados Unidos da América, Filipinas e Iraque.

(PressTUR com Agência Lusa)

 

Clique para ver mais: Empresas&Negócios

Clique para ver mais: Coronavírus

Share
Tweet
+1
Share
Comentários
Escrever comentário

Outras Notícias

Universidade Europeia lança livro "Turismo e Hospitalidade de A a Z"

03-07-2020 (19h13)

A Universidade Europeia lançou o livro "Turismo e Hospitalidade de A a Z", que "aborda o turismo e a hospitalidade numa perspectiva multidisciplinar que permite apresentar um roteiro semântico" pela indústria do turismo.

TAP informa mercado sobre acordo de princípio entre Estado e privados

03-07-2020 (19h02)

A TAP informou hoje o mercado, através de um comunicado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), do acordo de princípio atingido esta quinta-feira à noite entre os privados e o Estado, para viabilizar a empresa.

Frasquilho avisa que próximos tempos na TAP serão difíceis, mas superados

03-07-2020 (18h57)

O presidente do Conselho de Administração da TAP, Miguel Frasquilho, alertou os trabalhadores numa mensagem a que o PressTUR teve acesso que os próximos tempos serão difíceis, mas serão superados “com alguns sacrifícios”.

Neya Lisboa Hotel distinguido com um Energy Globe Award

03-07-2020 (18h47)

O Neya Lisboa Hotel, a primeira unidade do grupo Neya Hotels, foi distinguido com um Energy Globe Award, que destaca "projectos inovadores no sector da eficiência energética, energias renováveis e conservação de recursos em prol do ambiente".

Reino Unido declara Açores e Madeira destinos seguros, mas mantém quarentena obrigatória no regresso

03-07-2020 (18h06)

O Reino Unido anunciou hoje que Açores e Madeira deixaram de representar “um risco inaceitavelmente alto” para os viajantes britânicos, no mesmo dia em que revelou que Portugal está fora da lista de países para onde os ingleses podem viajar sem ter de cumprir 14 dias de quarentena no regresso.

Opinião e Análise