Turismo é “aposta segura” mas “necessita de uma atenção mais profunda”

05-03-2009 (16h53)

Vítor Neto em "O Viajante"

“Estamos a falar de «exportações», que correspondem a mais de cinco vezes às do maior exportador de Portugal – a famosa Quimonda”, sublinha Vítor Neto ao referir-se o montante de receitas externas geradas pelo turismo em 2008 e como essa notícia “foi menosprezada pela informação em geral”.

A defesa de uma “atenção mais profunda” ao turismo, que é “uma aposta segura”, é o tema da crónica habitual de Vítor Neto, “O Viajante”, publicada no “Diário Económico”, na qual salienta que enquanto as exportações “dão sinais de quebra e o défice da balança comercial tende a agravar-se (de 10.770 para 14.200 milhões de euros, 07/08)”, as receitas geradas pelo turismo subiram 1,7%, evidenciando que é “um sector com consistência e com melhor capacidade de resistência à crise do que outros”.
Vítor Neto defende que, assim, “pela sua importância”, o turismo “necessita de uma atenção mais profunda de toda a sociedade e não apenas de medidas pontuais de resposta à conjuntura”, bem como preconiza que “pode ter um peso ainda maior na economia”.
“Não nos faltam recursos. É uma aposta segura, cujo sucesso depende só de nós”, sublinha o ex-secretario de Estado do Turismo, empresário e gestor, actualmente presidente do NERA e vice-presidente da AIP, passando a enunciar que o que é necessário é “afinar o rumo, definir prioridades e eliminar equívocos e ilusões”.
Vítor Neto explicita “três questões”, designadamente a defesa da aposta ” no papel estratégico das regiões com o seu território e recursos”, a necessidade de correcção da “tendência (explícita ou não) para atribuir aos grandes projectos, com apoios especiais (pólos, pin’s), um papel «motor» no crescimento do turismo” e que é preciso “reequilibrar o papel e o peso da imobiliária (hoje excessivo) na economia do turismo”.
A estas questões, Vítor Costa acrescenta ainda o aviso de que na actual conjuntura, quando grandes operadores internacionais tentam “aproveitar as dificuldades dos hoteleiros para os aconselhar/obrigar a baixar preços” as acções de promoção com operadores “não podem ignorar esta cultura e devem tirar as lições: importa vender pela afirmação da oferta e não pelos favores da procura”.

Share
Tweet
+1
Share
Comentários
Escrever comentário

Outras Notícias

Um olhar sobre a aviação comercial perante a pandemia de covid-19

20-05-2020 (20h51)

Há pouco mais de três meses muitas das companhias aéreas do mundo debatiam-se com problemas de falta de aviões que assegurassem as suas estratégias de crescimento e melhoria da sua eficiência. Reclamavam e pediam compensações da Boeing, pelo atraso no regresso à operação do B737 Max, bem como da Airbus, pelos sucessivos atrasos na entrega de novas aeronaves. Hoje, entre muitas outras, as dificuldades passam por encontrar lugar para parquear as suas frotas e em determinar quando as irão colocar novamente nos céus. Quase ninguém quer ouvir falar em ter mais aviões.

Nunca acreditaram. Sempre falaram e… nada fizeram!...

19-05-2020 (18h00)

Uns disseram que «não haveria lei dos vouchers», claro que não, pois se «os agentes de viagens não têm voz em Portugal»…

“TACV têm solução” — defende Armando Ferreira

29-03-2009 (16h01)

“TACV têm solução” é o título escolhido por Armando Ferreira, director geral da Soltrópico, operador que em 2008 levou a Cabo Verde 16.472 turistas portugueses, mais 7,8% que em 2007, a um comentário enviado ao PressTUR sobre a notícia que revela o teor da carta que o presidente da transportadora aérea cabo-verdiana escreveu aos trabalhadores da companhia, com o título: “Ou mudamos ou fechamos” — aviso do presidente da TACV aos trabalhadores.

Vítor Neto no “Diário Económico”: O Algarve sem “mitos e ilusões”

07-08-2006 (12h37)

“O viajante arrisca-se a afirmar que o Algarve não é, de longe, a região da área do Mediterrâneo que está pior e, se existir inteligência, é  capaz de construir um desenvolvimento turístico sustentável e competitivo”, escreve hoje Vítor Neto, na sua coluna habitual no “Diário Económico”, em que aborda o “difícil” tema dos “mitos e ilusões” sobre a maior região turística do País.

Vítor Neto propõe reflexão sobre fenómeno low cost e turismo

24-07-2006 (13h33)

“O futuro do Turismo vai passar cada vez mais pela capacidade competitiva dos seus aeroportos, desde logo para as low cost”, defende Vítor Neto, empresário e ex-secretário de Estado do Turismo, na sua coluna publicada hoje no “Diário Económico”, sob o tema “Turismo, aeroportos e low cost”, na qual alerta que o fenómeno das low cost “é importantíssimo, contém enormes potencialidades, mas também desafios e riscos” e, por conseguinte, “exige um acompanhamento sério”.

Opinião e Análise