Preço, dinamismo da oferta e autonomia do consumidor ditam êxito do online

17-10-2005 (13h43)

Entrevista Sá Nogueira (5)

Preço, dinamismo da oferta e a autonomia dos clientes para fazerem as suas escolhas “com toda a facilidade e comodidade” são, para Sá Nogueira, as forças motrizes do desenvolvimento do negócio das viagens e turismo na Internet, um segmento em que a Netviagens foi pioneira em Portugal no ano 2000 e cuja liderança reivindica.

Há a ideia de que as pessoas vão à internet porque partem do pressuposto que é mais barato e que isso está associado ao desenvolvimento das companhias aéreas low cost. Por outro lado, afirma-se que a tendência dominante é ainda para utilizarem a internet principalmente como fonte de informação. Como é em Portugal?
Sá Nogueira: Na nossa opinião há uma tendência para o mercado online porque o consumidor quer ter mais informação antes de fazer a sua escolha. O consumidor de hoje, em primeiro lugar, tem mais experiência, já viajou várias vezes — porque o viajar não se banalizou, mas massificou-se — e, sobretudo na Europa e nos Estados Unidos, viaja mais do que uma vez por ano. Mas continua a ter limites orçamentais. E o drive preço manifesta-se por aqui: o consumidor quer viajar o máximo de vezes por ano com o mesmo orçamento.
Quanto às low cost, não penso que tenham dinamizado o negócio na internet. A opção pela venda exclusiva online é para reduzirem custos de distribuição. E quanto à questão de se obter nas low cost os melhores preços, isso depende da época, do timing da reserva, se é one way ou round trip e da disponibilidade que houver…

Qual é a percepção sobre o desenvolvimento do segmento online em Portugal?
Sá Nogueira: Nós acreditamos que a Netviagens é claramente líder do mercado português a nível das agências de viagens online e a uma distância muitíssimo destacada. Não temos dados concretos do que são as vendas online das companhias aéreas, mas a única entidade que poderia fazer um volume de negócios superior ao nosso seria a TAP. No entanto, há que ter em atenção que em grande parte das suas vendas a transacção não é fechada na net. O cliente faz a reserva e depois tem de contactar o call center para concluir a transacção.

Qual a análise que faz da evolução do mercado nos cinco anos de existência da Netviagens?

Sá Nogueira: O mercado está muito diferente. Há muito mais gente que antes de comprar as suas férias passa pela net para comparar preços, mesmo que depois vá fazer a aquisição pelo processo tradicional. E há muito mais gente a confirmar e a comprar na net.

E o preço tem sido a força motriz do aumento da procura, ou há outros factores com peso também significativo?
Sá Nogueira: Os drives da internet são preço, dinamismo da oferta — e isso pode explicar os nossos níveis de audiência, pois temos uma oferta dinâmica, em que o site altera o seu visual semanalmente, com o envio da nossa newsletter — e a relação com o consumidor, na medida em que ele também pode fazer escolhas. Numa agência tradicional se ele pedir uma proposta, o mais provável é que lhe seja apresentado algo que já está disponível, formatado, naquele momento. Logicamente que ele pode pedir para ver várias alternativas, mas o tempo vai passando e isso tem consequências para a agência, porque tempo é o que está a vender, e para o consumidor, que começa a sentir-se incomodado por não se decidir. No nosso site tem informação disponível para fazer esse trabalho com toda a facilidade e comodidade e formatar as suas escolhas.

Perfil do utilizador

Qual é o utilizador-consumidor tipo da Netviagens?
Sá Nogueira: Em termos do volume de transacções, os clientes da Netviagens são pessoas com idades compreendidas entre os 25 e os 40 anos, residentes maioritariamente na faixa Litoral do País entre Lisboa e Porto, profissionais liberais, profissionais com um nível cultural relativamente superior e que consultam o site essencialmente durante a semana, ou seja, principalmente a partir dos locais de trabalho.
Aliás, a internet em Portugal continua a ter uma utilização preponderantemente de semana. Os nossos níveis de audiência caem drasticamente aos fins de semana e o sábado é o pior dia da semana. Ao domingo a audiência já começa a crescer.
Isto significa que se trata de funcionários de bancos, media, publicidade, etc., que têm grande utilização da internet a nível profissional.
Outro indicador interessante é que temos uma maioria de utilizadores mulheres, que já esteve nos 60% e actualmente anda na ordem dos 50 e pouco por cento, o que se explica pelo facto de as mulheres terem uma grande influência na decisão de aquisição das viagens, que se nota nas nossas audiências.

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