Companhias aéreas, GDS e Agentes: que relacionamento futuro?

25-11-2005 (16h17)

Vítor Filipe ao presstur.com (2)

Como avalia a adesão ao Congresso?
Vítor Filipe: Vamos ter cerca de 600 participantes, um número superior ao do Congresso anterior, em Florianópolis, e por isso estamos muito satisfeitos, até porque este aumento acontece com uma adesão crescente dos agentes de viagens.

Porquê o tema “Turismo: Cooperação e Desenvolvimento para este Congresso?”
Vítor Filipe: É um tema que tem tudo que ver com o destino, porque no fim de contas, com todos os laços afectivos que nos ligam aos países lusófonos, a cooperação ganha uma importância acrescida. Nós próprios somos um bom exemplo disso, com a criação da CLABTUR (Comunidade Luso Afro Brasileira de Turismo), que reúne as associações dos agentes de viagens dos países lusófonos.

Como está esse projecto?
Vítor Filipe: Pese embora a colaboração no âmbito da CLABTUR não se tenha desenvolvido tão rapidamente quanto desejávamos, a sua criação já foi um passo muito importante. Nesta altura está ainda, de facto, numa fase embrionária, mas sei que a próxima direcção da APAVT, com a criação da APAVTForm, vai assegurar o desenvolvimento do processo.
Por outro lado, continuamos a defender que o Turismo é a actividade que mais potencial tem para crescer e potenciar o desenvolvimento económico e social dos países e isso ganha também especial relevância no caso específico de Portugal e Moçambique. Estamos um passo à frente mas podemos ajudar-nos mutuamente, aprender uns com os outros e, sobretudo, assegurar que o Turismo seja um sector prioritário para ambas as nações.

Entre os temas a abordar do congresso, quais destaca?
Vítor Filipe: O transporte aéreo e a área do receptivo fazem sempre parte dos nossos congressos e neste são novamente temas de destaque. Mas logicamente, todos os temas que definimos são para nós importantes, embora admita que alguns possam ser mais apelativos.
O próprio tema do congresso vai ter um painel, que terá como moderador António Perez Metello e que conta com a participação do ministro do Turismo de Moçambique, do secretário de Estado do Turismo português e mais dois oradores do sector privado, que são o Florentino Rodrigues, do Grupo Pestana, e o Paulo Varela, do Grupo Visabeira, talvez os maiores investidores portugueses no sector do Turismo em Moçambique.
Outro painel que achamos que será muito importante e que será certamente muito interessante nomeadamente para o nosso turismo receptivo é o dedicado ao tema “Portugal: qualificar para gerar”. Este painel vai ser moderado pelo Carlos Rosado de Carvalho e vão participar os antigos responsáveis governamentais, Vítor Neto, Correia da Silva e Telmo Correia, bem como Henrique Montelobo, do Grupo Sonae, porque achamos que é importante a perspectiva de qualificar cada vez mais a nossa oferta para cada mais gerar mais receitas para o país.
Depois temos aquele que é sempre também um must dos nossos congressos, que é o painel da aviação. Este ano o foco é o relacionamento tripartido companhias aéreas, Agências de Viagens e GDS. É um tema muito importante e que neste momento gera alguma polémica, relativamente à qual é bom lembrarmos que não fomos nós que criámos os GDS, foram as companhias aéreas. Penso que vai ser um painel muito interessante para o qual conseguimos ter três convidados de muito peso, como Fernando Pinto, presidente da comissão executiva da TAP, Gordon Wilson, vice-presidente do Galileo International, e, da parte dos agentes de viagens, o próprio moderador, que é o Francisco Calheiros, da ES Viagens e presidente da Assembleia Geral da APAVT, e o Fréderic Frére, da Travelstore, que é também membro da direcção da Associação.

Ou seja, pela primeira vez a questão das relações com as companhias aéreas não é marcada directamente pela questão das comissões...
Vítor Filipe: Agora já passamos a fase da discussão das remunerações e entrámos noutro capítulo, que é o que pretendemos debater.

Mas o que está na base das questões continua a ser a das remunerações e da pressão das companhias aéreas para reduzirem custos de distribuição?
Vítor Filipe: Exacto, mas aqui é essencialmente um problema entre as companhias aéreas e os GDS, que no entanto se reflecte também nos agentes. De qualquer forma vamos pôr estas pessoas todas a conversar, a trocar ideias.

O que é que está em causa?
Vítor Filipe: O que vemos hoje em dia é que muitas companhias aéreas estão a tentar fazer bypass aos GDS, que são muito importantes para as agências e para as transportadoras. Será que vale a pena fazer esse bypass? Não estaremos a regredir? Há uns anos eram as próprias companhias aéreas que faziam a distribuição do produto directamente nas agências de viagens. E foram elas próprias que, depois, criaram os GDS. Vamos voltar para trás? Será a melhor solução? É isto tudo que vale a pena ser discutido. E o nosso Congresso, como sempre foi seu apanágio, quer estar na linha da frente destas discussões.

E analisar o seu impacto para as agências de viagens ...
Vítor Filipe: As agências de viagens também têm acordos com os GDS e se as receitas dos GDS forem reduzidas — e toda a gente sabe que há apoios dos GDS aos seus principais distribuidores agentes de viagens, através de equipamentos e remunerações — também somos afectados. Eu acho, porém, e temos conseguido fazê-lo em Portugal, que as pessoas têm que se sentar e conversar, para ver se realmente há regras e se chegamos à conclusão quanto ao que será melhor para todas as componentes que envolvem este negócio. Vamos sentar-nos e trocar ideias num debate público.
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