ANA admite que 5.000 passageiros ficaram em terra em Lisboa pela greve do pessoal de segurança

30-08-2016 (13h13)

A ANA, gestora dos aeroportos portugueses, avançou hoje que cerca de cinco mil passageiros "não conseguiram embarcar nos voos previstos, sem prejuízo naturalmente das medidas de protecção eventualmente adoptadas pelos respectivos operadores aéreos", no passado Sábado, devido à greve nas empresas de segurança.

Esta situação tem motivado críticas várias de operadores turísticos cujas operações charters não têm a mesma flexibilidade que as regulares (para ler mais clique: Centenas de portugueses arriscam perder centenas de milhares de euros pela greve de seguranças dos aeroportos).

O comunicado divulgado hoje pela ANA Aeroportos de Portugal centra-se, porém, em evidenciar que no Aeroporto de Lisboa, onde a greve “atingiu a maior expressão” a segurança não esteve em causa, que não houve cancelados e os passageiros que não conseguiram embarcar foram “pouco mais de 3% do total” previsto (cerca de 155 mil).

“Nenhuma das medidas adoptadas pôs em causa o controle de segurança dado que o controle prévio dos passageiros que entram na área de controle de segurança se destina a medir a qualidade de serviço e a restringir o acesso à área de rastreio de pessoas não portadoras de cartão de embarque”, lê-se no comunicado da ANA que reforça essa ideia com a afirmação que “estiveram presentes no Aeroporto de Lisboa Inspectores da ANAC que garantiram que em momento algum fossem postos em causa as regras e procedimentos de segurança”.

À questão do “caos” que se instalou no Aeroporto de Lisboa com voos a partir com uma ou duas dezenas de passageiros porque os restantes não conseguiram chegar às portas de embarque, além daqueles que viajaram mas sem bagagens, como se queixam os operadores turísticos, o comunicado da ANA apenas deixa uma promessa e um ‘desabafo’.

A promessa é de que “irá analisar com a ANAC e entidades policiais, a adopção de meios tecnológicos que, com a supervisão das entidades policiais, possam garantir os procedimentos de controlo de segurança, tornando menos vulnerável a regularidade das operações e o conforto dos passageiros a acções industriais como a verificada”.

O ‘desabafo’ é de que, apesar dos milhões de euros de investimentos no Aeroporto de Lisboa, na sua perspectiva mesmo sem greve “ocorreriam seguramente alguns constrangimentos” num dia de actividade muito intensa como o passado Sábado.

“Tratou-se de um dos sábados de maior tráfego no ano, razão pela qual, mesmo sem greve, ocorreriam seguramente alguns constrangimentos”, diz a empresa, sem deixar de frisar que esses “constrangimentos” foram, “naturalmente agravados pelas restrições de pessoal decorrentes do não cumprimento pelas entidades sindicais dos serviços mínimos decretados (em Lisboa apenas compareceram 45% dos recursos previstos pelo Despacho que regulou os serviços mínimos)”.

“A este propósito, lamentam-se e repudiam-se as medidas de intimidação e desinformação utilizadas para impedir de trabalhar os colaboradores do prestador de serviço que o desejavam fazer”, acrescenta o comunicado.

 

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