Cabo Verde perde 536 mil turistas e pode recuar a níveis de 2009

01-07-2020 (12h57)

Foto: www.governo.cv
Foto: www.governo.cv

A procura turística em Cabo Verde deve recuar este ano a níveis de 2009, devido à pandemia de covid-19, com uma perda de 536 mil turistas face à previsão inicial do Governo, que apontava para um crescimento de 6,6% relativamente aos 819 mil turistas recebidos em 2019, ano no qual foi registado um máximo histórico de receitas turísticas de 389 milhões de euros, que em 2020 deve cair para 136 milhões de euros.

A previsão consta de um documento de suporte à proposta do Orçamento Rectificativo para 2020 apresentada na terça-feira à Assembleia Nacional pelo Governo cabo-verdiano, que aponta para uma quebra de 58,8% na procura turística, face aos 819 mil turistas que o arquipélago recebeu em 2019.

No Orçamento do Estado para 2020, aprovado em Dezembro, o Governo estimava um crescimento da procura turística de 6,6%, aproximando-se da meta anual de um milhão de turistas, depois de um crescimento de 7% em 2019.

Contudo, na previsão do Governo que consta do documento de suporte orçamental, Cabo Verde deverá receber este ano apenas 337.555 turistas. Deste total, 170.778 são turistas que já visitaram o país no primeiro trimestre de 2020, pelo que até final do ano o país deverá receber pouco mais de 165.000 turistas.

Desde 19 de Março que todas as ligações aéreas internacionais a Cabo Verde estão suspensas por decisão do Governo, para travar a propagação da covid-19 no arquipélago, restrição que só deverá ser levantada a partir de Agosto.

O turismo representa praticamente 25% do Produto Interno Bruto de Cabo Verde e esta revisão em forte baixa das previsões para 2020 reflecte-se desde logo numa quebra de 66,1% nas receitas com o sector. As receitas com o turismo renderam em 2019 um máximo histórico de 43.103 milhões de escudos (389 milhões de euros), mas segundo a previsão do Governo deverão cair este ano para 15.086 milhões de escudos (136 milhões de euros).

O arquipélago de Cabo Verde conta com um acumulado de 1.227 casos da doença diagnosticados desde 19 de Março e um total de 15 óbitos, mas 608 já foram dados como recuperados pelas autoridades de saúde.

A crise económica e sanitária provocada pela pandemia de covid-19 em Cabo Verde vai obrigar o Governo a aumentar a dotação do Orçamento do Estado (Rectificativo) deste ano em 2,7%, para 75 mil milhões de escudos (680 milhões de euros), mas com o Governo a garantir que não haverá cortes salariais ou aumentos de impostos.

“Não podemos acrescentar em cima de uma crise económica forte, de uma recessão económica forte, elementos que poderiam amplificar ainda mais a dimensão da recessão”, afirmou anteriormente o vice-primeiro-ministro e ministro das Finanças, Olavo Correia.

A dotação orçamental para 2020 prevê assim um aumento de 2.000 milhões de escudos (18,1 milhões de euros) face ao Orçamento do Estado em vigor. O Governo estima ainda perder 20 mil milhões de escudos (181 milhões de euros) com receitas fiscais, devido à crise económica.

A proposta de orçamento prevê o recurso ao endividamento público, com um ‘stock’ estimado equivalente a 150% do PIB até 2021.

O Orçamento do Estado em vigor previa um crescimento económico de 4,8 a 5,8% do PIB em 2020, na linha dos anos anteriores, uma inflação de 1,3%, um défice orçamental de 1,7% e uma taxa de desemprego de 11,4%, além de um nível de endividamento equivalente a 118,5% do PIB.

As previsões foram drasticamente afectadas pela crise económica e sanitária decorrente da pandemia de covid-19 e reflectidas nesta nova proposta orçamental para 2020, que estima uma recessão económica que poderá oscilar entre os 6,8% e os 8,5% e um défice das contas públicas de até 11,4% do PIB.

“Esses dados tendem a piorar em função dos riscos que temos no que tange ao desconfinamento, ao timing para a descoberta da vacina ou da cura e para a retoma da actividade económica normal, sobretudo na perspectiva da conectividade de Cabo Verde com o mundo”, alertou Olavo Correia.

(PressTUR com Agência Lusa)

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