Mais de 3/4 da quebra do PIB português em 2020 deveu-se ao turismo

14-05-2021 (17h24)

O turismo foi a actividade que mais penalizou a evolução do PIB em Portugal no ano de 2020, indicou hoje o INE que lhe atribui mais de três quartos da quebra do PIB em 7,6% no ano passado.

Os dados divulgados pelo INE são estimativas preliminares da Conta Satélite do Turismo e confirmam a hecatombe que que a covid-19 provocou no turismo e que já transparecia em outras informações, nomeadamente na Balança de Pagamentos, com quebra dos gastos de turistas estrangeiros no país (exportações de turismo) em mais de 50% e dos gastos de portugueses em turismo no estrangeiro (importações) em 46,1%.

O Instituto avançou hoje que a actividade do transporte aéreo foi a que teve a redução mais forte em volume em 2020, em 54,8%, seguida pela restauração e similares, com -54,2%, alojamento, com -51,2%, serviços de aluguer, com -51,1%, e transportes terrestres, com -48%.

As estimativas do INE indicam que em 2020 o consumo turístico teve um contributo directo e indirecto de 6,3% para o PIB, no montante de 12,8 mil milhões de euros, e de 6,2% para o Valor Acrescentado Bruto (VB), com o montante de 10,9 mil milhões de euros.

Assim, explicita o INE, “o ano de 2020 foi marcado pela forte contracção da atividade económica, o que se traduziu na diminuição de 7,6% do volume do PIB”, para na qual o Instituto calcula que “a redução da atividade turística terá contribuído com -5,8 pontos percentuais”, e que isso “corresponde a mais de ¾ da redução do PIB”.

A informação do Instituto diz ainda que “em consequência da forte redução da atividade turística em 2020, o contributo do VABGT [Valor Acrescentado Bruto gerado pelo Turismo] para o VAB nacional (4,6%) reduziu-se para um valor que só foi inferior em 2010 (4,1%)” e que o peso do CTTE [Consumo do Turismo no Território Económico] no PIB nacional “atingiu em 2020 (8,0%) o valor mais baixo desde o ano 2000 (ano mais recuado para o qual se dispõe de informação da CST), inferior ao anterior valor mínimo observado em 2003 (8,2%)”.

A conclusão do INE é de que “o decréscimo consideravelmente mais acentuado quer do VABGT quer do CTTE, face ao conjunto da economia portuguesa, expressou os efeitos particularmente nocivos da pandemia COVID-19 sobre esta actividade económica”.

E em resultado desse diferencial de impacto, o ‘peso’ do turismo no PIB baixou de 11,8% em 2019 para 6,3% em 2020, o VABGT representou no ano passado 4,6% do VAB nacional, quando em 2019 representara 8,4%, e o Consumo do Turismo no Território Económico situou-se em 8% do PIB quando em 2019 atingira 15,3%.

 

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