Regresso de avião da Cabo Verde Airlines “marca a retoma dos voos” da companhia

15-04-2021 (13h41)

Foto: Cabo Verde Airlines
Foto: Cabo Verde Airlines

O Boeing 757 da Cabo Verde Airlines (CVA), "Baía do Tarrafal", regressou ao arquipélago, mais de um ano depois de ser colocado em situação de armazenamento no exterior, o que segundo o Governo “marca a retoma dos voos” da companhia de bandeira.

“Após a certificação do Boeing-757 da Cabo Verde Airlines pela Agência da Aviação Civil (AAC), na Islândia, o Governo congratula-se com a conclusão do processo e chegada da aeronave ‘Baía do Tarrafal’ ao país”, declarou o executivo, em comunicado citado pela Agência Lusa.

“Trata-se de um momento importante para Cabo Verde e para os cabo-verdianos uma vez que marca a retoma dos voos da nossa companhia de bandeira e certamente espelha a retoma do turismo e dos diversos sectores da economia nacional”, acrescentou.

Em Março de 2019, o Estado de Cabo Verde vendeu 51% da então empresa pública TACV (Transportes Aéreos de Cabo Verde) por 1,3 milhões de euros à Loftleidir Cabo Verde, empresa detida em 70% pela Loftleidir Icelandic EHF (grupo Icelandair, que ficou com 36% da CVA) e em 30% por empresários islandeses com experiência no sector da aviação (que assumiram os restantes 15% da quota de 51% privatizada).

A CVA operava antes da pandemia com três aviões Boeing 757-200ER fornecidos em regime de leasing pelo grupo Icelandair, que lidera a companhia cabo-verdiana, e todos foram deslocados em Março de 2020 para Miami, Estados Unidos da América (EUA), colocados em situação de armazenamento devido à suspensão de toda a actividade comercial.

Entretanto, o Boeing com a matrícula D4-CCG, baptizado com o nome de “Baía de Tarrafal”, foi deslocado em 12 de Março para o aeroporto de Keflavik, na Islândia. O mesmo aconteceu em 20 de Dezembro passado com o Boeing com a matrícula D4-CCH, “Fontainhas”.

De acordo com a Agência Lusa, em 15 de Março, o presidente da CVA, Erlendur Svavarsson, afirmou que a companhia prepara a retoma de voos para a Europa e os EUA, mas sem se comprometer com prazos, que faz depender do processo de vacinação.

Erlendur Svavarsson explicou então que para a companhia cabo-verdiana, privatizada há dois anos e parada desde Março de 2020 devido à pandemia, assim como para o sector em geral, “o principal indicador” da retoma da procura, destinos e operações aéreas “será a taxa de vacinação”.

“A Cabo Verde Airlines está a trabalhar no sentido de retomar os voos para a Europa e os Estados Unidos como primeiro passo para ligar quatro continentes através do nosso hub na ilha do Sal, assim que as condições pandémicas o permitirem”, sublinhou Erlendur Svavarsson.

O futuro da CVA tem estado em destaque na campanha eleitoral para as legislativas de 18 de Abril em Cabo Verde, com Ulisses Correia e Silva (MpD, maioria e primeiro-ministro) a defender que desde a privatização, em 2019, o Governo não injectou dinheiro na companhia e apenas emitiu avales para empréstimos bancários, como tem feito com outras empresas afectadas pela pandemia de covid-19.

Já a líder da oposição, Janira Hopffer Almada (PAICV), contesta e garante que se for eleita pretende reverter a privatização, recapitalizando a companhia e fazendo regressar aos voos internos, além das ligações internacionais.

O Governo cabo-verdiano, que detém uma participação social de 39% na CVA, que conta com cerca de 300 trabalhadores, anunciou no final de Fevereiro um acordo com a administração da companhia para a retoma das operações, prevendo a renegociação com credores, o que envolve também o grupo Icelandair, que fornece (através da Loftleidir) as aeronaves da companhia.

Na sequência deste entendimento, o Governo cabo-verdiano autorizou em 6 de Março o quinto aval do Estado a um pedido de empréstimo de emergência da administração da CVA, de 12 milhões de euros. Com este aval, os financiamentos pedidos pela companhia desde Novembro, com garantia do Estado, elevam-se a quase 20 milhões de euros.

O novo acordo com o Governo cabo-verdiano prevê a redução de três para duas aeronaves e a retoma a curto prazo dos voos para Portugal e EUA, para servir a comunidade cabo-verdiana. Em contrapartida, o Estado reforça a posição no conselho de administração, passando a ter poder real de decisão.

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