Pacote dinâmico dinamiza aviação e hotelaria e reduz peso dos pacotes pré-formatados

17-10-2005 (13h50)

Entrevista Sá Nogueira (2)

O pacote dinâmico, lançado há cerca de seis meses, já representa 10% das reservas diárias da Netviagens e está a provocar uma alteração do mix de produtos da agência de viagens online da Espírito Santo Viagens, com as vendas de aviação e hotelaria a ganharem mais peso na facturação total, em detrimento da comercialização de pacotes turísticos pré-formatados.

Como está a ser a evolução este ano em termos de tipos produtos?
Sá Nogueira: Nós tivemos um aumento do peso do produto aviação, que passou de 38% para com 41%, que provocou uma descida do peso dos pacotes tradicionais. A queda do peso destes foi de cinco pontos percentuais, para 38%, porque a hotelaria também aumentou 2 pontos, para 27%.

O que levou a esta alteração?
Sá Nogueira: Tem claramente que ver com a disponibilização do pacote dinâmico e com a confirmação imediata do produto que se está a vender. Quando vendemos pacotes de férias com os nossos operadores tradicionais, na maior parte deles não conseguimos confirmação imediata da reserva. Conseguimos com ofertas de charters e operadores em que temos allotments para isso, mas quando se trata de um circuito a pedido já podemos demorar 24 a 28 horas a fazer a confirmação. Isto tem um influência clara no consumidor, que se for para aguardar esse tempo também o faz na sua loja tradicional.
Nós estamos a mudar claramente isso com o pacote dinâmico, que permite uma confirmação imediata de todas as nossas reservas de hotelaria, e com os nossos pacotes próprios — porque estamos a crescer cada vez mais em termos de programação própria —, nos quais também confirmamos imediatamente a reserva. E por isso os produtos aviação e hotel, que muitas das vezes são vendidos juntos, crescem relativamente aos pacotes.

Qual é o peso que o pacote dinâmico tem no volume de negócios da Netviagens?
Sá Nogueira: Nós anunciámos em Abril a introdução do motor do pacote dinâmico e por isso não temos ainda números precisos. Mas já temos uma certeza: num dia normal da Netviagens temos cerca de 250 reservas, 20 a 25 das quais são pacote dinâmico. Mas estamos a falar de reservas que, como se sabe, nem todas depois dão lugar à concretização da compra.

Simples e com preços mais vantajosos

A designação “pacote dinâmico” pode dar a ideia de que é algo complicado para o cliente. O que é que diz a experiência destes meses de funcionamento?
Sá Nogueira: Para o cliente é simples. As nossas preocupações fundamentais são com a informação que fornecemos, porque temos que dar ao mesmo tempo três tipos de informação: sobre a aviação, onde as regras são cada vez mais complicadas, sobre o alojamento e sobre o destino. Para nós, colocar isto na internet foi uma operação complicada. Mas para o cliente é facílimo. Ele só tem que indicar o destino, os dias em que quer partir e regressar e escolher o tipo de hotel e nós disponibilizamos todas as opções. Aí ele compara os preços, escolhe a companhia aérea, o hotel, etc. Ou seja, está totalmente simplificado e é tanto assim que o pacote dinâmico é dos motores de reserva que existem na Netviagens aquele que tem maior crescimento.

O balanço é, portanto, positivo...
Sá Nogueira: O arranque foi bom e a ferramenta tem grande potencial porque é simples, não obriga a entrar em sítios diferentes para fazer a mesma reserva, não recorre à velha técnica do carrinho de compras, que é pouco funcional, etc. Para nós demorou algum tempo a fazer do ponto de vista técnico. Aliás é bom que se note que nem todos os sites internacionais têm essa funcionalidade. E acredito que ainda poderemos aumentar a funcionalidade do pacote dinâmico, nomeadamente ao nível da pesquisa, que actualmente é à base da categoria (estrelas) dos hotéis e da viagem de avião. Mais tarde, poderemos disponibilizar também a pesquisa pela localização do hotel nas grandes cidades ou nos destinos. E aí também teremos que fazer algumas melhorias de informação.

E quanto aos preços. Tem vantagens?
Sá Nogueira: O pacote dinâmico, como o nome indica, é um pacote, o que significa que a soma das tarifas de avião, hotel, etc., é mais barata do que se se comprar os produtos de forma independente. Ou seja, por se tratar de um pacote conseguimos transmitir ao cliente uma vantagem clara em termos de preço. Desde logo do nosso lado. Hoje em dia nós temos taxas de transacção em todos os produtos e se o cliente fizer duas reservas, uma para o avião e outra para o hotel, têm duas taxas, enquanto se fizer do pacote, tem apenas uma.

