Investimento privado no turismo em Cabo Verde ultrapassa os 1.000 milhões de euros

31-03-2021 (17h09)

Foto: www.governo.cv
Foto: www.governo.cv

Cabo Verde acordou, nos últimos dias, contratos para a instalação de dois empreendimentos hoteleiros de grande dimensão, ambos na Praia, colocando acima de 1.070 milhões de euros o investimento privado no turismo no arquipélago no último ano.

De acordo com a autorização concedida por resolução do Conselho de Ministros à Empresa Nacional de Administração de Portos (Enapor), de 26 de Março, citada pela Agência Lusa, um desses recentes negócios envolve a construção do complexo hoteleiro de quatro estrelas Radisson Praia & Conference.

Segundo o documento, este projecto vai permitir criar mil postos de trabalho diretos e indiretos na capital cabo-verdiana – numa área de um hectare que será aterrada na baía da Gamboa -, com o Governo a destacar a relevância do mesmo e declarando-o “de interesse excepcional”, num investimento privado avaliado em 135 milhões de euros.

O edifício, com os seus 18 pisos, é um projecto promovido pelo grupo cabo-verdiano Ocean Park – Hotels & Resorts, cuja construção, prevista durante dois anos, deverá iniciar-se este ano, segundo informação dos promotores.

“O projecto Radisson Praia surgiu com o intuito de diversificar a oferta turística na ilha de Santiago, captando turistas de outros pontos da Europa e não só, contribuindo, assim para o aumento do turismo no país”, sublinham os promotores, no Estudo de Impacte Ambiental.

A principal característica prende-se com o facto de o edifício ficar assente sobre uma plataforma artificial naquela baía, uma “área de aterro construída de forma moderna”, através de caixas de betão, criando uma área de mais de um hectare e, além do hotel, um novo passeio marítimo de uso público.

A este investimento somam-se mais 100 milhões de euros para fazer nascer também na ilha de Santiago, a partir de Setembro, o primeiro Mélia Lusofonia, com 470 quartos e 160 apartamentos, gerando 400 empregos directos, conforme convenção com o Estado assinada esta semana.

Com estes dois investimentos, eleva-se a 1.070 milhões de euros e quase 8.500 postos de trabalho os contratos de promotores privados, em hotelaria e turismo, fechados com o Estado cabo-verdiano desde Abril, já depois do início da pandemia de covid-19. Envolve, além do Radisson Praia e do Mélia Lusofonia, dois outros megaempreendimentos, dois hotéis de cinco estrelas da cadeia Marriot e 21 investimentos com estatuto de utilidade turística, de acordo com dados oficiais compilados pela Lusa.

O presidente da Câmara de Turismo de Cabo Verde, Gualberto do Rosário, garantiu este mês, em entrevista à Lusa, que os empresários não deixaram de investir, apesar do forte impacto da pandemia, esperando um crescimento ainda mais pujante no sector a curto prazo.

“Uma vez resolvida a questão da pandemia, admito que o sector retome a normalidade, eventualmente até com outra pujança, esperemos, como vinha crescendo. Os empresários de uma forma geral, tanto os nacionais como os investidores externos, percebem que é assim e estão a preparar-se para a retoma”, afirmou o responsável, embora admitindo que a maioria dos hotéis em Cabo Verde permanece encerrada, devido aos impactos da covid-19.

O turismo representa cerca de 25% do Produto Interno Bruto (PIB) de Cabo Verde, mas o sector está praticamente parado desde final de Março de 2020, devido às restrições às viagens, impostas para conter a transmissão de covid-19, após o recorde histórico de 819 mil turistas em 2019.

Em 2020, o sector perdeu mais de 600 mil turistas, uma quebra superior a 70% face ao ano anterior.

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