Macau desiste de avançar com taxa turística

07-05-2020 (10h08)

Macau descartou a possibilidade de avançar com a cobrança de uma taxa turística no território, algo que estava a ser analisado desde o início do ano passado, anunciaram hoje as autoridades.

“Tendo em conta os objectivos do desenvolvimento sustentável da indústria turística de Macau, o estudo concluiu que controlar o crescimento do número de visitantes através da cobrança de uma taxa turística não é a medida mais adequada e eficaz para Macau”, informou em comunicado a Direcção dos Serviços de Turismo (DST).

As autoridades justificaram a decisão por a indústria turística ser “suscetível de ser afectada por factores externos” e “a primeira a ser atingida”, afectando múltiplos sectores, em especial em territórios muito dependentes do turismo, como é o caso de Macau, que no ano passado recebeu quase 40 milhões de visitantes, a esmagadora maioria da China Continental.

Os protestos pró-democracia em Hong Kong desde Junho de 2019 e a pandemia da covid-19 revelaram isso mesmo, segundo a DST de Macau.

Os confrontos em Hong Kong levaram a que “de um aumento mensal de dois dígitos durante os primeiros sete meses de 2019”, o número de visitantes começasse “progressivamente a descer, registando um decréscimo na ordem dos dois dígitos no final de 2019”.

Já este ano, com a covid-19, “o número de visitantes diminuiu de um total de 2,85 milhões em Janeiro, para 210 mil em Março, registando uma descida superior a 90%”, de acordo com a mesma nota.

Ou seja, “com base nos resultados do estudo, mediante uma análise global das características e das mudanças na atual conjuntura da indústria turística de Macau, o Governo da RAEM [Região Administrativa Especial de Macau] decidiu dar por finda a consideração da cobrança de uma taxa turística”.

As conclusões do estudo divulgadas em Janeiro, de resto, já mostravam “divergências nas opiniões”, indicaram as autoridades.

Se a esmagadora maioria dos residentes era a favor da implementação de uma taxa turística em Macau, 80% dos operadores do sector manifestaram oposição.

O estudo de viabilidade de Macau passar a cobrar a taxa turística “mostrou divergências” após a DST ter recolhido um total de 14.900 questionários.

Por outro lado, pouco mais de metade dos visitantes inquiridos afirmaram que se uma taxa turística fosse implementada em Macau tal afectaria a vontade de visitar o território.

Uma das conclusões do estudo apontou que “a cobrança de uma taxa turística reduz a vontade dos visitantes em visitar Macau, o que não favorece a integração de Macau no desenvolvimento da Grande Baía” Guangdong-Hong Kong-Macau.

Um dado importante, já que se trata de um projecto de Pequim de desenvolver uma metrópole mundial, juntando Macau, Hong Kong e nove cidades da província chinesa de Guangdong, uma prioridade para o antigo território administrado por Portugal.

No mesmo estudo referia-se que as razões de cobrança de uma taxa turística variam nos territórios que adoptaram a medida, mas que “não há casos em que o controlo do fluxo de visitantes seja a finalidade”.

Finalmente, “na análise dos casos estudados, verificou-se que apenas na fase inicial da cobrança de uma taxa turística há um ligeiro abrandamento do crescimento do número de visitantes”, concluía o estudo.

Em Março de 2019, em entrevista à Lusa, a directora dos Serviços de Turismo, Helena de Senna Fernandes, disse que estava a ser feito um estudo para a possível aplicação de uma taxa turística no território, como acontece atualmente em Veneza (Itália) e no Japão.

Macau, um território de cerca de 30 quilómetros quadrados, registou em 2018 mais de 35 milhões de turistas e quase 40 no ano seguinte.

(PressTUR com Agência Lusa)

 

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