Coordenação entre países é uma das prioridades da Declaração de Tbilisi

18-09-2020 (11h33)

Foto: Ross Parmly / Unsplash
Foto: Ross Parmly / Unsplash

A necessidade de os países se coordenarem para harmonizarem práticas e procedimentos nas viagens é uma das prioridades sinalizadas na Declaração de Tbilisi, ratificada por unanimidade no 112.º Conselho Executivo da Organização Mundial do Turismo.

“A coordenação e a cooperação a nível internacional no sentido de haver uma maior harmonização das práticas e dos procedimentos que promovam viagens seguras é e foi uma das preocupações sinalizadas no decorrer dos trabalhos”, disse a secretária de Estado do Turismo, Rita Marques, à Lusa, precisando que esta preocupação das delegações presentes no evento "consta da Declaração de Tbilisi".

O 112.º Conselho Executivo da Organização Mundial do Turismo das Nações Unidas (UNWTO) é a primeira reunião presencial realizada pela organização desde o surto da pandemia, e tem como objectivo enviar uma mensagem de confiança para recuperar o turismo, cujas perdas são oito vezes maiores do que as da crise de 2008.

A secretária de Estado do Turismo, Rita Marques, que se deslocou à Geórgia para participar no encontro, referiu que foi pedido à UNWTO que prepare uma proposta que vá ao encontro da preocupação sinalizada e que possa ser adoptada pelos vários países, de forma a reforçar os níveis de confiança no sector.

Neste contexto, Rita Marques referiu estar confiante de que possam ser definidas pela UNWTO um conjunto de medidas que reúnem o maior consenso possível e que possam ser implementadas a nível de cada país.

Na terça-feira, a maior associação representativa da aviação europeia condenou as “restrições fronteiriças caóticas” adoptadas na União Europeia (UE), que tiveram um “impacto devastador na liberdade de circulação” este Verão, exigindo que os países façam desta uma “prioridade política”.

Para a secretária de Estado do Turismo, esta primeira reunião presencial da organização desde que a pandemia foi declarada permite sinalizar "de forma muito simples" a confiança na retoma e a preocupação em definir uma estratégia de médio e longo prazo para o sector.

Rita Marques adiantou também que a Declaração de Tbilisi “assenta em três dimensões”, incluindo uma mais direccionada para as pessoas e que aponta para a necessidade de os governos desenvolverem mecanismos de apoio às micro, pequenas e médias empresas do sector.

A esta dimensão, soma-se uma outra, no âmbito do ambiente, que aponta no sentido de o sector do turismo contribuir de forma “muito activa” para a sustentabilidade do planeta, e um terceiro vector, direccionado para a prosperidade dos povos, “colocando o turismo como um sector prioritário para a recuperação social e económica de todos os países que dependem dele”.

Numa intervenção no encontro, o secretário-geral da organização, o georgiano Zurab Pololikashvili, recordou o impacto devastador da pandemia de covid-19 no sector, com os cenários a apontarem para quedas entre 58% e 78% nas chegadas turísticas internacionais em 2020, um nível que revela a incerteza que o mundo está a viver, e que depende da duração das restrições de viagem e de quando as fronteiras serão reabertas.

Como resultado, entre 850 milhões e 1,1 mil milhões de pessoas deixarão de fazer viagens internacionais, provocando perdas entre 910 mil milhões e 1,2 biliões de dólares em receitas de exportação relacionadas com turismo.

O sector não voltará aos níveis de crescimento pré-pandemia durante mais três a quatro anos.

Em relação a Portugal, Rita Marques referiu que as estimativas apontam para que a situação continue difícil, apesar de se ter já começado a sentir uma evolução favorável, esperando-se uma recuperação mais robusta a partir da Primavera de 2021.

(PressTUR com Agência Lusa)

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