TAP reforça peso no mercado português com vendas BSP de 111 milhões de euros

23-05-2005 (12h11)

Carlos Paneiro (TAP) ao presstur.com (1)

A TAP aumentou o peso nas vendas líquidas BSP Portugal para 49,1% no primeiro quadrimestre, mais 0,5 pontos percentuais que no período homólogo de 2004, beneficiando de uma estabilização das vendas em 111 milhões de euros face a uma queda do mercado em 1,1%, revelou Carlos Paneiro, director da empresa para o mercado português, em entrevista ao presstur.com na qual faz o balanço dos primeiros meses deste ano e analisa as transformações que o sector está a atravessar, o seu impacto no nosso País e as estratégias que a companhia está adoptar, nomeadamente ao nível da distribuição, com o novo portal que está em preparação e cujo lançamento poderá ocorrer em Junho.




No primeiro quadrimestre, já descontados os efeitos de calendário, as vendas BSP Portugal caíram. E a TAP?

Neste quadrimestre, a TAP teve praticamente a mesma receita BSP que em 2004, em torno dos 111 milhões de euros. Como o mercado decresceu, acabámos por ter um ligeiro crescimento da quota de mercado, passando de 48,6% para 49,1%, ou seja, mais meio ponto percentual que no primeiro quadrimestre de 2004.

Estes primeiros quatro meses parecem indicar que 2005 ainda não será o ano da retoma tão aguardada desde o 11 de Setembro de 2001...
Na minha perspectiva hoje em dia já não se pode falar em retoma. Toda a gente estava à espera dela desde o 11 de Setembro de 2001, que foi o primeiro ano negro da indústria da aviação, mas desde então as variações têm sido praticamente nulas.
Em 2001 o mercado decresceu 0,6%, em 2002 cresceu 1,6% e em 2003 voltou a decrescer 2,6%. Depois, em 2004, em comparação com 2003, o mercado cresceu 4,1% e a TAP cresceu 7,5%. Comparando com os três anos anteriores, 2004 foi positivo, mas na minha opinião não se pode falar em retoma.
Um ano em que o mercado cresce 4,1% é um ano de recuperação e para a TAP até foi mesmo bastante positivo, porque crescemos 7,5% e sobretudo porque atingimos uma quota de mercado de 47,8% no ano, com um ganho de 1,5 pontos percentuais face a 2003.
Para uma companhia que já tem uma quota de mercado tão elevada, aumentar a quota de mercado 1,5 pontos é muito significativo e nessa perspectiva considero que para a TAP foi um bom desempenho.

Forte pressão sobre os preços
O que é que aconteceu para que o mercado não tenha regressado a taxas de crescimento de dois dígitos, como se verificava até 2000?
O mercado não está nesse ritmo de crescimento, nem pensamos que vá estar, porque existe uma pressão forte dos preços, não só por parte desse fenómeno novo que são as companhias low cost, como pela competição entre as próprias companhias regulares, que também é cada vez mais forte, e porque os próprios consumidores, nomeadamente o cliente empresa, têm muito melhor conhecimento do produto, dos preços, e já não estão dispostos a pagar o que pagavam antigamente.

Ou seja, não há menos viagens compradas no mercado português, há é menos receita pela queda dos preços?
Relativamente ao 2004 e a este primeiro quadrimestre de 2005, de facto, não considero que se esteja a viajar menos. É evidente que as empresas estão em forte contenção de custos e que as viagens são um factor importante. Mas nós, ano após ano, temos conseguimos ter mais passageiros. O que existe, então, é uma forte pressão sobre o preço e isso é notório nomeadamente na Europa.

Só na Europa?
Nos outros sectores de rede não temos uma redução da tarifa média, ou seja a pressão sobre a tarifa não é tão forte. Mas quando se trata da Europa, em que existe o fenómeno das low cost, em que as próprias companhias tradicionais estão a lutar pela conquista de quotas de mercado e em que os próprios travel managers das empresas já estão mais sensíveis ao preço, aí sim, está a fazer-se sentir uma forte pressão sobre os preços.

E a “explosão” dos charters nomeadamente para o Brasil não tem provocado também um efeito semelhante?
Essencialmente o que se passa com o Brasil é que o transporte está mais democratizado. Com os charters, o destino começou a chegar a segmentos da população que antes não chegava. Quem antes ia para Canárias e Sul de Espanha hoje vai para o Brasil que é um país que está no imaginário dos portugueses.

Brasil representou 22,7% das vendas em 2004
Como foi a evolução dos voos para o Brasil no mercado português?
Em termos de passageiros para o Brasil, em 2004 tivemos mais 23,4% que no ano anterior, quando em média no total da rede crescemos 12,9% com um aumento da receita total em 10,8%. O Brasil que em 2003 valia 20,8% das nossas receitas, em 2004 subiu para 22,7%.

A queda dos preços é, portanto, essencialmente na Europa?
Na Europa a tarifa média decresce porque é aqui que existe concorrência mais feroz.

Mas continua a ser o maior sector de rede?
A Europa vale 37,5% da receita produzida no mercado português. Em número de passageiros vale sensivelmente 37%.