Este ano “houve mais gente a ir para fora cá dentro”

A confirmação imediata é um factor preponderante?
Sá Nogueira: É muito importante. O produto terá tanto mais sucesso neste tipo de distribuição consoante tenha confirmação imediata. E para isso os fornecedores têm também que nos disponibilizar as ligações online. Ou seja, o circuito tem que começar online na Netviagens e terminar online no fornecedor final, que também tem que fazer algum esforço para trabalhar desta maneira.
Eu não vou referir nomes, mas posso dizer que alguns dos hotéis que mais vendemos não são, digamos, aqueles cujos nomes nos vêm mais facilmente à cabeça. Isto não quer dizer que eles estejam online. Significa que encontraram formas de trabalhar connosco que nos permitem confirmar automaticamente as reservas.

Está a referir-se a pequenos hotéis?
Sá Nogueira: Não são só as grandes organizações, os grandes grupos, que podem disponibilizar os seus produtos online. Unidades de pequena dimensão também o conseguem. E a comprová-lo posso referir que há hotéis cuja expressão no mercado português não é relevante mas que para a Netviagens representam um volume de negócios que, comparando com os grandes grupos, tem expressão significativa.
Estamos a falar de hotéis no Algarve, casas rurais, pequenas unidades na província... Aliás, a Netviagens tem uma forte tradição de propostas para Portugal, com as nossas “escapadelas”. Não somos uma agência que vende apenas Algarve no Verão, ou só Lisboa e Porto. Vendemos todo o País e conseguimos trabalhar com muitas unidades de forma diferenciada, que nos cedem allotments, que trabalham connosco com outros tipos de ligações e com as quais temos vindo a crescer claramente, e muito, por termos a confirmação online.
Aliás, hoje em dia o nosso produto Portugal, incluindo Açores e Madeira, versus o global, representa 27% do volume de negócios até ao final de Agosto. Até porque este ano sentimos que houve mais gente a ir para fora cá dentro.

E que impacto teve essa tendência para o negócio da Netviagens?
Sá Nogueira: Não nos queixamos dessa tendência. É um produto no qual temos uma rentabilidade normal, porque temos o negócio automatizado, ou seja, não temos custos acrescidos em termos de operação.

Como define produto próprio da Netviagens?
Sá Nogueira: Nós temos um departamento de conteúdos que nos permite oferecer produtos diferentes ou com formas de apresentação diferentes. Por exemplo, de uma entidade que faz uma oferta dirigida ao nosso canal de distribuição e que nalguns casos não está mesmo noutros canais. Temos várias coisas que não aparecem ou, pelo menos, não aparecem da mesma forma noutros canais de distribuição. Eu prefiro, no entanto, usar o termo produto diferenciado, porque é diferente na forma de apresentação e abordagem, porque conseguimos ter soluções de distribuição eficazes, online, confirmação automática, assistência ao cliente, serviço e uma forma de relacionamento com os parceiros diferente, que nos permite agir rapidamente sobre o mercado. Se amanhã um fornecedor vier ter connosco e propuser uma campanha para a semana que vem, é possível. É esta dinâmica que faz a diferença em relação à distribuição tradicional.

Oferta de low costs

Quanto à oferta de produto aéreo. Os clientes encontram na Netviagens desde companhias tradicionais a charters e low costs?
Sá Nogueira: Nós temos no nosso site toda a oferta disponível no GDS, onde já estão algumas low cost. A nossa plataforma permite-nos outro tipo de soluções de distribuição, ou seja, se quisermos distribuir allotments em charters também podemos fazer no mesmo motor, com a mesma facilidade e com confirmação automática. A partir de meados deste mês, em termos tecnológicos, estaremos em condições de ter acesso à reserva low cost que não esteja em GDS. Mas ainda temos que analisar se para o mercado português é rentável a disponibilização dessa solução, porque também tem custos.

Porquê?
Sá Nogueira: Tem que ver com a dimensão do mercado e com a oferta low cost, que ainda é muito baixa à saída de Lisboa e do Porto. Até porque, como já temos algumas no nosso site, como a Air Berlin, a Virgin, a GermanWings, uma parte significativa da oferta de low costs já está assegurada. A opção quanto à disponibilização da outra parte depende da evolução do mercado. Mas já estamos preparados do ponto de vista tecnológico para, se nos parecer atractivo/interessante para o mercado, avançarmos nesse sentido.

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