"Destino Brasil vai sofrer proximamente algumas transformações”

01-06-2005 (09h35)

Entrevista Timóteo Gonçalves (4)

“O destino Brasil vai sofrer proximamente algumas transformações”, prevê Timóteo Gonçalves, para quem, sendo certo que a viagem de sonho dos portugueses é ao Brasil, a procura tem sido determinada pela queda dos preços, atingindo um nível “que não é negócio para ninguém”, nem para agências e operadores nem para os consumidores. A tendência, defende, será para a diferenciação e a sua previsão é que haverá uma limpeza de produtos que actualmente estão no mercado, “porque é preciso fazer um preço competitivo”, mas “não têm a qualidade mínima para uma pessoa que atravessa o Atlântico e que vai à procura do paraíso”.

E o Brasil, o que é representa no vosso negócio?
TG: O Brasil já é uma parte importante, mas nós vendemos mais República Dominicana. E se juntarmos as Caraíbas espanholas - Cancun, Cuba e República Dominicana — temos mais passageiros do que para o nordeste brasileiro.
O nosso operador também programa nordeste brasileiro mas penso que enquanto os preços se mantiverem na ordem de grandeza actual - que não é negócio para ninguém -, o Brasil continuará a ser mais procurado pelo preço, embora na minha opinião o consumidor faça uma melhor compra com os 899 das Caraíbas num quatro estrelas bom com tudo incluído do que com os 499 euros num hotel de quatro estrelas brasileiras em Fortaleza ou Porto Seguro, que dificilmente são três estrelas na Europa.

E o que é que perspectiva?
TG: Eu penso que o destino Brasil vai sofrer proximamente algumas transformações, porque o português que vai ao Brasil fica cativado pela simpatia e carinho que os brasileiros têm pelos portugueses, mas vai chegar um momento em que os hotéis já não serão assim tão baratos, nem os restaurantes, nem os serviços terrestres, porque a procura é muita e quando assim é a oferta sobe os preços.
Em 1998 quando fui convidado para montar a Halcon em Portugal a primeira coisa que propus à empresa foi fazer um voo de Santiago de Compostela para o Brasil, porque as férias de sonho dos portugueses não são as Caraíbas mas sim o Brasil. Acho que tinha razão. Hoje em dia no imaginário dos portugueses a boa viagem é ao Brasil. Mas como sempre acontece, terá que se fazer a diferenciação dentro do Brasil. Há três anos bastava dizer eu fui ao Brasil e já era motivo de conversa. Hoje é preciso começar a dizer onde é que se esteve, em que hotel, etc. E o que é bom no Brasil é caro. Um Praia do Forte, um Nanai, um Arraial d’Ajuda EcoResort não se conseguem comprar por 499.
Eu penso que vai ser possível trabalhar neste fenómeno e que nós, agências de viagens e operadores, vamos ter que fazer uma grande limpeza de produtos que oferecemos em Portugal para o destino nordeste brasileiro.
Há hotéis que actualmente são propostos ao cliente português porque é preciso fazer um preço competitivo que no futuro deixarão de ser comercializados porque não têm a qualidade mínima para uma pessoa que atravessa o Atlântico e que vai à procura do paraíso.

E produto exclusivo para o Brasil?
TG: O Brasil é um produto de operador, da Travelplan. Mas estás nas mãos da Halcon crescer em rede para eventualmente poder dizer à Travelplan que o produto X é nosso e não é para vender a mais ninguém. Por enquanto não podemos chegar aí, mas estamos a trabalhar para isso.
Share
Tweet
+1
Share
Comentários
Escrever comentário

Outras Notícias

Portugal será “um hub” da expansão do Minor Hotel Group na Europa

02-02-2016 (18h52)

"Acho que Portugal vai tornar-se um hub europeu na continuação da nossa expansão na Europa", afirmou ao PressTUR o CEO do Minor Hotel Group, Dillip Rajakarier, sublinhando que os seus planos passam por tornar a Tivoli numa marca global e por trazer para Portugal outras marcas do grupo.

É preciso que haja coragem para rever as leis de ordenamento do território

19-06-2006 (15h29)

“Enquanto não houver coragem de mexer na Rede Natura, na Reserva Ecológica e na Reserva Agrícola” muitos projectos turísticos de qualidade, nomeadamente no interior algarvio, vão permanecer parados, e a pressão vai continuar a exercer-se sobre o litoral, advertiu o presidente da Região de Turismo do Algarve, Hélder Martins, que em declarações ao PressTUR afirmou estar indignado com o chumbo do empreendimento turístico de Corte Velho, no concelho de Castro Marim, pelo secretário de Estado do Ambiente.

RTA defende nova legislação para enquadrar camas paralelas

19-06-2006 (15h28)

A Região de Turismo do Algarve defende que a nova lei dos empreendimentos turísticos deveria prever a figura do alojamento particular que permita enquadrar essa oferta, porque a actual legislação, de 1997, não permite a sua legalização e enquadramento.

Projectos Algarvios candidatos ao QCA

19-06-2006 (15h21)

O Centro Oceanográfico de Sagres, a requalificação das ilhas da Ria Formosa e o Pavilhão Multiusos do Algarve são os “três projectos públicos emblemáticos na área do turismo”, eventualmente candidatáveis a financiamento do próximo Quadro Comunitário de Apoio, anunciou ao PressTUR o presidente da RTA, Hélder Martins.

Revisão do PROTAL deve acautelar projectos que aguardam aprovação

19-06-2006 (15h18)

A revisão do PROTAL - Plano Regional de Ordenamento do Território do Algarve deve acautelar os projectos que aguardam aprovação, defende o presidente da RTA, que, além disso, preconiza a adopção de “restrições no litoral, de acordo com o que já está aprovado no Plano de Ordenamento da Orla Costeira, e no aumento do perímetro urbano”.

Opinião e Análise