E África?
África tem-se mantido ao nível dos anos anteriores porque não tem havido aumento da capacidade, nomeadamente para Angola e Moçambique, devido à existência de condicionamento da oferta. Em número de passageiros aumentámos 7%, mas como uma ligeira queda da tarifa média, o que levou a que o crescimento da receita fosse de 2,7%.

Reflecte o impacto do aparecimento de concorrência?
O que acontece com África é semelhante ao que se passa com os charters para o Brasil. O fenómeno charter assume riscos e o que se assiste é à sua colocação nos períodos de forte procura, que são aqueles em que também nós preenchemos a nossa capacidade. A questão acaba por ser mais complicada para os charters nos períodos de baixa procura, porque praticamente só atingem um segmento de mercado, o do turismo.

Mas o charter para Cabo Verde é um voo anual...
Mas é um voo por semana. Não se pode comparar com uma oferta diária da TAP em conjunto com os TACV. Além disso, chegamos a segmentos de mercado onde o charter não chega, além de termos de toda a nossa rede em diferentes mercados a vender para essa rota. Portanto, os nossos trunfos acabam por ser fortes.

Mas causa impacto.
É um negócio diferente e não estou a dizer que os charters não interferem em parte no negócio. Mas não da forma que as pessoas normalmente pensam. Em primeiro lugar, porque também criam mercado adicional. Em segundo lugar, porque não chegam aos segmentos de mercado onde a companhia regular chega e que permitem sustentar voo diário na rota.

E como foi com a entrada de concorrência nos voos para a Guiné e São Tomé?
Assistimos à mesma história que se passou há dois ou três anos com a linha do Funchal. Quando uma empresa está sozinha e aparece um novo player, a reacção imediata é perder-se uma quota de mercado superior ao que chamamos o fair market share, porque quem entra numa rota quer conquistar quota significativa e é agressiva. No momento seguinte, a tendência é a companhia que já estava no mercado reagir. Foi isso que aconteceu. Inicialmente perdemos quota, reagimos e recuperámos aquilo que consideramos uma quota correcta face à capacidade que temos.

Madeira foi a região com maior crescimento
Qual é hoje a posição da TAP nas ligações com a Madeira?
Foi uma agradável surpresa em 2004 e também está a sê-lo em 2005. Nós em 2004 tivemos mais 12% de passageiros na linha Lisboa - Funchal e mais 15% no Porto - Funchal.
E é preciso notar que esta é uma rota a que damos muita prioridade. Não é por acaso que operamos oito a dez voos diários e quando chegamos aos meses de pico lançamos operações adicionais importantes. No recente Natal e Ano Novo lançámos mais de cem voos adicionais.
Mas esta linha é estrategicamente importante para a TAP não só em termos dos voos entre a Madeira e o Continente. Toda a nossa rede a vender este destino e sabemos o papel que a TAP desempenha em termos do desenvolvimento do turismo da Madeira.

E como está a ser este ano?
Como disse há pouco, o aparecimento de concorrência, que acaba por ser salutar, até por exigir mais de nós próprios, levou a que no início perdêssemos uma quota significativa, mas hoje em dia já temos mais de 80% da rota, o que consideramos que é o fair market share. E o facto de termos crescimentos de 14% e 15% é muito significativo.
Depois, quando analisamos os dados da ANAM relativos às ligações entre o Continente e o Funchal, vemos que no primeiro trimestre para um crescimento médio em 8,4%, a TAP cresce 12,1%, a Sata, 10,8% e o nosso concorrente decresce 11,7%. O que não deixa também de ser significativo.

E no mercado da Madeira?
Nós costumamos analisar o comportamento do mercado português por sub-regiões. A zona da Madeira, foi onde a TAP teve o maior crescimento em 2004, com um aumento das vendas pelas agências de viagens em 15,1% para um mercado que apenas cresceu 0,9%, o que nos permitiu ganhar dez pontos de market share e atingir 80,2%.
No primeiro quadrimestre deste ano, em termos de BSP, o mercado decresce 0,6% e a TAP cresce 4,4% e tem uma quota de mercado de 83,7%, ou seja mais 4 pontos que no primeiro quadrimestre de 2004.

E nas outras regiões?
Em 2004 crescemos em todas as regiões. No centro sul o mercado cresceu 5,5% e a TAP 6,6%. No Norte o mercado cresceu 5,6% e a TAP 11,8%, o que nos deu também um significativo aumento de quota de mercado, e nos Açores o mercado ... e a TAP 4,4%.
No primeiro quadrimestre deste ano, na região Centro e Sul a TAP tem um crescimento menor do que o mercado — o mercado cresce 1,8% e a TAP 0,4% —, no Norte o mercado cresce 1,8% e a TAP 2,7% e nos Açores o mercado cai 4% e a TAP 5,8%.

Ver a continuação em:
  1. TAP teve mais 7,7% de passageiros nos voos do Porto para Londres
  2. TAP não lançará tarifas no novo portal que não estejam também nos agentes de viagens
  3. Não temos nenhum fetiche de colocar a comissão zero
  4. Acordo com AirPlus visa incentivar recebimentos com cartão de crédito
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