Azul sofre revés na disputa da hegemonia da GOL e LATAM na ‘ponte aérea’ São Paulo - Rio de Janeiro

11-07-2019 (14h24)

GOL e LATAM, as duas maiores companhias de aviação brasileiras ganharam em leilão os slots da falida Avianca Brasil, da família Efromovich, que interessavam também à ‘irmã brasileira da TAP, a Azul de David Neeleman, que os via como um activo para disputar a hegemonia das outras duas, nomeadamente na ‘ponte aérea’ São Paulo - Rio de Janeiro, que já foi uma das rotas mais voadas em todo o mundo.

Segundo informação divulgada hoje, a Gol adquiriu 83 slots nos aeroportos de Congonhas e Guarulhos, em São Paulo, e Santos Dumont, no Rio de Janeiro, por 77,31 milhões de dólares (68,63 milhões de euros).

A LATAM, por sua vez, comprou, por cerca de 70 milhões de dólares (62 milhões de euros), 67 slots nesses três aeroportos.

A Azul, uma das três principais companhias aéreas brasileiras, apesar de registada para o leilão dos activos da Avianca Brasil, optou por não enviar nenhum representante à licitação por não “acreditar na legitimidade do processo”, segundo declarou em comunicado.

O leilão da Avianca Brasil ocorreu após uma intensa actividade judicial, já que as suas dívidas milionárias levaram a diversas acções em tribunais, o que acabou por suspender a oferta em várias ocasiões, devido a recursos interpostos por alguns dos credores.

Especialistas acreditam que a concentração no sector aéreo possa causar um aumento nos preços dos bilhetes devido à falta de concorrência.

Nesse sentido, o Conselho Administrativo de Defesa Económica (Cade), órgão que monitoriza e previne os monopólios, alertou em Abril passado para os riscos existentes na venda dos activos da Avianca, no que à concorrência leal no mercado de transportes aéreos diz respeito.

Um estudo do Cade concluiu que a aviação brasileira conta com uma “alta concentração do sector” e “já apresenta características suficientes para despertar preocupações”.

O resultado do leilão de activos e slots da Avianca está ainda rodeado de incertezas, dependendo ainda de questões judiciais, e poderá ser contestado por companhias aéreas e agências reguladoras, entre outros interessados, porque, segundo a resolução 487 da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), publicada em Agosto do ano passado, os slots “não integram o património da empresa de transporte aéreo ou do operador aéreo” e, portanto, é “vedada a sua comercialização ou cessão, gratuita ou onerosa”.

(PressTUR com Agência Lusa)

 

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