Vítor Neto propõe reflexão sobre fenómeno low cost e turismo

24-07-2006 (13h33)

“O futuro do Turismo vai passar cada vez mais pela capacidade competitiva dos seus aeroportos, desde logo para as low cost”, defende Vítor Neto, empresário e ex-secretário de Estado do Turismo, na sua coluna publicada hoje no “Diário Económico”, sob o tema “Turismo, aeroportos e low cost”, na qual alerta que o fenómeno das low cost “é importantíssimo, contém enormes potencialidades, mas também desafios e riscos” e, por conseguinte, “exige um acompanhamento sério”.

O articulista defende que “a ANA teve a lucidez de perceber o novo quadro, tem feito bem o seu trabalho”, mas já quanto aos responsáveis do turismo escreve que “não podem ignorar este processo” e reclama “uma acção conjunta, uma visão nacional e a mobilização de recursos necessária”, pois, como afirma também, “nenhuma estratégia de Turismo é válida, nem nenhuma promoção será eficaz, se não tiver em conta os mecanismos práticos que conduzem à decisão do turista de optar pelos nossos destinos!”
“O futuro do Turismo vai passar cada vez mais pela capacidade competitiva dos seus aeroportos, desde logo para as low cost. Só isso poderá impedir que perto das nossas fronteiras se consolidem concorrências alternativas. Só isso poderá garantir fluxos regulares e consistentes de turistas e viajantes, para os principais destinos turísticos de Portugal”, defende.
Vítor Neto, aliás, alerta que, há “um problema novo”, porque “a concorrência entre destinos turísticos deixa de se fazer apenas entre «grandes operadores/voos charter», que  fazem «chantagem» com o «preço do quarto», mas passa a ser também, e cada vez mais, uma concorrência entre aeroportos e entre regiões”.
E nesta concorrência, escreve Vítor Neto, “as companhias low cost não são instituições de beneficência”
“São empresas e a fase da «simpatia» vai acabar”, prossegue, referindo que passada a primeira fase, que dá “muito jeito” de criação de rotas, numa segunda fase “seleccionam as rotas que lhes interessam e vão pedir contrapartidas aos «destinos», isto é: facilidades adicionais e uma quantia em euros por passageiro, que assim vê o bilhete «financiado»...pelo destino turístico”.
“Já está a acontecer. E lá vão dizendo que o aeroporto (do país) ao lado... dá mais. Ao mesmo tempo outras companhias, concorrentes, tentarão desalojar os rivais... aceitando receber menos!”, acrescenta.
Em suporte às suas proposta, Vítor Neto escreve na coluna do “Diário Económico” sobre o exemplo do Aeroporto de Faro, onde “o tráfego de passageiros em voos  regulares passou de 14% em 1996 (o restante 86% era charter) para 64 % em 2005”, ano em que “o tráfego de passageiros low cost representou 76% do tráfego em voos  regulares e 48% (2,2 milhões de passageiros) do tráfego total  do aeroporto”.
No período de 2000 a 2005, refere ainda Vítor Neto, “a taxa média de crescimento anual do tráfego de passageiros low cost no aeroporto de Faro foi de 37,8%” e o aeroporto algarvio já figura na 4ª posição no ranking europei por número de companhias, com 15, a seguir a a Palma de Maiorca (19), Málaga (18) e Barcelona (16).
Sobre o segmento low cost na Europa, Vítor Neto observa que “em 2004 havia na Europa 133 milhões de lugares low cost disponíveis em voos intra-europeus” e que as estimativas apontam para que em 2010 sejam mais de 400 milhões.
Mas o impacto do fenómeno não se fica por esses números, refere, observando que “as próprias companhias de bandeira procuram adaptar-se criando as suas low cost (Ibéria, etc.),  os voos internos low cost estão a aumentar, os aeroportos que os recebem são cada vez mais...”

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