CTP reclama mais verbas para a promoção turística de Portugal

17-01-2020 (16h46)

Foto: CTP
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O presidente da Confederação do Turismo de Portugal (CTP), Francisco Calheiros, reclamou hoje mais verbas para a promoção turística de Portugal, alertando que "existem mercados que exigem um aumento de promoção importante e nós vamo-nos bater por isso".

“Há anos que a Confederação não fala da promoção. Os turistas têm aumentado, a verba para a promoção tem diminuído”, começou por dizer Francisco Calheiros, que falava hoje em Lisboa num seminário sobre “Economia Portuguesa e OE 2020”.

“Se se fizer um rácio do custo da promoção por turista, há seis ou sete anos que vem a descer todos os anos. É altura de inverter”, salientou o presidente da CTP.

A necessidade de aumentar o investimento em promoção enquadra-se num momento em que o Brexit “é uma realidade” e depois de quebras na chegada de turistas britânicos “há dois anos” e de turistas alemães “no ano passado” (ver também: Cinco emissores atingiram novos máximos anuais de dormidas em 11 meses de 2019).

Outra questão sobre a qual Francisco Calheiros garantiu que será “mais exigente” este ano é o “reforço dos quadros do Turismo de Portugal”.

“Temos mais turistas, são 27 milhões de turistas a aparecer todos os anos e a estrutura do Turismo de Portugal mantém-se a mesma”, uma situação que “não pode continuar, tem que se reforçar”.

Francisco Calheiros sublinhou que estas reivindicações também foram apresentadas na semana passada na reunião do Conselho Estratégico para a Promoção Turística Externa (CEPT), uma estrutura consultiva do Governo constituída por representantes do Turismo de Portugal, dos Governos Regionais da Madeira e dos Açores, do sector privado através da CTP, das ARPTs (Agências Regionais de Promoção Turística) e das ERTs (Entidades Regionais de Turismo).

O ministro de Estado, da Economia e Transição Digital, Pedro Siza Vieira, segundo um comunicado, afirmou nessa reunião que “é necessário continuar a estimar e a preservar o turismo. Há mercados, segmentos e oportunidades que nos permitem continuar a crescer sustentavelmente”.

Pedro Siza Vieira destacou ainda que Portugal tem “um grande potencial de crescimento em produtos em rede e em oferta de base colaborativa”.

Citada na mesma nota, a secretária de Estado do Turismo, Rita Marques, salientou “a importância do desenvolvimento de um ecossistema digital entre o Turismo de Portugal e as Agências Regionais, a capacitação das equipas regionais e o reforço do envolvimento dos privados na promoção”.

Hoje em Lisboa, o presidente da CTP também falou sobre o Orçamento do Estado para 2020, começando por elogiar “o excedente orçamental”.

Por outro lado, Francisco Calheiros afirmou que “podemos discutir os orçamentos que quisermos, mas se não alterármos drasticamente a política demográfica não há sustentabilidade da economia, nem da segurança social, nem de nada”.

“Os nossos jovens não têm mais filhos porque não têm dinheiro para os ter e porque não têm onde os deixar. Haja um trabalho de atacar estes dois problemas e a questão demográfica será alterada muito rapidamente”, sublinhou.

Outra medida ausente do Orçamento do Estado destacada por Francisco Calheiros é a reforma do Estado. “O Estado não se mexe e não pode ser”, afirmou.

Por outro lado, “estamos num momento de fadiga fiscal completa, quer as empresas, quer as famílias. Não podemos continuar assim”, enfatizou Francisco Calheiros.

“Foi de facto com algum pesar que verificámos que nesta proposta de Orçamento do Estado nem aquelas três questões [mais destacadas] para nós que é a dedutibilidade do IVA do MICE, a questão da baixa do IVA do golfe e a carga fiscal no rent-a-car foram minimamente consideradas”, concluiu.

 

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