Moeda comum na África Ocidental volta a ser adiada para 2027

21-06-2021 (15h03)

Foto: Unsplash / Benjamin Dada
Foto: Unsplash / Benjamin Dada

Os países da África Ocidental voltaram a adiar os planos de lançamento de uma moeda comum, denominada ECO, apontando agora para 2027, depois de a pandemia de covid-19 ter forçado anteriormente uma prorrogação dos prazos.

"Temos um novo roteiro e um novo pacto de convergência que abrangerá o período entre 2022 e 2026, sendo 2027 o ano de lançamento da ECO", adiantou o presidente da Comissão Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), Jean-Claude Kassi Brou, em conferência de imprensa, acrescentando: “Devido ao impacto da pandemia, os chefes de Estado tinham decidido suspender a implementação do pacto de convergência em 2020-2021”.

A CEDEAO procura desde 1983 fomentar a integração económica da região com a criação de uma moeda comum, mas já falhou esse objetivo em 2009, 2012 e 2015, sendo 2020 o último prazo que a organização tinha fixado para si própria.

Para participar na utilização da ECO, os países da África Ocidental acordaram critérios de convergência, nomeadamente: défice inferior a 3%, inflação inferior a 10% e uma dívida não superior a 70% do Produto Interno Bruto (PIB).

Em 2018, nenhum país preencheu todos os critérios, e em 2017, três países preencheram, de acordo com dados da CEDEAO.

Um dos desafios ao lançamento de uma moeda única tem sido o facto de oito países da região utilizarem o franco CFA, uma moeda criada em 1945 pela França, antiga metrópole da região. Em Dezembro de 2019, a União Económica e Monetária da África Ocidental (UEMOA), que reúne oito Estados da África Ocidental que usam o franco CFA, acordou com o Governo francês uma reforma monetária que substituiria o franco CFA da região pela ECO.

No entanto, o acordo manteve a paridade fixa que o franco CFA já tem com o euro, algo que poderia mudar quando o resto dos países da CEDEAO aderissem.

Outros países também membros da CEDEAO e integrados na Zona Monetária da África Ocidental (ZMOA) - uma organização de Estados maioritariamente anglófonos que não utilizam a CFA - não viram este anúncio com bons olhos, considerando que é unilateral e fica aquém do objectivo da integração económica previamente acordado.

Por outro lado, a ECO é ainda ameaçada pela heterogeneidade no seio da CEDEAO, onde o Níger é o país mais empobrecido do mundo e a Nigéria uma das maiores potências económicas de África, que representa quase dois terços do PIB da região e é um exportador de petróleo.

O objectivo da moeda comum é promover o comércio inter-regional, que, de acordo com a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), é muito fraco: em 2017, era apenas de 9,4% contra os mais de 60% entre os países da União Europeia.

Clique para ver mais: África

Share
Tweet
+1
Share
Comentários
Escrever comentário

Outras Notícias

Baleares concentraram mais de 23% dos estrangeiros que procuraram Espanha no 1º semestre

03-08-2021 (16h40)

O arquipélago das Baleares, cujos principais mercados emissores são a Alemanha e os Países Baixos, receberam no primeiro semestre deste ano 1,25 milhões de turistas residentes no estrangeiro, que significam uma quota de 23,2% do total de estrangeiros chegados a Espanha nesse período.

Estudo da Oliver Wyman prevê falta de pilotos na Europa em 2022

03-08-2021 (15h17)

De acordo com um estudo da consultora Oliver Wyman, a Europa vai ter falta de pilotos em 2022, mais precisamente menos 790 pilotos do que aqueles que serão necessários.

Situação pandémica melhora na Tunísia e OMS pede para acelerar vacinação

03-08-2021 (15h07)

A situação pandémica está a melhorar ligeiramente na Tunísia, anunciou a Organização Mundial da Saúde (OMS), pedindo àquele país do norte de África que “acelere” a campanha de vacinação, após o pico de infecções por covid-19 ter passado.

Cabo Verde aprovou três hotéis avaliados em mais de 400M euros no final de Julho

03-08-2021 (14h52)

O Governo cabo-verdiano aprovou na última semana de Julho convenções de estabelecimento para a construção de três empreendimentos turísticos no arquipélago, ultrapassando 400 milhões de euros de investimento privado.

Portugal regista 19 mortes, 2.076 novos casos e menos internamentos em enfermaria

03-08-2021 (14h32)

Portugal regista hoje, 3 de Agosto, 19 mortes atribuídas à covid-19, 2.076 novos casos de infecção pelo coronavírus SARS-CoV-2 e uma redução nos internamentos em enfermaria, segundo dados oficiais.

Opinião e Análise